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Atos

 

[Atos 1]Atos 1

INTRODUÇÃO: A TAREFA APOSTÓLICA
1. No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus começou a fazer e ensinar, desde o princípio,
2. até o dia em que foi levado para o céu. Antes disso, ele deu instruções aos apóstolos que escolhera, movido pelo Espírito Santo.
3. Foi aos apóstolos que Jesus, com numerosas provas, se mostrou vivo depois da sua paixão: durante quarenta dias apareceu a eles, e falou-lhes do Reino de Deus.
4. Estando com os apóstolos numa refeição, Jesus deu-lhes esta ordem: "Não se afastem de Jerusalém. Esperem que se realize a promessa do Pai, da qual vocês ouviram falar:
5. 'João batizou com água; vocês, porém, dentro de poucos dias, serão batizados com o Espírito Santo'."
6. Então, os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: "Senhor, é agora que vais restaurar o Reino para Israel?"
7. Jesus respondeu: "Não cabe a vocês saber os tempos e as datas que o Pai reservou à sua própria autoridade.
8. Mas o Espírito Santo descerá sobre vocês, e dele receberão força para serem as minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os extremos da terra."
9. Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu à vista deles. E quando uma nuvem o cobriu, eles não puderam vê-lo mais.
10. Os apóstolos continuavam a olhar para o céu, enquanto Jesus ia embora. Mas, de repente, dois homens vestidos de branco
11. apareceram a eles e disseram: "Homens da Galiléia, por que vocês estão aí parados, olhando para o céu? Esse Jesus que foi tirado de vocês e levado para o céu, virá do mesmo modo com que vocês o viram partir para o céu."

A IGREJA DE JERUSALÉM

A PRIMEIRA COMUNIDADE
12. Os apóstolos voltaram para Jerusalém, pois se encontravam no chamado monte das Oliveiras, não muito longe de Jerusalém: uma caminhada de sábado.
13. Entraram na cidade e subiram para a sala de cima, onde costumavam hospedar-se. Aí estavam Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão Zelota e Judas, filho de Tiago.
14. Todos eles tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus.

CONHECER O EVANGELHO PARA DAR TESTEMUNHO DELE
15. Nesses dias, aí estava reunido um grupo de mais ou menos cento e vinte pessoas. Pedro levantou-se no meio dos irmãos e falou:
16. "Irmãos, era preciso que se cumprisse aquilo que o Espírito Santo, por meio de Davi, tinha anunciado na Escritura a respeito de Judas, que se tornou o guia daqueles que prenderam Jesus.
17. Judas era um do nosso grupo e participava do nosso serviço.
18. Ele comprou um terreno com o salário da sua iniqüidade; depois caiu de ponta cabeça, arrebentou-se e suas entranhas se esparramaram.
19. A notícia chegou a todos os habitantes de Jerusalém que deram àquele terreno o nome de Hacéldama, que quer dizer campo de sangue, conforme a sua língua.
20. Pois no livro dos Salmos está escrito: 'Que sua moradia fique deserta e ninguém habite nela.' E ainda: 'Que outro ocupe o seu cargo.'
21. Há outros homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor vivia no meio de nós,
22. desde o batismo de João até o dia em que foi levado ao céu. Agora, é preciso que um deles se junte a nós para testemunhar a ressurreição."
23. Então eles apresentaram dois homens: José, chamado Bársabas e apelidado o Justo, e também Matias.
24. Em seguida fizeram esta oração: "Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos qual destes dois tu escolheste
25. para ocupar, no serviço do apostolado, o lugar que Judas abandonou para seguir o seu destino."
26. Então tiraram a sorte entre os dois. E a sorte caiu em Matias, que foi juntado ao número dos onze apóstolos.

[Atos 2]
Atos 2

O ESPÍRITO GERA A IGREJA
1. Quando chegou o dia de Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo lugar.
2. De repente, veio do céu um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se encontravam.
3. Apareceram então umas como línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um deles.
4. Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
5. Acontece que em Jerusalém moravam judeus devotos de todas as nações do mundo.
6. Quando ouviram o barulho, todos se reuniram e ficaram confusos, pois cada um ouvia, na sua própria língua, os discípulos falarem.
7. Espantados e surpresos, diziam: "Esses homens que estão falando, não são todos galileus?
8. Como é que cada um de nós os ouve em sua própria língua materna?
9. Entre nós há partos, medos e elamitas; gente da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia,
10. da Frígia e da Panfília, do Egito e da região da Líbia vizinha de Cirene; alguns de nós vieram de Roma,
11. outros são judeus ou pagãos convertidos; também há cretenses e árabes. E cada um de nós em sua própria língua os ouve anunciar as maravilhas de Deus!"
12. Todos estavam admirados e perplexos, e cada um perguntava a outro: "O que quer dizer isso?"
13. Outros caçoavam e diziam: "Eles estão embriagados com vinho doce."

O ANÚNCIO FUNDAMENTAL
14. Então Pedro, que aí estava com os outros onze apóstolos, levantou-se e falou em voz alta: "Homens da Judéia e todos vocês que se encontram em Jerusalém! Compreendam o que está acontecendo e prestem atenção nas minhas palavras:
15. estes homens não estão embriagados como vocês pensam, pois são apenas nove horas da manhã.
16. Pelo contrário, está acontecendo aquilo que o profeta Joel anunciou:
17. 'Nos últimos dias, diz o Senhor, eu derramarei o meu Espírito sobre todas as pessoas. Os filhos e filhas de vocês vão profetizar, os jovens terão visões e os anciãos terão sonhos.
18. E, naqueles dias, derramarei o meu Espírito também sobre meus servos e servas, e eles profetizarão.
19. Farei prodígios no alto do céu, e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e nuvens de fumaça.
20. O sol se transformará em trevas, e a lua em sangue, antes que chegue o dia do Senhor, dia grande e glorioso.
21. E todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.'
22. Homens de Israel, escutem estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem que Deus confirmou entre vocês, realizando por meio dele os milagres, prodígios e sinais que vocês bem conhecem.
23. E Deus, com sua vontade e presciência, permitiu que Jesus lhes fosse entregue, e vocês, através de ímpios, o mataram, pregando-o numa cruz.
24. Deus, porém, ressuscitou Jesus, libertando-o das cadeias da morte, porque não era possível que ela o dominasse.
25. De fato, Davi assim falou a respeito de Jesus: 'Eu via sempre o Senhor diante de mim, porque ele está à minha direita, para que eu não vacile.
26. Por isso, meu coração se alegra, minha língua exulta e minha carne repousa com esperança.
27. Porque não me abandonarás na região dos mortos, nem permitirás que o teu santo conheça a corrupção.
28. Tu me ensinaste os caminhos da vida, e me encherás de alegria na tua presença.'
29. Irmãos, quanto ao patriarca Davi, permitam que eu lhes diga com franqueza: ele morreu, foi sepultado e seu túmulo está entre nós até hoje.
30. Mas, ele era profeta, e sabia que Deus lhe havia jurado solenemente fazer com que um descendente seu lhe sucedesse no trono.
31. Por isso, previu a ressurreição de Cristo e falou: 'ele não foi abandonado na região dos mortos, e a sua carne não conheceu a corrupção.'
32. Deus ressuscitou a este Jesus. E nós todos somos testemunhas disso.
33. Ele foi exaltado à direita de Deus, recebeu do Pai o Espírito prometido e o derramou: é o que vocês estão vendo e ouvindo.
34. De fato, Davi não subiu ao céu, mas falou: 'O Senhor disse ao meu Senhor: sente-se à minha direita,
35. até que eu faça de seus inimigos um lugar para apoiar seus pés.'
36. Que todo o povo de Israel fique sabendo com certeza que Deus tornou Senhor e Cristo aquele Jesus que vocês crucificaram."

O ANÚNCIO SUSCITA CONVERSÃO
37. Quando ouviram isso, todos ficaram de coração aflito e perguntaram a Pedro e aos outros discípulos: "Irmãos, o que devemos fazer?"
38. Pedro respondeu: "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados; depois vocês receberão do Pai o dom do Espírito Santo.
39. Pois a promessa é em favor de vocês e de seus filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar."
40. Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho e exortava, dizendo: "Salvem-se dessa gente corrompida."
41. Os que acolheram a palavra de Pedro receberam o batismo. E nesse dia uniram-se a eles cerca de três mil pessoas.

PRIMEIRO RETRATO DA COMUNIDADE
42. Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações.
43. Em todos eles havia temor, por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam.
44. Todos os que abraçaram a fé eram unidos e colocavam em comum todas as coisas;
45. vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um.
46. Diariamente, todos juntos freqüentavam o Templo e nas casas partiam o pão, tomando alimento com alegria e simplicidade de coração.
47. Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E a cada dia o Senhor acrescentava à comunidade outras pessoas que iam aceitando a salvação.

[Atos 3]
CONFRONTO COM AS AUTORIDADES DE ISRAEL

Atos 3

O NOME DE JESUS LIBERTA
1. Pedro e João iam subindo ao Templo para a oração das três horas da tarde,
2. quando viram trazer um homem, coxo de nascença. Costumavam colocá-lo todos os dias na porta do Templo chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam no Templo.
3. Quando viu Pedro e João entrando no Templo, o homem pediu uma esmola.
4. Pedro e João olharam bem para o homem. E Pedro disse: "Olhe para nós."
5. O homem olhou os dois com atenção, esperando receber alguma coisa.
6. Então Pedro disse: "Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu lhe dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareu, levante-se e comece a andar!"
7. Depois Pedro pegou a mão direita do homem e o ajudou a se levantar. Na mesma hora, os pés e tornozelos do homem ficaram firmes.
8. Então ele deu um pulo, ficou de pé e começou a andar. E entrou no Templo junto com Pedro e João, andando, pulando e louvando a Deus.
9. O povo todo viu o homem andando e louvando a Deus.
10. Reconheceram que era ele quem ficava pedindo esmolas na porta Formosa do Templo. E ficaram admirados e espantados com o que havia acontecido a ele.

DEUS AGE ATRAVÉS DO NOME DE JESUS
11. O homem curado não deixava mais Pedro e João. E todo o povo assombrado, foi correndo ao chamado "Pórtico de Salomão."
12. Ao ver isso, Pedro se dirigiu ao povo: "Israelitas, por que vocês se espantam com o que aconteceu? Por que ficam olhando para nós, como se tivéssemos feito esse homem andar com o nosso próprio poder ou piedade?
13. O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, o Deus de nossos antepassados glorificou o seu servo Jesus. Vocês o entregaram e o rejeitaram diante de Pilatos, que estava decidido a soltá-lo.
14. Vocês, porém, renegaram o Santo e o Justo, e pediram clemência para um assassino.
15. Vocês mataram o Autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos. E disso nós somos testemunhas.
16. Graças à fé no nome de Jesus, esse Nome acaba de fortalecer este homem que vocês vêem e reconhecem. A fé em Jesus deu saúde perfeita a esse homem que está na presença de todos vocês.
17. Apesar disso, meus irmãos, eu sei que vocês agiram por ignorância, assim como os chefes de vocês.
18. Deus, porém, cumpriu desse modo o que havia anunciado através de todos os profetas: que o seu Messias haveria de sofrer.
19. Portanto, arrependam-se e convertam-se para que os pecados de vocês sejam perdoados.
20. Assim vocês poderão alcançar o tempo do repouso que vem do Senhor. E ele enviará Jesus, o Messias que havia destinado para vocês.
21. No entanto, é necessário que o céu o receba, até que se cumpra o tempo da restauração de todas as coisas, conforme disse Deus nos tempos passados pela boca de seus santos profetas.
22. De fato, Moisés afirmou: 'O Senhor Deus fará surgir, entre os irmãos de vocês, um profeta como eu. Escutem tudo o que ele disser a vocês.
23. Quem não der ouvidos a esse profeta será eliminado do meio do povo.'
24. E todos os profetas que falaram desde Samuel e seus sucessores, também eles anunciaram estes dias.
25. Vocês são filhos dos profetas e dos homens com quem Deus fez a Aliança, quando disse a Abraão: 'Através da sua descendência, serão abençoadas todas as famílias da terra.'
26. Após ter ressuscitado o seu servo, Deus o enviou em primeiro lugar a vocês, para os abençoar e para que cada um se converta de suas maldades."

[Atos 4]
Atos 4

AS AUTORIDADES PROCURAM REPRIMIR O TESTEMUNHO
1. Pedro e João ainda estavam falando ao povo, quando chegaram os sacerdotes, o chefe da guarda do Templo e os saduceus.
2. Estavam irritados porque os apóstolos ensinavam o povo e anunciavam que a ressurreição dos mortos tinha acontecido em Jesus.
3. Prenderam Pedro e João e os colocaram na prisão até o dia seguinte, porque já estava anoitecendo.
4. Todavia, muitos daqueles que tinham ouvido o discurso acreditaram. E o número dos homens chegou a uns cinco mil.
5. No dia seguinte se reuniram em Jerusalém os chefes, os anciãos e os doutores da Lei.
6. Aí estava o sumo sacerdote Anás e também Caifás, João Alexandre e todos os que pertenciam às famílias dos chefes dos sacerdotes.
7. Fizeram Pedro e João comparecer diante deles e os interrogavam: "Com que poder, ou em nome de quem, vocês fizeram isso?"
8. Então Pedro, cheio do Espírito Santo, falou para eles: "Chefes do povo e anciãos!
9. Hoje estamos sendo interrogados em julgamento porque fizemos o bem a um enfermo e pelo modo com que ele foi curado.
10. Pois fiquem sabendo todos vocês, e também todo o povo de Israel: é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, - aquele que vocês crucificaram e que Deus ressuscitou dos mortos, - é pelo seu nome, e por nenhum outro, que este homem está curado diante de vocês.
11. Jesus é a pedra que vocês, construtores, rejeitaram, que se tornou a pedra angular.
12. Não existe salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não existe outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos."
13. Eles ficaram admirados ao ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução. Reconheceram que eles eram companheiros de Jesus.
14. No entanto, viam em pé, junto a eles, o homem que tinha sido curado. E não podiam dizer nada em contrário.
15. Mandaram que saíssem para fora do Sinédrio, e começaram a discutir entre si:
16. "O que vamos fazer com esses homens? Eles realizaram um milagre claríssimo, e o fato se tornou de tal modo conhecido por todos os habitantes de Jerusalém, que não podemos negar.
17. Contudo, a fim de que a coisa não se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los, para que não falem mais a ninguém a respeito do nome de Jesus."
18. Chamaram de novo Pedro e João e lhes ordenaram que de modo algum falassem ou ensinassem em nome de Jesus.
19. Pedro e João responderam: "Julguem vocês mesmos se é justo diante de Deus que obedeçamos a vocês e não a ele!
20. Quanto a nós, não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos."
21. Então, insistindo em suas ameaças, deixaram Pedro e João em liberdade, já que não tinham meio de castigá-los, por causa do povo. Pois todos glorificavam a Deus pelo que tinha acontecido.
22. De fato, o homem que tinha sido milagrosamente curado tinha mais de quarenta anos.

FORÇA PARA O TESTEMUNHO
23. Logo que foram postos em liberdade, Pedro e João voltaram para junto dos irmãos e contaram tudo o que os chefes dos sacerdotes e os anciãos haviam dito.
24. Ao ouvir o relato, todos elevaram a voz a Deus, dizendo: "Senhor, tu criaste o céu, a terra, o mar e tudo que existe neles.
25. Por meio do Espírito Santo disseste através do teu servo Davi, nosso pai: 'Por que se amotinam as nações, e os povos planejam em vão?
26. Os reis da terra se insurgem e os príncipes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu Messias.'
27. Foi o que aconteceu nesta cidade: Herodes e Pôncio Pilatos se uniram com os pagãos e os povos de Israel contra Jesus, teu santo servo, a quem ungiste,
28. a fim de executarem tudo o que a tua mão e a tua vontade tinham predeterminado que sucedesse.
29. Agora, Senhor, olha as ameaças que fazem e concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra.
30. Estende a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo servo Jesus."
31. Quando terminaram a oração, estremeceu o lugar em que estavam reunidos. Todos, então, ficaram cheios do Espírito Santo e, com coragem, anunciavam a palavra de Deus.

SEGUNDO RETRATO DA COMUNIDADE
32. A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava propriedade particular as coisas que possuía, mas tudo era posto em comum entre eles.
33. Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E todos eles gozavam de grande aceitação.
34. Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro
35. e o colocavam aos pés dos apóstolos; depois, ele era distribuído a cada um conforme a sua necessidade.
36. Foi assim que procedeu José, levita nascido em Chipre, apelidado pelos apóstolos com o nome de Barnabé, que significa "filho da exortação".
37. Ele vendeu o campo que possuía, trouxe o dinheiro e o colocou aos pés dos apóstolos.

[Atos 5]
Atos 5

A COMUNIDADE É SACRAMENTO DO ESPÍRITO
1. Um homem chamado Ananias fez um acordo com sua esposa Safira: vendeu uma propriedade que possuía,
2. reteve uma parte do dinheiro para si e entregou a outra parte, colocando-a aos pés dos apóstolos.
3. E Pedro lhe perguntou: "Ananias, por que você deixou Satanás tomar posse do seu coração? Por que você está mentindo para o Espírito Santo, conservando uma parte do preço do terreno?
4. Você não podia conservá-lo para si sem vendê-lo? E mesmo que o vendesse, você não podia ficar com todo o dinheiro? Então, por que fez isso? Você não mentiu para os homens, mas para Deus".
5. Ao ouvir isso, Ananias caiu no chão e morreu. E grande temor se apoderou de todos os que estavam ouvindo.
6. Os mais jovens se levantaram, enrolaram o corpo de Ananias num lençol e o levaram para enterrar.
7. Umas três horas mais tarde, chegou a esposa de Ananias, sem saber o que havia acontecido.
8. Pedro lhe perguntou: "É verdade que vocês venderam o terreno por esse preço?" Ela respondeu: "Sim, foi por esse preço".
9. Então Pedro disse: 'Por que vocês fizeram acordo para tentar o Espírito do Senhor? Veja! Os que foram enterrar seu marido estão chegando. Eles vão levar você também!"
10. No mesmo instante, Safira caiu aos pés de Pedro e morreu. Quando os jovens entraram, a encontraram morta e a levaram para enterrar junto do marido.
11. E grande temor se espalhou por toda a Igreja e entre todos aqueles que ouviram falar do que havia acontecido.

TERCEIRO RETRATO DA COMUNIDADE
12. Muitos sinais e prodígios eram realizados entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E todos os fiéis se reuniam em grupo no Pórtico de Salomão.
13. Os outros não se atreviam a juntar-se a eles, mas o povo os elogiava muito.
14. Uma multidão cada vez maior de homens e mulheres aderia ao Senhor, pela fé.
15. Chegaram ao ponto de transportar doentes para as praças, em esteiras e camas, para que Pedro, ao passar, pelo menos a sua sombra cobrisse alguns deles.
16. A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e pessoas tomadas por espíritos maus. E todos eram curados.

NINGUÉM APRISIONA A MENSAGEM DE VIDA
17. Então o sumo sacerdote, com todo o seu partido - isto é, o partido dos saduceus, - ficaram cheios de raiva,
18. e mandaram prender os apóstolos e jogá-los na cadeia pública.
19. Durante a noite, porém, o anjo do Senhor abriu as portas da prisão e os fez sair, dizendo:
20. "Vão ao Templo e lá continuem a anunciar ao povo toda a mensagem da vida."
21. Eles obedeceram e, ao amanhecer, entraram no Templo e começaram a ensinar.

OBEDECER A DEUS E NÃO AOS HOMENS O sumo sacerdote chegou com os seus partidários e convocou o Sinédrio, isto é, o Conselho das pessoas importantes do povo de Israel. Então mandaram buscar os apóstolos na prisão.
22. Os servos, ao chegarem à prisão, não os encontraram, e voltaram dizendo:
23. "Encontramos a prisão cuidadosamente fechada e os guardas estavam a postos na frente da porta. Mas, quando abrimos a porta, não encontramos ninguém lá dentro."
24. Ao ouvir essa notícia, o chefe da guarda do Templo e os chefes dos sacerdotes não sabiam o que pensar e se perguntavam o que poderia ter acontecido.
25. Chegou alguém que disse para eles: "Os homens que vocês colocaram na prisão estão no Templo ensinando o povo!"
26. Então o chefe da guarda do Templo saiu com os guardas e trouxe os apóstolos, mas sem violência, porque eles tinham medo que o povo os atacasse com pedras.
27. Levaram os apóstolos e os apresentaram ao Sinédrio. O sumo sacerdote disse:
28. "Nós tínhamos proibido expressamente ensinar em nome de Jesus e, no entanto, vocês encheram Jerusalém com a doutrina de vocês. E querem nos tornar responsáveis pela morte desse homem!"
29. Então Pedro e os outros apóstolos responderam: "É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens.
30. O Deus de nossos antepassados ressuscitou a Jesus, que vocês mataram, suspendendo-o numa cruz.
31. Mas Deus com a sua direita o exaltou, tornando-o Chefe supremo e Salvador, para dar ao povo a oportunidade de se arrepender e receber o perdão dos pecados.
32. E nós somos testemunhas dessas coisas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem."
33. Enfurecidos por essas palavras, os conselheiros estavam decididos a matar os apóstolos.

DE ONDE VEM ESSE PROJETO?
34. Levantou-se, então, no Sinédrio, um fariseu chamado Gamaliel. Era doutor da Lei, e todo o povo o estimava. Gamaliel mandou que os acusados saíssem por um instante.
35. Depois disse: "Homens de Israel, vejam bem o que estão para fazer contra esses homens.
36. Algum tempo atrás apareceu Teudas, que se fazia passar por uma pessoa importante, e a ele se juntaram cerca de quatrocentos homens. Depois ele foi morto e todos os que o seguiam debandaram e nada mais restou.
37. Depois dele, no tempo do recenseamento, apareceu Judas, o galileu, que arrastou o povo atrás de si. Contudo, também ele acabou mal, e todos os seus seguidores se dispersaram.
38. Quanto ao que está acontecendo agora, dou-lhes um conselho: não se preocupem com esses homens, e os soltem. Porque, se o projeto ou atividade deles é de origem humana, será destruído;
39. mas, se vem de Deus, vocês não conseguirão aniquilá-los. Cuidado para não se meterem contra Deus!" Os participantes do Sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel.
40. Chamaram os apóstolos, mandaram açoitá-los, proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram.
41. Os apóstolos saíram do Conselho muito contentes por terem merecido sofrer insultos por causa do nome de Jesus.
42. E cada dia, no Templo e pelas casas, não paravam de ensinar e anunciar a Boa Notícia de Jesus Messias.

[Atos 6]
PERSEGUIÇÃO E DIFUSÃO

Atos 6

NOVOS MINISTÉRIOS
1. Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se contra os fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário.
2. Então os Doze convocaram uma assembléia geral dos discípulos, e disseram: "Não está certo que nós deixemos a pregação da palavra de Deus para servir às mesas.
3. Irmãos, é melhor que escolham entre vocês sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa.
4. Desse modo, nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra."
5. A proposta agradou a toda a assembléia. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas, e Nicolau de Antioquia, um pagão que seguia a religião dos judeus.
6. Todos estes foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles.
7. Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e um grande número de sacerdotes judeus obedecia à fé cristã.

AUDÁCIA DO TESTEMUNHO
8. Cheio de graça e poder, Estêvão fazia grandes prodígios e sinais entre o povo.
9. No entanto, alguns membros da sinagoga dos Libertos, junto com cirenenses e alexandrinos, e alguns da Cilícia e da Ásia começaram a discutir com Estêvão.
10. Mas não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que Estêvão falava.
11. Então subornaram alguns indivíduos que disseram: "Ouvimos este homem dizendo coisas blasfemas contra Moisés e contra Deus."
12. Desse modo, incitaram o povo e os anciãos. Os doutores da Lei prenderam Estêvão e o conduziram ao Sinédrio.
13. Aí apresentaram falsas testemunhas que diziam: "Este homem não pára de falar contra este lugar santo e contra a Lei.
14. De fato, nós o ouvimos afirmar que Jesus, o Nazareu, destruirá este lugar e subverterá os costumes que Moisés nos transmitiu."
15. Todos os que estavam sentados no Sinédrio tinham os olhos fixos sobre Estêvão e viram o seu rosto como o rosto de um anjo.

[Atos 7]
Atos 7

DEUS CAMINHA COM O POVO
1. Então o sumo sacerdote perguntou a Estêvão: "É verdade o que estão falando?"
2. Estêvão respondeu: "Irmãos e pais, escutem. O Deus da glória apareceu ao nosso pai Abraão quando ele ainda estava na Mesopotâmia, antes que ele habitasse em Harã.
3. E lhe disse: 'Saia da sua terra e da sua família e vá para a terra que eu vou lhe mostrar.'
4. Abraão saiu, então, da terra dos caldeus e se estabeleceu em Harã. E depois da morte do pai, Deus o fez emigrar daí para esta terra onde agora vocês moram.
5. Deus não deu a ele nenhuma propriedade nesta terra, nem mesmo o espaço para ele pousar o pé. Mas prometeu dá-la como posse para ele e para a sua descendência, embora Abraão não tivesse filhos.
6. Deus falou assim: 'A descendência de Abraão será forasteira em terra estrangeira, será escravizada e maltratada durante quatrocentos anos.
7. Mas eu pedirei contas à nação da qual eles serão escravos. Depois disso, sairão livres e me prestarão culto neste lugar.'
8. Depois Deus concedeu a Abraão a aliança da circuncisão. Desse modo, Abraão gerou Isaac e o circuncidou no oitavo dia; Isaac gerou Jacó; e Jacó gerou os doze patriarcas.
9. Os patriarcas, porém, por inveja venderam José como escravo para o Egito. Mas Deus estava com ele
10. e o libertou de todas as aflições, e lhe concedeu graça e sabedoria diante do Faraó, rei do Egito. Este o nomeou administrador do Egito e de toda a sua casa.
11. Sobreveio então uma carestia em todo o Egito e em Canaã; a miséria era grande e nossos pais não encontravam o que comer.
12. Sabendo que no Egito havia mantimentos, Jacó enviou para lá nossos pais uma primeira vez.
13. Na segunda vez, José deu-se a conhecer aos seus irmãos. E o Faraó ficou sabendo de que raça era José.
14. Então José mandou chamar seu pai Jacó e toda a sua família, ao todo setenta e cinco pessoas.
15. Jacó desceu para o Egito e aí morreu, como também nossos pais.
16. E eles foram transportados para Siquém e colocados no sepulcro que Abraão tinha comprado em Siquém, a preço de prata, dos filhos de Hemor.
17. Quando se aproximava o tempo de se realizar a promessa que Deus tinha feito a Abraão, o povo cresceu e se multiplicou no Egito,
18. até que no Egito surgiu outro rei que não tinha conhecido José.
19. Esse rei, agindo com astúcia contra a nossa raça, perseguiu nossos pais e os obrigou a abandonar os filhos recém-nascidos, para que não sobrevivessem.
20. Nesse tempo, nasceu Moisés, que era belo aos olhos de Deus. Durante três meses Moisés foi criado na casa de seu pai.
21. Depois, quando foi abandonado, a filha do Faraó o recolheu e o criou como seu próprio filho.
22. Assim Moisés foi iniciado em toda a sabedoria dos egípcios e era poderoso no falar e no agir.
23. Quando completou quarenta anos, Moisés desejou visitar seus irmãos israelitas.
24. Vendo que um deles era maltratado, tomou sua defesa e para vingá-lo matou o egípcio.
25. Ele acreditava que seus irmãos iriam compreender que Deus, por meio dele, os libertaria; mas não compreenderam.
26. No dia seguinte, Moisés se apresentou entre seus irmãos que brigavam e procurava reconciliá-los, dizendo: 'Vocês são irmãos. Por que estão prejudicando um ao outro?'
27. Nesse momento, aquele que estava maltratando o companheiro contestou: 'Quem o nomeou chefe ou juiz sobre nós?
28. Por acaso você quer me matar como fez ontem com o egípcio?'
29. Ouvindo isso, Moisés fugiu e foi morar na região de Madiã, onde teve dois filhos.
30. Quarenta anos depois, apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo na chama de uma sarça que ardia.
31. Moisés ficou admirado ao ver a aparição. Queria aproximar-se para ver melhor, quando então se ouviu a voz do Senhor:
32. 'Eu sou o Deus de seus pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó'. Moisés tremia e não ousava levantar os olhos.
33. Então o Senhor lhe disse: 'Tire as sandálias dos pés, porque o lugar onde você está é terra santa.
34. Eu vi a miséria do meu povo no Egito. Ouvi o gemido deles e desci para o libertar. Agora venha, pois eu quero mandar você ao Egito.'
35. Assim, aquele Moisés que os israelitas haviam renegado, dizendo: 'Quem o nomeou chefe e juiz?', Deus o enviou como chefe e libertador, por meio do anjo que tinha aparecido a ele na sarça.
36. Foi ele que os fez sair do Egito, realizando sinais e prodígios no Egito, no mar Vermelho e durante quarenta anos no deserto.
37. Esse é o Moisés que disse aos israelitas: 'Deus suscitará entre os irmãos de vocês um profeta como eu.'
38. Foi ele, na assembléia do deserto, quem serviu de intermediário entre o anjo que lhe falava no monte Sinai e os nossos pais. Ele recebeu as palavras de vida, para transmiti-las a nós.
39. Nossos pais, porém, não quiseram dar-lhe ouvidos. Ao contrário, o rejeitaram e, no seu desejo, voltaram ao Egito,
40. dizendo a Aarão: 'Faça para nós deuses que nos guiem, porque não sabemos o que aconteceu com esse Moisés que nos tirou do Egito.'
41. Naqueles dias, construíram um bezerro, ofereceram um sacrifício ao ídolo e celebraram a obra de suas próprias mãos.
42. Então Deus se afastou deles e deixou que adorassem os astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: 'Por acaso, vocês me ofereceram vítimas e sacrifícios durante quarenta anos no deserto, ó casa de Israel?
43. Pelo contrário, vocês carregaram a tenda de Moloc e a estrela do deus Refã, imagens que vocês mesmos fabricaram para adorar. Por isso eu os deportarei para além de Babilônia'.
44. Nossos pais no deserto tinham a Tenda da presença de Deus. E Deus, que falava com Moisés, mandou que ele a construísse de acordo com o modelo que tinha visto.
45. Nossos pais receberam a Tenda e, sob a direção de Josué, a levaram para a terra das nações que Deus expulsou diante de nossos pais. E a Tenda ficou ali até o tempo de Davi.
46. E Davi encontrou graça diante de Deus e lhe pediu permissão para construir uma casa para o Deus de Jacó.
47. No entanto, foi Salomão quem construiu a casa.
48. O Altíssimo, porém, não mora em casa feita por mãos humanas, conforme diz o profeta:
49. 'O céu é o meu trono, e a terra é o lugar onde apóio os meus pés. Que casa vocês construirão para mim?, diz o Senhor; e qual será o lugar do meu descanso?
50. Não foi minha mão que fez todas essas coisas?'
51. Homens teimosos, insensíveis e fechados à vontade de Deus! Vocês sempre resistiram ao Espírito Santo. Vocês são como foram seus pais!
52. A qual dos profetas os pais de vocês não perseguiram? Eles mataram aqueles que anunciavam a vinda do Justo, do qual agora vocês se tornaram traidores e assassinos.
53. Vocês receberam a Lei, promulgada através dos anjos, e não a observaram!"

O DISCÍPULO NÃO ESTÁ ACIMA DO MESTRE
54. Ao ouvir essas palavras, eles ficaram enfurecidos e rangeram os dentes contra Estêvão.
55. Repleto do Espírito Santo, Estêvão olhou para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus, de pé, à direita de Deus.
56. Então disse: "Estou vendo o céu aberto e o Filho do Homem, de pé à direita de Deus."
57. Então eles deram fortes gritos, taparam os ouvidos e avançaram todos juntos contra Estêvão.
58. Arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas deixaram seus mantos aos pés de um jovem chamado Saulo.
59. Atiravam pedras em Estêvão, que repetia esta invocação: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito."
60. Depois dobrou os joelhos e gritou forte: "Senhor, não os condenes por este pecado." E, ao dizer isso, adormeceu.

[Atos 8]
Atos 8

A PERSEGUIÇÃO
1. Saulo era um daqueles que aprovavam a morte de Estêvão. Naquele dia, desencadeou-se uma grande perseguição contra a igreja de Jerusalém. E todos, fora os apóstolos, se espalharam pelas regiões da Judéia e da Samaria.
2. Algumas pessoas piedosas sepultaram Estêvão e fizeram um grande luto por causa dele.
3. Saulo, porém, devastava a Igreja: entrava nas casas e arrastava para fora homens e mulheres, para colocá-los na prisão.
4. E aqueles que se dispersaram iam de um lugar para outro, anunciando a Palavra.

ALEGRIA PELA BOA NOTÍCIA
5. Filipe desceu a uma cidade da região de Samaria e aí começou a anunciar Cristo.
6. As multidões seguiam com atenção tudo o que Filipe dizia, e todos em peso o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia.
7. Dando grandes gritos, os espíritos maus saíam de muitos endemoninhados. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados.
8. E a cidade se encheu de alegria.

NÃO COMERCIALIZAR O DOM DE DEUS
9. Na mesma cidade, havia um homem chamado Simão, que desde algum tempo praticava a magia. Ele impressionava o povo da Samaria, fazendo-se passar como uma pessoa importante.
10. Todos, pequenos e grandes, aderiam a Simão, dizendo: "Este homem é o poder de Deus, que é chamado Grande."
11. Aderiam a ele, porque há longo tempo Simão os deixava impressionados com suas artes mágicas.
12. Quando começaram a acreditar em Filipe, que anunciava a Boa Notícia do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, tanto os homens como as mulheres se apresentavam para o batismo.
13. Simão também aderiu à fé e, depois de batizado, não se separava de Filipe. Simão ficou muito impressionado ao ver os sinais e os grandes prodígios que aconteciam.
14. Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a Palavra de Deus, e enviaram para lá Pedro e João.
15. Ao chegarem, Pedro e João rezaram pelos samaritanos, a fim de que eles recebessem o Espírito Santo.
16. De fato, o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles; e os samaritanos tinham apenas recebido o batismo em nome do Senhor Jesus.
17. Então Pedro e João impuseram as mãos sobre os samaritanos, e eles receberam o Espírito Santo.
18. Simão viu que o Espírito Santo era comunicado através da imposição das mãos. Então ofereceu dinheiro a Pedro e João, dizendo:
19. "Dêem para mim também esse poder, a fim de que receba o Espírito todo aquele sobre o qual eu impuser as mãos."
20. Mas Pedro respondeu: "Pereça você junto com o seu dinheiro, pois você pensou que podia comprar com dinheiro aquilo que é dom de Deus.
21. De nenhum modo você pode participar dessa realidade espiritual, porque a sua consciência não é correta diante de Deus.
22. Arrependa-se dessa maldade e suplique que o Senhor perdoe essa má intenção que você teve,
23. pois vejo que você está envolvido pela injustiça, como de fel amargo."
24. Simão respondeu: "Supliquem por mim ao Senhor, para que não me aconteça nada do que vocês falaram."
25. Depois de ter testemunhado e anunciado a palavra do Senhor, Pedro e João voltaram para Jerusalém, levando a Boa Notícia a muitos povoados da Samaria.

A INICIAÇÃO CRISTÃ
26. Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: "Prepare-se e vá para o sul, pelo caminho que desce de Jerusalém para Gaza; é o caminho que se acha no deserto." Filipe levantou-se e foi.
27. Nisso apareceu um eunuco etíope, ministro de Candace, rainha da Etiópia. Ele era administrador geral do tesouro dela. Tinha ido a Jerusalém em peregrinação,
28. e estava voltando para casa. Ia sentado em seu carro, lendo o profeta Isaías.
29. Então o Espírito disse a Filipe: "Aproxime-se desse carro e o acompanhe."
30. Filipe correu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías, e perguntou: "Você entende o que está lendo?"
31. O eunuco respondeu: "Como posso entender, se ninguém me explica?" Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele.
32. A passagem da Escritura que o eunuco estava lendo era esta: "Ele foi levado como ovelha ao matadouro. E como um cordeiro perante o seu tosquiador, ele ficava mudo e não abria a boca.
33. Eles o humilharam e lhe negaram a justiça. Quem poderá contar seus seguidores? Porque eles o arrancaram da terra dos vivos."
34. Então o eunuco disse a Filipe: "Por favor me explique: de quem o profeta está dizendo isso? Ele fala de si mesmo, ou se refere a outra pessoa?"
35. Então Filipe foi explicando. E, tomando essa passagem da Escritura como ponto de partida, anunciou Jesus ao eunuco.
36. Continuando o caminho, chegaram a um lugar onde havia água. Então o eunuco disse a Filipe: "Aqui existe água. O que impede que eu seja batizado?"
37. Filipe lhe disse: "É possível, se você acredita de todo o coração." O eunuco respondeu: "Eu acredito que Jesus Cristo é o Filho de Deus!"
38. Então o eunuco mandou parar o carro. Os dois desceram junto às águas, e Filipe batizou o eunuco.
39. Quando saíram da água, o Espírito arrebatou Filipe, e o eunuco não o viu mais. Então prosseguiu sua viagem, cheio de alegria.
40. E Filipe foi parar em Azoto; e, passando adiante, evangelizava todas as cidades, até chegar a Cesaréia.

[Atos 9]
Atos 9

DE PERSEGUIDOR A APÓSTOLO
1. Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Ele apresentou-se ao sumo sacerdote,
2. e lhe pediu cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos para Jerusalém todos os homens e mulheres que encontrasse seguindo o Caminho.
3. Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo se viu repentinamente cercado por uma luz que vinha do céu.
4. Caiu por terra, e ouviu uma voz que lhe dizia: "Saulo, Saulo, por que você me persegue?"
5. Saulo perguntou: "Quem és tu, Senhor?" A voz respondeu: "Eu sou Jesus, a quem você está perseguindo.
6. Agora, levante-se, entre na cidade, e aí dirão o que você deve fazer."
7. Os homens que acompanhavam Saulo ficaram cheios de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém.
8. Saulo se levantou do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então o pegaram pela mão e o levaram para Damasco.
9. E Saulo ficou três dias sem poder ver, e não comeu nem bebeu nada.
10. Em Damasco havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou numa visão: "Ananias!" E Ananias respondeu: "Aqui estou, Senhor!"
11. E o Senhor disse: "Prepare-se, e vá até a rua que se chama rua Direita e procure, na casa de Judas, um homem chamado Saulo, apelidado Saulo de Tarso. Ele está rezando
12. e acaba de ter uma visão. De fato, ele viu um homem chamado Ananias impondo-lhe as mãos para que recuperasse a vista."
13. Ananias respondeu: "Senhor, já ouvi muita gente falar desse homem e do mal que ele fez aos teus fiéis em Jerusalém.
14. E aqui em Damasco ele tem plenos poderes, que recebeu dos chefes dos sacerdotes, para prender todos os que invocam o teu nome."
15. Mas o Senhor disse a Ananias: "Vá, porque esse homem é um instrumento que eu escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel.
16. Eu vou mostrar a Saulo quanto ele deve sofrer por causa do meu nome."
17. Então Ananias saiu, entrou na casa e impôs as mãos sobre Saulo, dizendo: "Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que lhe apareceu quando você vinha pelo caminho, me mandou aqui para que você recupere a vista e fique cheio do Espírito Santo."
18. Imediatamente caiu dos olhos de Saulo alguma coisa parecida com escamas, e ele recuperou a vista. Em seguida Saulo se levantou e foi batizado.
19. Logo depois comeu e ficou forte como antes.

DE PERSEGUIDOR A PERSEGUIDO Saulo passou então alguns dias com os discípulos em Damasco.
20. E logo começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus é o Filho de Deus.
21. Os ouvintes ficavam impressionados e comentavam: "Não é este o homem que descarregava em Jerusalém a sua fúria contra os que invocam o nome de Jesus? E não é ele que veio aqui justamente para os prender e levar aos chefes dos sacerdotes?"
22. No entanto, Saulo se fortalecia cada vez mais e deixava confusos os judeus que moravam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Messias.
23. Passado algum tempo, os judeus fizeram uma trama para matar Saulo,
24. mas seus planos chegaram ao conhecimento de Saulo. Os judeus montavam guarda dia e noite também junto às portas da cidade, a fim de o eliminar.
25. Os discípulos dele, porém, o tomaram de noite e o fizeram descer pela muralha, dentro de um cesto.

O TESTEMUNHO PROVOCA SOLIDARIEDADE
26. Saulo chegou a Jerusalém, e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos tinham medo dele, pois não acreditavam que ele fosse discípulo.
27. Então Barnabé tomou Saulo consigo, o apresentou aos apóstolos, e lhes contou como Saulo no caminho tinha visto o Senhor, como o Senhor lhe havia falado, e como ele havia pregado corajosamente em nome de Jesus na cidade de Damasco.
28. Daí em diante Saulo ficou em Jerusalém com eles, e pregava corajosamente em nome do Senhor.
29. Saulo também falava e discutia com os judeus de língua grega, mas eles procuravam um jeito de o matar.
30. Quando souberam disso, os irmãos levaram Saulo para a cidade de Cesaréia, e daí o mandaram para a cidade de Tarso.

NOVO RETRATO DA IGREJA
31. E a Igreja vivia em paz em toda a Judéia, Galiléia e Samaria. Ela se edificava e progredia no temor do Senhor, e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo.

A AÇÃO LIBERTADORA DA IGREJA
32. Pedro, que percorria todos os lugares, visitou também os fiéis que moravam em Lida.
33. Aí encontrou um homem chamado Enéias, que estava paralítico e há oito anos jazia na cama.
34. Pedro lhe disse: "Enéias, Jesus Cristo está curando você! Levante-se e arrume a sua cama!" Imediatamente Enéias se levantou.
35. Todos os habitantes de Lida e da região do Saron viram isso e se converteram ao Senhor.
36. Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, nome que quer dizer Gazela. Ela praticava muitas obras boas e dava grandes esmolas.
37. Nesses dias, ela ficou doente e morreu. Então lavaram seu corpo e o colocaram no piso superior da casa.
38. Como Lida ficava perto de Jope, os discípulos, ouvindo dizer que Pedro estava lá, mandaram dois homens com um recado: "Venha sem demora até nós!"
39. Pedro partiu imediatamente com eles. Logo que chegou, os presentes o levaram ao piso superior, onde as viúvas foram ao seu encontro. Chorando, todas mostravam a Pedro as túnicas e mantos que Tabita havia feito quando vivia com elas.
40. Pedro mandou que todas saíssem; em seguida se pôs de joelhos e rezou. Depois, voltou-se para o corpo e disse: "Tabita, levante-se!" Ela então abriu os olhos, viu Pedro e sentou-se.
41. Pedro lhe deu a mão e ajudou para ela se levantar. Depois chamou os fiéis e as viúvas, e apresentou-lhes Tabita viva.
42. O fato ficou conhecido em toda a cidade de Jope, e muitos acreditaram no Senhor.
43. Pedro ficou vários dias em Jope, hospedado na casa de um curtidor de peles chamado Simão.

[Atos 10]
A IGREJA E OS PAGÃOS: O CONFLITO GERA O CONCÍLIO

Atos 10

QUEBRANDO BARREIRAS
1. Na cidade de Cesaréia morava um homem chamado Cornélio, centurião da coorte chamada Itálica.
2. Era piedoso e, junto com todos os da sua família, pertencia ao grupo dos tementes a Deus; dava muitas esmolas ao povo e orava sempre a Deus.
3. Certo dia, pelas três horas da tarde, Cornélio teve uma visão. Viu claramente que um anjo de Deus vinha ao seu encontro, chamando: "Cornélio!"
4. E Cornélio olhou para ele; e cheio de medo perguntou: "O que há, Senhor?" O anjo respondeu: "As orações e esmolas que você fez foram aceitas por Deus em seu favor.
5. Agora, mande alguns homens a Jope para que tragam certo Simão, também chamado Pedro.
6. Ele está hospedado na casa de um curtidor chamado Simão, que vive perto do mar."
7. Quando o anjo que lhe falava desapareceu, Cornélio chamou dois empregados e um soldado piedoso que estava a seu serviço.
8. Explicou-lhes tudo e os mandou a Jope.
9. No dia seguinte, enquanto eles estavam a caminho e se aproximavam da cidade, ao meio-dia Pedro subiu ao terraço para rezar.
10. Sentiu fome e quis comer; mas enquanto preparavam a comida, Pedro entrou em êxtase.
11. Viu o céu aberto e uma coisa que descia para a terra; parecia uma grande toalha sustentada pelas quatro pontas.
12. Dentro dela havia todo tipo de quadrúpedes, e também répteis da terra e aves do céu.
13. E uma voz lhe disse: "Levante-se, Pedro, mate e coma!"
14. Mas Pedro respondeu: "De modo nenhum, Senhor! Porque eu jamais comi coisa profana e impura!"
15. A voz lhe disse pela segunda vez: "Não chame de impuro o que Deus purificou."
16. Isso repetiu-se por três vezes. Depois a coisa foi recolhida ao céu.
17. Pedro ficou muito perplexo e interrogava a si mesmo o que podia significar a visão que acabava de ter. Nesse momento, os homens enviados por Cornélio perguntaram pela casa de Simão e se apresentaram à porta.
18. Eles chamaram e perguntaram se estava hospedado aí certo Simão, chamado Pedro.
19. E Pedro ainda estava pensando sobre a visão, quando o Espírito lhe disse: "Aí estão três homens que procuram por você.
20. Levante-se, desça e vá com eles sem hesitar, porque fui eu que os mandei."
21. Pedro desceu ao encontro dos homens e disse: "Sou eu mesmo que vocês estão procurando. Qual é o motivo que os traz aqui?"
22. Eles responderam: "O centurião Cornélio, homem justo e temente a Deus, estimado por todo o povo judeu, recebeu de um anjo santo a ordem de convidar você para ir à casa dele, a fim de escutar o que você tem a lhe dizer."
23. Pedro então os fez entrar e lhes deu hospedagem. No dia seguinte, Pedro partiu com eles e alguns irmãos de Jope o acompanharam.
24. E no outro dia chegou a Cesaréia.
25. Quando Pedro estava para entrar, Cornélio saiu-lhe ao encontro, caiu a seus pés e se ajoelhou diante dele.
26. Mas Pedro o levantou, dizendo: "Levante-se. Eu também sou apenas um homem."
27. Depois, continuando a conversar com Cornélio, entrou em casa. Encontrou muitas pessoas reunidas e disse:
28. "Vocês sabem que é proibido para um judeu relacionar-se com um estrangeiro ou entrar na casa dele. Deus, porém, mostrou-me que não se deve dizer que algum homem é profano ou impuro.
29. Por isso, sem hesitar eu vim logo que vocês me mandaram chamar. Agora pergunto: por qual motivo vocês me fizeram vir?"
30. Cornélio então respondeu: "Há quatro dias, nesta mesma hora, eu estava em casa recitando a oração das três horas da tarde, quando se apresentou diante de mim um homem com vestes resplandecentes
31. e me disse: 'Cornélio, sua oração foi ouvida e suas esmolas foram lembradas diante de Deus.
32. Por isso, mande procurar em Jope certo Simão, chamado Pedro. Ele está hospedado na casa do curtidor Simão, à beira-mar!'
33. Imediatamente mandei chamá-lo, e foi bom você vir. Agora, portanto, estamos todos aqui, na presença de Deus, prontos para ouvir o que o Senhor o encarregou de nos dizer."

A ESSÊNCIA DA CATEQUESE DE PEDRO
34. Pedro então começou a falar: "De fato, estou compreendendo que Deus não faz diferença entre as pessoas.
35. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, seja qual for a nação a que pertença.
36. Deus enviou sua palavra aos israelitas, e lhes anunciou a Boa Notícia da paz por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos.
37. Vocês sabem o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo pregado por João.
38. Eu me refiro a Jesus de Nazaré: Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder. E Jesus andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os que estavam dominados pelo diabo; porque Deus estava com Jesus.
39. E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles mataram a Jesus, suspendendo-o numa cruz.
40. Deus, porém, o ressuscitou no terceiro dia e lhe concedeu manifestar a sua presença,
41. não para todo o povo, mas para as testemunhas que Deus já havia escolhido: para nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ele ressuscitou dos mortos.
42. E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos.
43. Sobre ele todos os profetas dão o seguinte testemunho: todo aquele que acredita em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados."

O PENTECOSTES DOS PAGÃOS
44. Pedro ainda estava falando, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a Palavra.
45. Os fiéis de origem judaica, que tinham ido com Pedro, ficaram admirados de que o dom do Espírito Santo também fosse derramado sobre os pagãos.
46. De fato, eles os ouviam falar em línguas estranhas e louvar a grandeza de Deus. Então Pedro falou:
47. "Será que podemos negar a água do batismo a estas pessoas que receberam o Espírito Santo, da mesma forma que nós recebemos?"
48. Então Pedro mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Depois pediram que Pedro ficasse alguns dias com eles.

[Atos 11]
Atos 11

QUEM PODE SE OPOR A DEUS?
1. Os apóstolos e os irmãos que viviam na Judéia souberam que também os pagãos haviam acolhido a Palavra de Deus.
2. Quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis de origem judaica começaram a discutir com ele, dizendo:
3. "Você entrou na casa de incircuncisos e comeu com eles!"
4. Então Pedro começou a relatar-lhes, passo a passo, o que havia acontecido:
5. "Eu estava na cidade de Jope e, ao fazer oração, entrei em êxtase e tive a seguinte visão: vi uma coisa parecida com uma grande toalha que, sustentada pelas quatro pontas, descia do céu e chegava até mim.
6. Olhei atentamente e vi dentro dela quadrúpedes, animais selvagens, répteis da terra e aves do céu.
7. Depois ouvi uma voz que me dizia: 'Levante-se, Pedro, mate e coma'.
8. Eu respondi: 'De modo nenhum, Senhor! Porque jamais coisa profana e impura entrou na minha boca'.
9. A voz me disse pela segunda vez: 'Não chame de impuro o que Deus purificou'.
10. Isso repetiu-se por três vezes. Depois a coisa foi novamente levantada para o céu.
11. Nesse momento, três homens se apresentaram na casa em que nos encontrávamos. Tinham sido enviados de Cesaréia, à minha procura.
12. O Espírito me disse que eu fosse com eles sem hesitar. Os seis irmãos que estão aqui me acompanharam, e nós entramos na casa daquele homem.
13. Ele nos contou que tinha visto um anjo apresentar-se em sua casa e dizer: 'Mande alguém a Jope para fazer com que Simão, também chamado Pedro, venha até aqui.
14. Ele fará uma apresentação dos acontecimentos que vão trazer a salvação para você e para toda a sua família'.
15. Logo que comecei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, da mesma forma que desceu sobre nós no princípio.
16. Então eu me lembrei do que o Senhor havia dito: 'João batizou com água, mas vocês serão batizados no Espírito Santo'.
17. Deus concedeu a eles o mesmo dom que deu a nós por termos acreditado no Senhor Jesus Cristo. Quem seria eu para me opor à ação de Deus?"
18. Ao ouvir isso, os fiéis de origem judaica se acalmaram e glorificaram a Deus, dizendo: "Também aos pagãos Deus concedeu a conversão que leva para a vida!"

UMA NOVA IGREJA EM ANTIOQUIA
19. Aqueles que se haviam espalhado por causa da tribulação que se seguiu à morte de Estêvão, chegaram à Fenícia, à ilha de Chipre e à cidade de Antioquia, embora não pregassem a Palavra a ninguém que não fosse judeu.
20. Contudo, alguns deles, habitantes de Chipre e da cidade de Cirene, chegaram a Antioquia e começaram a pregar também para os gregos, anunciando-lhes a Boa Notícia do Senhor Jesus.
21. A mão do Senhor estava com eles, de modo que foi grande o número dos que acreditaram e se converteram ao Senhor.
22. A notícia chegou aos ouvidos da igreja de Jerusalém, e esta enviou Barnabé para Antioquia.
23. Quando Barnabé chegou e viu a graça de Deus, ficou muito contente e os animou a permanecerem de todo o coração ligados ao Senhor.
24. Barnabé era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E uma considerável multidão se uniu ao Senhor.
25. Barnabé foi, então, para Tarso em busca de Saulo.
26. E o encontrou e levou para Antioquia. Passaram um ano inteiro trabalhando juntos nessa igreja, e instruíram muita gente. Foi em Antioquia que, os discípulos receberam pela primeira vez, o nome de "cristãos."

SOLIDARIEDADE ENTRE AS COMUNIDADES
27. Nesse tempo, alguns profetas desceram de Jerusalém para Antioquia.
28. Um deles, chamado Ágabo, iluminado pelo Espírito, anunciou que uma grande fome viria sobre a terra. De fato, essa fome sobreveio no tempo do imperador Cláudio.
29. Os discípulos decidiram, então, mandar uma ajuda, cada qual segundo suas possibilidades, aos irmãos que viviam na Judéia.
30. Assim o fizeram. E enviaram a ajuda aos anciãos por meio de Saulo e Barnabé.

[Atos 12]
Atos 12

DEUS É SOLIDÁRIO COM SEUS FIÉIS
1. Nesse tempo, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja,
2. e mandou matar à espada Tiago, irmão de João.
3. Vendo que isso agradava aos judeus, decidiu prender também Pedro. Eram os dias da festa dos pães sem fermento.
4. Depois de o prender, colocou-o na prisão e o confiou à guarda de quatro grupos de quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentar Pedro ao povo logo depois da festa da Páscoa.
5. Pedro estava vigiado na prisão, mas a oração fervorosa da Igreja subia continuamente até Deus, intercedendo em favor dele.
6. Herodes estava para apresentar Pedro. Nessa mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados. Estava preso com duas correntes, e os guardas vigiavam a porta da prisão.
7. De repente, apareceu o anjo do Senhor, e a cela ficou toda iluminada. O anjo tocou o ombro de Pedro, o acordou, e lhe disse: "Levante-se depressa." As correntes caíram das mãos de Pedro.
8. E o anjo continuou: "Aperte o cinto e calce as sandálias." Pedro obedeceu, e o anjo lhe disse: "Ponha a capa e venha comigo."
9. Pedro acompanhou o anjo, sem saber se era mesmo realidade o que o anjo estava fazendo, pois achava que tudo isso era uma visão.
10. Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão se abriu sozinho. Eles saíram, entraram numa rua, e logo depois o anjo o deixou.
11. Então Pedro caiu em si e disse: "Agora sei que o Senhor de fato enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu queria me fazer."
12. Pedro então refletiu e foi para a casa de Maria, mãe de João, também chamado Marcos, onde muitos se haviam reunido para rezar.
13. Bateu à porta, e uma empregada, chamada Rosa, foi abrir.
14. A empregada reconheceu a voz de Pedro, mas sua alegria foi tanta que, em vez de abrir a porta, entrou correndo para contar que Pedro estava ali, junto à porta.
15. Os presentes disseram: "Você está ficando louca!" Mas ela insistia. Eles disseram: "Então deve ser o seu anjo!"
16. Pedro, entretanto, continuava a bater. Por fim, eles abriram a porta: era Pedro mesmo. E eles ficaram sem palavras.
17. Com a mão Pedro fez sinal para que ficassem calados. E lhes contou como o Senhor o fizera sair da prisão. E acrescentou: "Contem isso a Tiago e aos irmãos." Depois, Pedro saiu e se pôs a caminho para outro lugar.
18. Ao amanhecer, houve grande confusão entre os soldados: o que teria acontecido com Pedro?
19. Herodes mandou procurá-lo. Como não o encontrassem, procedeu ao interrogatório dos guardas e deu ordens para que fossem executados. Depois desceu da Judéia para a Cesaréia, onde permaneceu algum tempo.
20. Herodes estava enfurecido com os habitantes de Tiro e Sidônia. Estes fizeram um acordo entre si e se apresentaram diante de Herodes, depois de conquistarem as graças de Blasto, o camareiro real. Eles pediam a paz, já que seu país recebia mantimentos do território do rei.
21. No dia marcado, Herodes vestiu-se com os trajes reais, tomou seu lugar na tribuna, e lhes dirigiu a palavra oficial.
22. O povo começou a clamar: "É a voz de um deus, e não de um homem!"
23. Mas, imediatamente, o anjo do Senhor feriu Herodes, porque ele não tinha dado glória a Deus. E Herodes expirou, carcomido por vermes.
24. A Palavra de Deus, entretanto, crescia e se multiplicava.
25. Barnabé e Saulo terminaram seu serviço em favor de Jerusalém, e voltaram, levando consigo João, também chamado Marcos.

[Atos 13]
Atos 13

COMUNIDADE E MISSÃO
1. Havia profetas e mestres na igreja de Antioquia. Eram eles: Barnabé, Simeão, chamado o Negro, Lúcio, da cidade de Cirene, Manaém, companheiro de infância do governador Herodes, e Saulo.
2. Certo dia, eles estavam fazendo uma reunião litúrgica com jejum, e o Espírito Santo disse: "Separem para mim Barnabé e Saulo, a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os chamei."
3. Então eles jejuaram e rezaram; depois impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo, e se despediram deles.

O EVANGELHO VENCE A MAGIA
4. Enviados pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e daí navegaram para Chipre.
5. Quando chegaram a Salamina, começaram a anunciar a Palavra de Deus nas sinagogas dos judeus, tendo João como ajudante.
6. Atravessaram toda a ilha até Pafos e aí encontraram um judeu, mago e falso profeta, que se chamava Bar-Jesus.
7. Este se encontrava na casa do procônsul Sérgio Paulo, homem de bom critério, que mandou chamar Barnabé e Saulo, pois desejava escutar a Palavra de Deus.
8. Porém, o mago Elimas - assim se traduz o seu nome - se opôs, procurando afastar da fé o procônsul.
9. Então Saulo, também chamado Paulo, cheio de Espírito Santo, fixou os olhos em Elimas,
10. e disse: "Filho do diabo, cheio de falsidade e malícia, inimigo de toda justiça, quando é que você vai parar de torcer os caminhos do Senhor, que são retos?
11. Eis que a mão do Senhor vai cair agora sobre você. Você ficará cego e, por algum tempo, não verá mais o sol." No mesmo instante escuridão e trevas envolveram Elimas, e ele começou a andar às cegas, procurando alguém que lhe desse a mão.
12. Ao ver o que acontecera, o procônsul abraçou a fé, pois ficara impressionado com a doutrina do Senhor.

A ESSÊNCIA DA CATEQUESE DE PAULO
13. Paulo e seus companheiros embarcaram em Pafos e chegaram a Perge da Panfília. João, porém, separou-se do grupo e voltou para Jerusalém.
14. Barnabé e Paulo partiram de Perge e chegaram a Antioquia da Pisídia. No sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se.
15. Depois da leitura da Lei e dos Profetas, os chefes da sinagoga mandaram dizer a eles: "Irmãos, se vocês têm alguma palavra de encorajamento para o povo, podem falar."
16. Paulo então levantou-se, fez sinal com a mão e disse: "Homens de Israel, e vocês que temem a Deus, escutem!
17. O Deus deste povo, o Deus de Israel, escolheu nossos antepassados e multiplicou o povo durante seu exílio na terra do Egito. Depois, ele os tirou daí, com braço poderoso.
18. E, durante mais ou menos quarenta anos, cercou-os de cuidados no deserto.
19. Destruiu sete nações na terra de Canaã e deu a eles a posse do território delas,
20. por quatrocentos e cinqüenta anos aproximadamente. Depois disso lhes concedeu juízes, até o profeta Samuel.
21. Em seguida, eles pediram um rei e Deus concedeu-lhes Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim, que reinou durante quarenta anos.
22. Após depor Saul da realeza, Deus suscitou para eles o rei Davi, do qual prestou o seguinte testemunho: 'Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração; ele cumprirá todas as minhas vontades'.
23. Conforme havia prometido, Deus fez surgir da descendência de Davi um Salvador para Israel, que é Jesus.
24. E João, o precursor, havia preparado a chegada de Jesus, pregando a todo o povo de Israel um batismo de arrependimento.
25. Estando para terminar a sua missão, João declarou: 'Não sou aquele que vocês pensam que eu seja! Vejam: depois de mim é que vem aquele do qual não mereço nem sequer desamarrar as sandálias!
26. Irmãos, descendentes de Abraão e não-judeus que adoram a Deus, esta mensagem de salvação foi enviada para nós.
27. Porque os habitantes de Jerusalém e seus chefes não reconheceram a Jesus e, ao condená-lo, cumpriram as profecias que são lidas aos sábados.
28. Embora não encontrassem nenhum motivo para condenar Jesus à morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto.
29. Depois de fazerem tudo o que a Escritura diz a respeito de Jesus, eles o tiraram da cruz e o puseram num túmulo.
30. Mas Deus o ressuscitou dos mortos,
31. e durante muitos dias ele apareceu àqueles que o acompanharam da Galiléia para Jerusalém. Agora, eles são testemunhas de Jesus diante do povo.
32. Nós anunciamos a vocês este Evangelho: a promessa que Deus fez aos antepassados,
33. ele a cumpriu plenamente para nós, seus filhos, quando ressuscitou Jesus, como está escrito no segundo Salmo: 'Você é o meu filho, eu hoje o gerei'.
34. Deus ressuscitou Jesus dos mortos, para que nunca voltasse à corrupção. Isso, ele o disse desta maneira: 'Cumprirei para vocês a promessa fiel que fiz a Davi'.
35. Por isso diz também em outro lugar: 'Não permitirás que teu fiel conheça a corrupção'.
36. Ora, tendo cumprido a missão que Deus lhe dera para sua época, Davi morreu, foi para junto de seus pais e conheceu a corrupção.
37. Mas aquele que Deus ressuscitou não conheceu a corrupção.
38. Portanto, fiquem sabendo bem, irmãos, que por meio dele é anunciado a vocês o perdão dos pecados.
39. E, por meio dele, todo aquele que acredita é justificado de todas as coisas de que vocês não puderam ser justificados pela Lei de Moisés.
40. Portanto, tenham cuidado para que não aconteça a vocês o que os profetas disseram:
41. 'Olhem, desprezadores, se admirem e desapareçam! Porque nos dias de vocês vou realizar uma coisa que vocês não acreditariam se lhes fosse contada'!"
42. Ao saírem, Paulo e Barnabé foram convidados a continuar falando sobre o mesmo assunto no sábado seguinte.
43. Depois que terminou a reunião, muitos judeus e outras pessoas convertidas ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé. Os dois conversavam com essas pessoas e insistiam para que continuassem fiéis à graça de Deus.

PALAVRA E CONVERSÃO
44. No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a Palavra de Deus.
45. Quando os judeus viram aquela multidão, ficaram cheios de inveja e com blasfêmias se opunham ao que Paulo dizia.
46. Então, com mais coragem ainda, Paulo e Barnabé declaram: "Era preciso anunciar a palavra de Deus, em primeiro lugar para vocês, que são judeus. Porém, como vocês a rejeitam e não se julgam dignos da vida eterna, saibam que nós vamos dedicar-nos aos pagãos.
47. Porque é esta a ordem que o Senhor nos deu: 'Eu coloquei você como luz para as nações, para que leve a salvação até aos extremos da terra'. "
48. Os pagãos ficaram muito contentes quando ouviram isso, e começaram a elogiar a palavra do Senhor. E todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé.
49. Desse modo, a palavra do Senhor se espalhava por toda a região.
50. No entanto, os judeus instigaram algumas senhoras ricas e piedosas, e também os líderes da cidade; e provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e os expulsaram do seu território.
51. Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés e foram para a cidade de Icônio.
52. Os discípulos, porém, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

[Atos 14]
Atos 14

EVANGELIZAÇÃO E PERSEGUIÇÃO
1. Em Icônio, também Paulo e Barnabé entraram na sinagoga dos judeus e falaram, de tal modo que uma grande multidão de judeus e gregos abraçou a fé.
2. Contudo, os judeus que se negaram a acreditar incitaram os pagãos e os indispuseram contra os irmãos.
3. Apesar disso, Paulo e Barnabé permaneceram longo tempo em Icônio. Estavam cheios de coragem no Senhor, que através deles operava sinais e prodígios, e confirmava assim a pregação sobre a sua graça.
4. A população da cidade se dividiu. Uns estavam do lado dos judeus, outros do lado dos apóstolos.
5. Pagãos e judeus, com seus chefes à frente, estavam dispostos a ultrajá-los e apedrejá-los.
6. Ao saber disso, Paulo e Barnabé fugiram para Listra e Derbe, cidades da Licaônia, e arredores,
7. onde começaram a anunciar a Boa Notícia.

DA IDOLATRIA AO DEUS VIVO
8. Em Listra havia um homem paralítico das pernas; era coxo de nascença e nunca tinha conseguido andar.
9. Ele escutava o discurso de Paulo. E este, fixando nele o olhar e notando que tinha fé para ser curado,
10. disse em alta voz: "Levante-se direito sobre os seus pés." O homem deu um salto e começou a andar.
11. Vendo o que Paulo acabara de fazer, a multidão exclamou em dialeto licaônico: "Os deuses desceram entre nós em forma humana!"
12. Chamaram Barnabé de Júpiter e Paulo de Mercúrio, porque era Paulo quem falava.
13. Os sacerdotes de Júpiter, cujo templo na entrada da cidade, levaram à porta touros ornados de grinaldas e queriam oferecer um sacrifício; com isso, concordava toda a multidão.
14. Ao saber disso, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as vestes e foram para o meio da multidão, gritando:
15. "Homens, o que vocês estão fazendo? Nós também somos homens mortais como vocês. Estamos anunciando que vocês precisam deixar esses ídolos vazios e se converter ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe.
16. Nas gerações passadas, Deus permitiu que todas as nações seguissem o próprio caminho.
17. No entanto, ele não deixou de dar testemunho de si mesmo através de seus benefícios. Do céu ele manda chuvas e colheitas, dando alimento e alegrando o coração de vocês."
18. E assim falando, com muito custo conseguiram que a multidão desistisse de lhes oferecer um sacrifício.

POR QUE A PERSEGUIÇÃO?
19. De Antioquia e Icônio chegaram judeus que convenceram as multidões. Então, apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da cidade, pensando que ele estivesse morto.
20. Mas, enquanto os discípulos o rodeavam, Paulo se levantou e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu para Derbe com Barnabé.
21. Depois de anunciar o Evangelho nessa cidade e ganhar aí numerosos discípulos, Paulo e Barnabé voltaram para Listra, Icônio e Antioquia.
22. Eles fortaleciam o ânimo dos discípulos, exortando-os a perseverarem na fé e dizendo-lhes que é preciso passar por muitas tribulações para entrar no Reino de Deus.
23. Os apóstolos designaram anciãos para cada comunidade; rezavam, jejuavam e os confiavam ao Senhor, no qual haviam acreditado.
24. Depois, Paulo e Barnabé atravessaram a região da Pisídia e chegaram à região da Panfília.
25. Anunciaram a Palavra em Perge e depois desceram para o porto de Atália.
26. Daí embarcaram para Antioquia da Síria, seu ponto de partida, onde tinham sido entregues à graça de Deus para o trabalho que acabavam de realizar.
27. Quando chegaram a Antioquia, reuniram a comunidade e contaram tudo o que Deus havia feito por meio deles: o modo como Deus tinha aberto a porta da fé para os pagãos.
28. E passaram então algum tempo com os discípulos.

[Atos 15]
Atos 15

A IGREJA EM CONFLITO
1. Chegaram alguns homens da Judéia e doutrinavam os irmãos de Antioquia, dizendo: "Se não forem circuncidados, como ordena a Lei de Moisés, vocês não poderão salvar-se."
2. Isso provocou alvoroço e uma discussão muito séria deles com Paulo e Barnabé. Então ficou decidido que Paulo, Barnabé e mais alguns iriam a Jerusalém para tratar dessa questão com os apóstolos e anciãos.
3. Com o apoio e solidariedade da igreja de Antioquia, eles atravessaram a Fenícia e a Samaria. Contaram sobre a conversão dos pagãos, e deram uma grande alegria a todos os irmãos.
4. Quando chegaram a Jerusalém, foram acolhidos pela igreja, pelos apóstolos e anciãos, e contaram as maravilhas que Deus tinha realizado por meio deles.
5. Alguns daqueles que tinham pertencido ao partido dos fariseus e que haviam abraçado a fé intervieram, declarando que era preciso circuncidar os pagãos e mandar que eles observassem a Lei de Moisés.

O CONCÍLIO DE JERUSALÉM: POSIÇÃO DE PEDRO
6. Então os apóstolos e os anciãos se reuniram para tratar desse assunto.
7. Depois de longa discussão, Pedro levantou-se e falou: "Irmãos, vocês sabem que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu no meio de vocês, para que os pagãos ouvissem de minha boca a palavra da Boa Notícia e acreditassem.
8. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo como deu a nós.
9. E não fez nenhuma distinção entre nós e eles, purificando o coração deles mediante a fé.
10. Então, por que vocês agora tentam a Deus, querendo impor aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós mesmos tivemos força para suportar?
11. Ao contrário, é pela graça do Senhor Jesus que cremos ser salvos, exatamente como eles."
12. Houve então um silêncio em toda a assembléia. Depois disso, ouviram Barnabé e Paulo contar todos os sinais e prodígios que Deus havia realizado por meio deles entre os pagãos.

O CONCÍLIO DE JERUSALÉM: A PROPOSTA DE TIAGO
13. Quando Barnabé e Paulo terminaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: "Irmãos, ouçam-me:
14. Simeão acaba de nos lembrar como desde o começo Deus cuidou de tomar homens das nações pagãs para formar um povo dedicado ao seu Nome.
15. Isso concorda com as palavras dos profetas, pois está escrito:
16. 'Depois disso, eu voltarei e reconstruirei a tenda de Davi que havia caído; reconstruirei as ruínas que ficaram e a reerguerei,
17. a fim de que o resto dos homens procure o Senhor com todas as nações que foram consagradas ao meu Nome. É o que diz o Senhor,
18. que tornou essas coisas conhecidas desde há séculos'.
19. Por isso, eu sou de parecer que não devemos importunar os pagãos que se convertem a Deus.
20. Vamos somente prescrever que eles evitem o que está contaminado pelos ídolos, as uniões ilegítimas, comer carne sufocada e o sangue.
21. De fato, desde os tempos antigos, em cada cidade Moisés tem os seus pregadores, que o lêem todos os sábados nas sinagogas."

A CARTA CONCILIAR
22. Então os apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a comunidade de Jerusalém, resolveram escolher alguns da comunidade para mandá-los com Paulo e Barnabé para Antioquia. Escolheram Judas, chamado Bársabas, e Silas, que eram muito respeitados pelos irmãos.
23. Através deles enviaram a seguinte carta: "Nós, os apóstolos e os anciãos, irmãos de vocês, saudamos os irmãos que vêm do paganismo e que estão em Antioquia e nas regiões da Síria e da Cilícia.
24. Ficamos sabendo que alguns dos nossos provocaram perturbações com palavras que transtornaram o espírito de vocês. Eles não foram enviados por nós.
25. Então decidimos, de comum acordo, escolher alguns representantes e mandá-los até vocês, junto com nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo,
26. homens que arriscaram a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
27. Por isso, estamos enviando Judas e Silas, que pessoalmente transmitirão a vocês a mesma mensagem.
28. Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não impor sobre vocês nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis:
29. abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das uniões ilegítimas. Vocês farão bem se evitarem essas coisas. Saudações!"

ALEGRIA E ESTÍMULO
30. Depois da despedida, Judas e Silas foram para Antioquia, reuniram a assembléia e entregaram a carta.
31. Sua leitura causou alegria por causa do estímulo que ela continha.
32. Judas e Silas, que também eram profetas, falaram muito, para encorajar e fortificar os irmãos.
33. Depois de algum tempo, foram despedidos em paz pelos irmãos e voltaram para aqueles que os tinham enviado. /
34. /.
35. Quanto a Paulo e Barnabé, permaneceram em Antioquia. E junto com muitos outros ensinavam e anunciavam a Boa Notícia da Palavra do Senhor.

AS MISSÕES DE PAULO

CONFLITO NA LIDERANÇA
36. Depois de alguns dias, Paulo disse a Barnabé: "Vamos voltar para fazer uma visita a todas as cidades onde anunciamos a Palavra do Senhor, para ver como estão passando."
37. Barnabé queria levar junto também João, chamado Marcos.
38. Paulo, porém, era de opinião que não deviam levar consigo uma pessoa que se havia separado deles na Panfília e não os acompanhara no trabalho.
39. Houve desacordo entre eles, a tal ponto que tiveram de separar-se um do outro. Barnabé levou Marcos consigo e embarcou para Chipre.
40. Paulo, por sua vez, escolheu Silas, e partiu, recomendado pelos irmãos à graça do Senhor.
41. Atravessaram então a Síria e a Cilícia, dando nova força às igrejas.

[Atos 16]
Atos 16

A FONTE DO MINISTÉRIO
1. Paulo se dirigiu a Derbe e a Listra. Havia em Listra um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia que se tornara cristã e de pai grego.
2. Os irmãos de Listra e Icônio davam bom testemunho de Timóteo.
3. Paulo quis então que Timóteo partisse com ele. Tomou-o e o circuncidou, por causa dos judeus que se encontravam nessas regiões, pois todos sabiam que o pai de Timóteo era grego.
4. Percorrendo as cidades, Paulo e Timóteo transmitiam as decisões que os apóstolos e anciãos de Jerusalém haviam tomado, e recomendavam que fossem observadas.
5. As igrejas se fortaleciam na fé, e a cada dia cresciam em número.

O ESPÍRITO DIRIGE A MISSÃO
6. Paulo e Timóteo atravessaram a Frígia e a região da Galácia, uma vez que o Espírito Santo os proibira de pregar a Palavra de Deus na Ásia.
7. Chegando perto da Mísia, eles tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus os impediu.
8. Então atravessaram a Mísia e desceram para Trôade.
9. Durante a noite, Paulo teve uma visão: na sua frente estava de pé um macedônio que lhe suplicava: "Venha à Macedônia e ajude-nos!"
10. Depois dessa visão, procuramos imediatamente partir para a Macedônia, pois estávamos convencidos de que Deus acabava de nos chamar para anunciar aí a Boa Notícia.

O GÉRMEN DE UMA COMUNIDADE
11. Embarcamos em Trôade e navegamos diretamente para a ilha de Samotrácia. No dia seguinte, ancoramos em Neápolis,
12. de onde passamos para Filipos, que é uma das principais cidades da Macedônia, e que tem direitos de colônia romana. Passamos alguns dias nessa cidade.
13. No sábado, saímos além da porta da cidade para um lugar junto ao rio, onde nos parecia haver oração. Sentamo-nos e começamos a falar com as mulheres que estavam aí reunidas.
14. Uma delas se chamava Lídia; era comerciante de púrpura, da cidade de Tiatira. Lídia acreditava em Deus e escutava com atenção. O Senhor abrira o seu coração para que aderisse às palavras de Paulo.
15. Após ter sido batizada, assim como toda a sua família, ela nos convidou: "Se vocês me consideram fiel ao Senhor, permaneçam em minha casa." E nos forçou a aceitar.

O TESTEMUNHO DESMASCARA A OPRESSÃO
16. Estávamos indo para a oração, quando veio ao nosso encontro uma jovem escrava, que estava possuída por um espírito de adivinhação; fazia oráculos e obtinha muito lucro para seus patrões.
17. Ela começou a seguir Paulo e a nós, gritando: "Esses homens são servos do Deus Altíssimo e anunciam o caminho da salvação para vocês."
18. Isso aconteceu durante muitos dias. Por fim, não suportando mais a situação, Paulo voltou-se e disse ao espírito: "Eu lhe ordeno em nome de Jesus Cristo: saia dessa mulher!" E o espírito saiu no mesmo instante.
19. Os patrões da jovem, vendo que tinham perdido a esperança de lucros, agarraram Paulo e Silas e os arrastaram à praça principal, diante dos chefes da cidade.
20. Apresentaram os dois aos magistrados, e disseram: "Estes homens estão provocando desordem em nossa cidade; são judeus
21. e pregam costumes que a nós, romanos, não é permitido aceitar nem seguir."
22. A multidão se amotinou contra Paulo e Silas, e os magistrados rasgaram as vestes deles e mandaram açoitá-los com varas.
23. Depois de os açoitar bastante, os lançaram na prisão, ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança.
24. Ao receber essa ordem, o carcereiro os levou para o fundo da prisão e prendeu os pés deles no tronco.
25. À meia noite, Paulo e Silas estavam rezando e cantando hinos a Deus; os outros companheiros de prisão escutavam.
26. De repente, houve um terremoto tão violento que sacudiu os alicerces da prisão. Todas as portas se abriram e as correntes de todos se soltaram.
27. O carcereiro acordou e viu as portas da prisão abertas. Pensando que os prisioneiros tivessem fugido, puxou da espada e estava para suicidar-se.
28. Mas Paulo gritou: "Não faça isso! Nós estamos todos aqui."
29. Então o carcereiro pediu tochas, correu para dentro e, tremendo, caiu aos pés de Paulo e Silas.
30. Conduzindo-os para fora, perguntou: "Senhores, que devo fazer para ser salvo?"
31. Paulo e Silas responderam: "Acredite no Senhor Jesus, e serão salvos você e todos os da sua casa."
32. Então Paulo e Silas anunciaram a Palavra do Senhor ao carcereiro e a todos os da sua casa.
33. Na mesma hora da noite, o carcereiro os levou consigo para lavar as feridas causadas pelos açoites. A seguir, foi batizado junto com todos os seus.
34. Depois, fez Paulo e Silas subir até sua casa, preparou-lhes um jantar e alegrou-se com todos os seus familiares por ter crido em Deus.
35. Quando amanheceu, os magistrados enviaram à prisão os oficiais de justiça, ordenando ao carcereiro: "Solte esses homens."
36. O carcereiro anunciou a Paulo: "Os magistrados mandaram soltar vocês. Portanto, podem sair e ir embora em paz."
37. Mas Paulo mandou dizer: "Fomos açoitados em público sem nenhum processo, e fomos lançados na prisão sem levar em conta que somos cidadãos romanos; e agora querem que vamos embora às escondidas? De jeito nenhum! Que eles venham soltar-nos pessoalmente."
38. Os oficiais de justiça comunicaram as palavras de Paulo aos magistrados. Ao saberem que se tratava de cidadãos romanos, ficaram alarmados,
39. e foram conversar com eles. E os soltaram, pedindo que deixassem a cidade.
40. Ao sair da prisão, Paulo e Silas foram para a casa de Lídia. Aí encontraram os irmãos, os encorajaram e depois partiram.

[Atos 17]
Atos 17

O EVANGELHO AMEAÇA O SISTEMA
1. Passando por Anfípolis e Apolônia, Paulo e Silas chegaram a Tessalônica, onde os judeus tinham uma sinagoga.
2. Conforme seu costume, Paulo foi procurá-los e, por três sábados seguidos, discutiu com eles. Partindo das Escrituras,
3. explicava e demonstrava para eles que o Messias devia morrer e ressuscitar dos mortos. E acrescentava: "O Messias é este Jesus que eu anuncio a vocês."
4. Alguns judeus se convenceram disso e se uniram a Paulo e Silas, assim como bom número de gregos que adoravam o Deus único, e não poucas mulheres da alta sociedade.
5. Os judeus ficaram com inveja e reuniram alguns indivíduos maus e vagabundos; e provocaram um tumulto, alvoroçando a cidade. Alguns se apresentaram na casa de Jasão em busca de Paulo e Silas, a fim de os levar à presença da assembléia do povo.
6. Não encontrando Paulo e Silas, arrastaram Jasão e alguns irmãos diante das autoridades; e gritavam: "Estes homens que estão transtornando o mundo inteiro, chegaram agora aqui também,
7. e Jasão deu hospedagem para eles. Todos eles vão contra a lei do Imperador, afirmando que existe outro rei chamado Jesus."
8. Ouvindo isso, a multidão e as autoridades ficaram agitadas.
9. E exigiram uma fiança por parte de Jasão e dos outros irmãos. Depois os soltaram.
10. Imediatamente, os irmãos fizeram Paulo e Silas partir de noite para Beréia. Logo que aí chegaram, entraram na sinagoga dos judeus.
11. Estes eram mais abertos que os de Tessalônica, e acolheram a Palavra com toda disponibilidade. Cada dia examinavam as Escrituras para ver se tudo era mesmo assim.
12. Muitos deles abraçaram a fé e também um número considerável de gregos, tanto mulheres de condição elevada como muitos homens.
13. Mas, quando os judeus de Tessalônica ficaram sabendo que Paulo anunciava a Palavra de Deus também em Beréia, foram lá para agitar e confundir o povo.
14. Imediatamente os irmãos fizeram Paulo partir para a costa, enquanto Silas e Timóteo permaneceram aí.
15. Os que acompanhavam Paulo o conduziram até Atenas. Depois, voltaram com ordens para que Silas e Timóteo fossem encontrá-lo o mais depressa possível.

A DINÂMICA DA EVANGELIZAÇÃO
16. Enquanto Paulo os esperava em Atenas, ficou revoltado ao ver a cidade cheia de ídolos.
17. Por isso, discutia na sinagoga com os judeus e pagãos que adoravam o Deus único. E todos os dias discutia em praça pública com aqueles que ia encontrando.
18. Também alguns filósofos epicureus e estóicos começaram a conversar com ele. Alguns diziam: "O que estará querendo dizer esse charlatão?" Outros diziam: "Deve ser um pregador de divindades estrangeiras." Porque Paulo anunciava Jesus e a Ressurreição.
19. Tomando Paulo consigo, o levaram ao Areópago, dizendo: "Podemos saber qual é a nova doutrina que você está expondo?
20. De fato, as coisas que você diz soam estranhas para nós; queremos, portanto, saber do que se trata."
21. Com efeito, todos os atenienses e os estrangeiros residentes passavam o tempo a contar ou a ouvir as últimas novidades.
22. De pé, no meio do Areópago, Paulo disse: "Senhores de Atenas, em tudo eu vejo que vocês são extremamente religiosos.
23. De fato, passando e observando os monumentos sagrados de vocês, encontrei também um altar com esta inscrição: 'Ao Deus desconhecido'. Pois bem, esse Deus que vocês adoram sem conhecer, é exatamente aquele que eu lhes anuncio.
24. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe. Sendo Senhor do céu e da terra, ele não habita em santuários feitos por mãos humanas.
25. Também não é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa; pois é ele que dá a todos vida, respiração e tudo o mais.
26. De um só homem, ele fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, tendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites de sua habitação.
27. Assim fez, para que buscassem a Deus e para ver se o descobririam, ainda que fosse às apalpadelas. Ele não está longe de cada um de nós,
28. pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dentre os poetas de vocês disseram: 'Somos da raça do próprio Deus'.
29. Sendo, portanto, da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem.
30. Mas Deus, sem levar em conta os tempos da ignorância, agora anuncia aos homens que todos e em todo lugar se arrependam,
31. pois ele estabeleceu um dia em que irá julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou e creditou diante de todos, ressuscitando-o dos mortos."
32. Quando ouviram falar de ressurreição dos mortos, alguns caçoavam e outros diziam: "Nós ouviremos você falar disso em outra ocasião."
33. A essa altura, Paulo saiu do meio deles.
34. Alguns, porém, se uniram a ele e abraçaram a fé. Entre esses estava também Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e outros com eles.

[Atos 18]
Atos 18

NASCIMENTO DA COMUNIDADE DE CORINTO
1. A seguir, Paulo deixou Atenas e foi para Corinto.
2. Encontrou aí um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que acabara de chegar da Itália com sua esposa Priscila, pois o imperador Cláudio tinha decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo entrou em contato com eles.
3. E como eram da mesma profissão - fabricantes de tendas, Paulo passou a morar com eles e trabalhavam juntos.
4. Todos os sábados, Paulo discutia na sinagoga, procurando convencer judeus e gregos.
5. Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo se dedicou inteiramente à Palavra, testemunhando diante dos judeus que Jesus era o Messias.
6. Mas, por causa da resistência e blasfêmias deles, Paulo sacudiu as vestes e disse: "Vocês são responsáveis pelo que acontecer. Não tenho nada a ver com isso. De agora em diante, vou me dirigir aos pagãos."
7. Então Paulo foi para a casa de um pagão adorador do Deus único, certo Tício Justo, que morava ao lado da sinagoga.
8. Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com toda a sua família; e muitos coríntios, que escutavam Paulo, acreditavam e recebiam o batismo.
9. Uma noite o Senhor em visão disse a Paulo: "Não tenha medo, continue a falar, não se cale,
10. porque eu estou com você. Ninguém porá a mão em você para lhe fazer mal. Nesta cidade há um povo numeroso que me pertence."
11. Assim, Paulo ficou um ano e meio entre eles, ensinando a Palavra de Deus.

CRISTIANISMO: SUBVERSÃO POLÍTICA?
12. Na época em que Galião era procônsul na Acaia, os judeus se insurgiram em massa contra Paulo e o levaram diante do tribunal,
13. dizendo: "Este homem induz o povo a adorar a Deus de modo contrário à Lei."
14. Paulo ia tomar a palavra, quando Galião respondeu aos judeus: "Judeus, se fosse por causa de um delito ou de uma ação criminosa, seria justo que eu atendesse a queixa de vocês.
15. Mas, como é questão de palavras, de nomes e da Lei de vocês, tratem disso vocês mesmos. Eu não quero ser juiz nessas coisas."
16. E Galião os mandou sair do tribunal.
17. Então, todos agarraram Sóstenes, o chefe da sinagoga, e o espancaram diante do tribunal. E Galião nem se incomodou com isso.

VISITA ÀS COMUNIDADES
18. Paulo permaneceu ainda vários dias em Corinto. Depois, despediu-se dos irmãos e embarcou para a Síria, em companhia de Priscila e Áquila. Em Cencréia, Paulo raspou a cabeça, pois tinha feito uma promessa.
19. Quando chegaram a Éfeso, Paulo os deixou e entrou sozinho na sinagoga, onde começou a discutir com os judeus.
20. Estes pediam que ele permanecesse mais tempo, mas Paulo recusou.
21. Todavia, ao despedir-se, falou: "Voltarei de novo para junto de vocês, se Deus quiser." E partiu de Éfeso.
22. Desembarcando em Cesaréia, foi saudar a igreja, e depois desceu para Antioquia,
23. onde permaneceu por algum tempo. Em seguida partiu de novo, percorrendo sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos.

A COMUNIDADE INSTRUI UM LÍDER
24. Chegou a Éfeso um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria. Era homem eloqüente, instruído nas Escrituras.
25. Fora instruído no Caminho do Senhor e, com muito entusiasmo, falava e ensinava com exatidão a respeito de Jesus, embora só conhecesse o batismo de João.
26. Ele começou, então, a falar com muita convicção na sinagoga. Ao escutá-lo, Priscila e Áquila o tomaram consigo e, com mais precisão, lhe expuseram o Caminho de Deus.
27. Como ele estava querendo passar pela Acaia, os irmãos o apoiaram e escreveram aos discípulos que o acolhessem bem. Graças à iniciativa divina, a presença de Apolo foi muito útil aos fiéis.
28. De fato, ele rebatia vigorosamente aos judeus em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus é o Messias.

[Atos 19]
Atos 19

O ESPÍRITO DÁ A MATURIDADE NA FÉ
1. Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as regiões mais altas e chegou a Éfeso. Encontrou aí alguns discípulos,
2. e perguntou-lhes: "Quando vocês abraçaram a fé receberam o Espírito Santo?" Eles responderam: "Nós nem sequer ouvimos falar que existe um Espírito Santo."
3. Paulo perguntou: "Que batismo vocês receberam?" Eles responderam: "O batismo de João."
4. Então Paulo explicou: "João batizava como sinal de arrependimento e pedia que o povo acreditasse naquele que devia vir depois dele, isto é, em Jesus."
5. Ao ouvir isso, eles se fizeram batizar em nome do Senhor Jesus.
6. Logo que Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e começaram a falar em línguas e a profetizar.
7. Eram, ao todo, doze homens.
8. Em seguida, Paulo foi à sinagoga e, durante três meses, falava com toda convicção, discutindo e procurando convencer os ouvintes sobre o Reino de Deus.
9. Todavia como alguns se obstinavam na incredulidade e falavam mal do Caminho diante da multidão, Paulo rompeu com eles, separou os discípulos e, diariamente, os ensinava na escola de um homem chamado Tiranos.
10. Isso durou dois anos, de modo que todos os habitantes da Ásia, judeus e gregos, puderam ouvir a Palavra do Senhor.

A FÉ LIBERTA
11. Deus realizava milagres extraordinários pelas mãos de Paulo,
12. a tal ponto que pegavam lenços e aventais usados por Paulo para colocá-los sobre os doentes, e estes eram libertados de suas doenças e os espíritos maus eram afastados.
13. Alguns exorcistas judeus itinerantes começaram a invocar o nome do Senhor Jesus sobre aqueles que tinham espíritos maus. E diziam: "Eu esconjuro vocês por este Jesus que Paulo está pregando."
14. Os que faziam isso eram os sete filhos de Ceva, um sumo sacerdote judeu.
15. Mas o espírito mau reagiu, dizendo: "Eu conheço Jesus e sei quem é Paulo; mas quem são vocês?"
16. E o homem que estava possesso do espírito mau pulou sobre eles com tanta violência, que tiveram de fugir daquela casa, sem roupas e cobertos de ferimentos.
17. E toda a população de Éfeso, judeus e gregos, ficou sabendo do fato. O temor se apossou de todos. E a grandeza do nome de Jesus era exaltada.
18. Muitos fiéis acorriam para acusar-se em voz alta de suas práticas mágicas,
19. e um bom número dos que praticavam magia amontoaram seus livros e os queimaram em praça pública. O valor desses livros foi calculado em cinqüenta mil moedas de prata.
20. Assim, a Palavra do Senhor crescia e se firmava com grande poder.

FIM DA MISSÃO: PRISIONEIRO DE CRISTO

O DISCÍPULO NO SEGUIMENTO DO MESTRE
21. Depois desses acontecimentos, Paulo resolveu ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e pela Acaia. Ele dizia: "Depois de ir até lá, eu devo ir também a Roma."
22. Paulo enviou à Macedônia dois de seus ajudantes, Timóteo e Erasto, e ficou ainda por algum tempo na Ásia.

A VIDA CRISTÃ TUMULTUA A SOCIEDADE
23. Foi nessa época que estourou um grave tumulto a respeito do Caminho.
24. Havia um sujeito chamado Demétrio, que era ourives e fabricava nichos de prata da deusa Ártemis. E isso dava muito lucro aos artesãos.
25. Ele reuniu esses artesãos, juntamente com outros que trabalhavam no ramo, e lhes disse: "Amigos, vocês sabem que o nosso bem-estar provém dessa nossa atividade.
26. Ora, vocês mesmos podem constatar e ouvir por aí que esse tal de Paulo, com a sua propaganda, está desencaminhando muita gente, não só em Éfeso, mas em quase toda a Ásia. Ele afirma que os deuses fabricados pelas nossas mãos não são deuses.
27. Não é só a nossa profissão que corre o risco de cair em descrédito, mas também o santuário da grande deusa Ártemis acabará sendo desacreditado e, assim, ficará despojada de majestade aquela que toda a Ásia e o mundo inteiro adora."
28. Ao ouvir isso, ficaram furiosos e não paravam de gritar: "Grande é a Ártemis dos efésios!"
29. O tumulto se espalhou pela cidade toda. A multidão se dirigiu em massa ao teatro, arrastando os macedônios Gaio e Aristarco, companheiros de Paulo na viagem.
30. Paulo queria ir até a assembléia, mas os discípulos não deixaram.
31. Também algumas pessoas importantes da província, que eram seus amigos, mandaram pedir que ele não se arriscasse a comparecer ao teatro.
32. Enquanto isso, um gritava uma coisa, outro gritava o contrário, e a confusão era geral na assembléia. A maioria nem mesmo sabia por que estava aí.
33. E no meio da multidão, algumas pessoas convenceram certo Alexandre a falar. Ele tinha sido colocado na frente pelos judeus. Fez sinal com a mão, mostrando que queria dar explicações para a assembléia.
34. Mas, quando perceberam que era judeu, todos se puseram a gritar numa só voz, por quase duas horas: "Grande é a Ártemis dos efésios!"
35. Por fim, o secretário conseguiu acalmar a multidão, e disse: "Cidadãos de Éfeso, quem dentre os homens não sabe que a cidade de Éfeso guarda o templo da grande Ártemis e a sua estátua que caiu do céu?
36. Quanto a isso, não resta dúvida. Portanto, fiquem calmos e não cometam nenhuma loucura.
37. Estes homens que vocês trouxeram até aqui, não profanaram o templo, nem blasfemaram contra a nossa deusa.
38. Portanto, se Demétrio e os artesãos que estão com ele têm acusações para fazer contra alguém, sejam feitas audiências, e os procônsules estão à disposição. Que as partes apresentem acusações recíprocas.
39. E se houver qualquer outra questão, será resolvida em assembléia legal.
40. Do contrário, corremos o risco de sermos acusados de revolta por causa do que aconteceu hoje, pois não existe nenhum motivo para justificarmos esta reunião."
41. Com essa declaração, ele dissolveu a assembléia.

[Atos 20]
Atos 20

PAULO DEIXA ÉFESO
1. Quando o tumulto acabou, Paulo mandou chamar os discípulos de Éfeso. Depois de encorajá-los, despediu-se deles e viajou para a Macedônia.
2. Percorreu essas regiões, falando com freqüência aos fiéis para encorajá-los. E assim chegou à Grécia,
3. onde permaneceu três meses. Quando estava para embarcar rumo à Síria, decidiu fazer a viagem através da Macedônia, porque os judeus tinham organizado uma conspiração contra ele.
4. Os companheiros de Paulo eram: Sópatros, filho de Pirro, da Beréia; Aristarco e Segundo, de Tessalônica; Gaio de Derbe; Timóteo, Tíquico e Trófimo, da província da Ásia.
5. Esses, porém, partiram antes de nós e nos esperavam em Trôade.
6. Nós zarpamos de Filipos, logo após os dias dos pães sem fermento, e os alcançamos cinco dias depois em Trôade, onde permanecemos uma semana.

EUCARISTIA É VIDA
7. No primeiro dia da semana, estávamos reunidos para a fração do pão. Paulo, que devia partir no dia seguinte, dirigia a palavra aos fiéis, e prolongou o discurso até meia-noite.
8. Havia muitas lâmpadas na sala superior, onde estávamos reunidos.
9. Um jovem, chamado Êutico, que estava sentado na beira de uma janela, acabou adormecendo durante o prolongado discurso de Paulo; vencido finalmente pelo sono, caiu do terceiro andar para baixo. Quando o levantaram, estava morto.
10. Então Paulo desceu, inclinou-se sobre o jovem e, abraçando-o, disse: "Não se preocupem, porque ele está vivo."
11. Depois subiu novamente, partiu o pão e comeu. Ficou conversando com eles até de madrugada, e depois partiu.
12. Quanto ao jovem, o levaram vivo, e sentiram-se muito confortados.

FIDELIDADE DE PAULO
13. Nós, porém, continuamos a viagem e embarcamos num navio para Assos, onde iríamos recolher Paulo. Assim Paulo havia determinado, ao passo que ele iria por terra.
14. Quando nos alcançou em Assos, nós o recolhemos a bordo e prosseguimos para Mitilene.
15. Daí zarpamos no dia seguinte e chegamos à altura de Quio; um dia depois, aportamos em Samos. Tivemos outro dia de viagem e, depois de pararmos em Trogílio, chegamos a Mileto.
16. Paulo tinha decidido não passar por Éfeso, a fim de não prolongar demais sua permanência na Ásia. Tinha pressa de estar em Jerusalém, se possível para o dia de Pentecostes.

O TESTEMUNHO DE PAULO
17. De Mileto, Paulo mandou emissários a Éfeso para chamar os anciãos dessa igreja.
18. Quando os anciãos chegaram, Paulo lhes falou: "Vocês bem sabem de que maneira me comportei em relação a vocês durante todo o tempo, desde o primeiro dia em que cheguei à Ásia.
19. Servi ao Senhor com toda humildade, com lágrimas e no meio das provações que sofri por causa das ciladas dos judeus.
20. Nunca deixei de anunciar aquilo que pudesse ser de proveito para vocês, nem de anunciar publicamente e também de casa em casa.
21. Com insistência, convidei judeus e gregos a se arrependerem diante de Deus e a acreditarem em Jesus nosso Senhor.
22. E agora, prisioneiro do Espírito, vou para Jerusalém, sem saber o que aí me acontecerá.
23. Só sei que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me adverte, dizendo que me aguardam cadeias e tribulações.
24. Mas, de modo nenhum considero minha vida preciosa para mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e o serviço que recebi do Senhor Jesus, ou seja, testemunhar o Evangelho da graça de Deus.
25. Agora, porém, tenho certeza de que vocês não verão mais o meu rosto, todos vocês entre os quais passei pregando o Reino.
26. Portanto, hoje dou testemunho diante de vocês: se alguém de vocês se perder, eu não sou responsável,
27. pois não deixei de lhes anunciar todo o projeto de Deus sobre vocês.
28. Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho, pois o Espírito Santo os constituiu como guardiães, para apascentarem a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si com o sangue do seu próprio Filho.
29. Eu sei: depois da minha partida, aparecerão lobos vorazes no meio de vocês, e não terão pena do rebanho.
30. E do meio de vocês mesmos surgirão alguns falando coisas pervertidas, para arrastar os discípulos atrás deles.
31. Portanto, fiquem vigiando e se lembrem de que durante três anos, dia e noite, não parei de admoestar com lágrimas a cada um de vocês.
32. Agora, pois, eu os entrego ao Senhor e à palavra de sua graça, que tem o poder de edificar e de dar a vocês a herança entre todos os santificados.
33. Ademais, não cobicei prata, nem ouro, nem vestes de ninguém.
34. Vocês mesmos sabem que estas minhas mãos providenciaram o que era necessário para mim e para os que estavam comigo.
35. Em tudo mostrei a vocês que é trabalhando assim que devemos ajudar os fracos, recordando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: 'Há mais felicidade em dar do que em receber'. "
36. Após essas palavras, Paulo ajoelhou-se e rezou com todos eles.
37. Então todos começaram a chorar muito; e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam.
38. Estavam muito tristes, principalmente porque havia dito que eles nunca mais veriam o seu rosto. E foram com ele até o navio.

[Atos 21]
Atos 21

SEJA FEITA A VONTADE DO SENHOR
1. Quando chegou o momento de partir, fomos como que arrancados dos braços deles e navegamos diretamente para a ilha de Cós. No dia seguinte, chegamos a Rodes, e daí fomos até Pátara,
2. onde encontramos um navio que fazia a travessia para a Fenícia; embarcamos e seguimos viagem.
3. Chegando à vista de Chipre, a deixamos pela esquerda e continuamos a nossa viagem em direção à Síria. Desembarcamos em Tiro, onde o navio devia descarregar.
4. Encontramos os discípulos e ficamos aí sete dias. Movidos pelo Espírito, os discípulos diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém.
5. Quando chegou o dia de ir embora, partimos. Todos quiseram acompanhar-nos, com suas mulheres e crianças, até fora da cidade. Na praia, nos ajoelhamos para rezar.
6. Depois da despedida, embarcamos; e eles voltaram para casa.
7. Continuando a nossa viagem por mar, de Tiro chegamos a Ptolemaida. Aí cumprimentamos os irmãos e ficamos um dia com eles.
8. No dia seguinte, partimos e chegamos a Cesaréia. Aí fomos à casa de Filipe, o Evangelista, que era um dos sete, e nos hospedamos na sua casa.
9. Filipe tinha quatro filhas solteiras que profetizavam.
10. Enquanto passávamos vários dias aí, desceu da Judéia um profeta chamado Ágabo.
11. Ele veio ao nosso encontro, pegou o cinto de Paulo e, amarrando os próprios pés e mãos, declarou: "Isto é o que diz o Espírito Santo: o homem a quem pertence este cinto será amarrado deste modo pelos judeus em Jerusalém e será entregue em mãos dos pagãos."
12. Quando ouvimos isso, nós e os irmãos da cidade, insistimos que Paulo não subisse a Jerusalém.
13. Mas Paulo respondeu: "O que estão fazendo vocês, chorando e afligindo o meu coração? Eu estou pronto, não somente para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus."
14. Não conseguimos convencê-lo. Então desistimos, dizendo: "Seja feita a vontade do Senhor."

UMA IGREJA REALISTA
15. Depois de alguns dias, terminamos os nossos preparativos e subimos a Jerusalém.
16. Alguns discípulos de Cesaréia nos acompanharam e nos levaram para nos hospedar na casa de certo Menásson, que era antigo discípulo, natural de Chipre.
17. Quando chegamos a Jerusalém, os irmãos nos receberam com alegria.
18. No dia seguinte, Paulo foi conosco à casa de Tiago, onde todos os anciãos estavam reunidos.
19. Depois de cumprimentá-los, Paulo expôs minuciosamente o que Deus fizera aos pagãos através do seu serviço.
20. Ouvindo Paulo, eles glorificavam a Deus. Mas a seguir lhe disseram: "Como você vê, irmão, há milhares de judeus que abraçaram a fé, e todos são fiéis observantes da Lei.
21. Eles estão a par de coisas que dizem a respeito de você, isto é, que você anda ensinando a todos os judeus que vivem no meio dos pagãos para abandonarem Moisés e dizendo-lhes que não circuncidassem seus filhos e não continuassem a seguir as tradições.
22. Que vamos fazer? Certamente ficarão sabendo que você está aqui.
23. Portanto, faça o que vamos lhe dizer. Estão aqui quatro homens que têm uma promessa para cumprir.
24. Leve-os com você, purifique-se com eles, pague as despesas para que possam mandar raspar a cabeça. Assim, todos saberão que os boatos a seu respeito não têm fundamento e que você também é fiel na observância da Lei.
25. Quanto aos pagãos que abraçaram a fé, já escrevemos a eles sobre nossas decisões: abster-se de carnes imoladas aos ídolos, de carnes sufocadas e de uniões ilegítimas."
26. Então Paulo levou os homens consigo. No dia seguinte, purificou-se com eles e entrou no Templo, comunicando o prazo em que devia ser oferecido o sacrifício na intenção de cada um deles, logo após os dias da purificação.

PRISÃO DE PAULO
27. Os sete dias estavam chegando ao fim, quando os judeus da Ásia, percebendo que Paulo estava no Templo, amotinaram toda a multidão e o agarraram,
28. gritando: "Israelitas, socorro! Este é o homem que anda ensinando a todos e por toda a parte contra o nosso povo, contra a Lei e contra este Lugar. Além disso, ele trouxe gregos para dentro do Templo, profanando este santo Lugar."
29. De fato, antes eles tinham visto Trófimo, o efésio, junto com Paulo na cidade, e julgavam que Paulo o tivesse introduzido no Templo.
30. A cidade toda ficou agitada e houve ajuntamento do povo. Apoderaram-se de Paulo e o arrastaram para fora do Templo, e imediatamente as portas foram fechadas.
31. Já estavam prontos para matá-lo, quando chegou ao tribuno da coorte esta notícia: "Jerusalém inteira está amotinada."
32. O tribuno destacou imediatamente soldados e oficiais, e atacou os manifestantes. Estes, vendo o tribuno e os soldados, pararam de bater em Paulo.
33. Então, o tribuno aproximou-se, deteve Paulo, e mandou que o prendessem com duas correntes; depois perguntou quem ele era e o que havia feito.
34. Na multidão, uns gritavam uma coisa e outros, outra. Não podendo obter informação segura por causa do tumulto, o tribuno ordenou que conduzissem Paulo para a fortaleza.
35. Quando chegou junto aos degraus, Paulo teve que ser carregado pelos soldados, por causa da violência da multidão.
36. Com efeito, o povo em massa o seguia, gritando: "Mata! Mata!"
37. Paulo estava para ser recolhido à fortaleza. Então disse ao tribuno: "Posso falar com você?" O tribuno perguntou: "Você fala grego?
38. Por acaso, você não é o egípcio que, dias atrás, subverteu e arrastou ao deserto quatro mil sicários?"
39. Paulo respondeu: "Eu sou judeu, cidadão de Tarso, uma cidade importante da Cilícia. E agora, lhe peço que me deixe falar com o povo."
40. O tribuno deu permissão. E Paulo, de pé sobre os degraus, fez sinal com a mão ao povo. Houve grande silêncio, e Paulo dirigiu-lhes a palavra em língua hebraica.

[Atos 22]
Atos 22

PAULO JUSTIFICA SUA MISSÃO
1. Paulo disse: "Irmãos e pais, escutem a defesa que eu agora apresento a vocês."
2. Vendo que Paulo lhes falava em língua hebraica, fizeram mais silêncio ainda. E Paulo continuou:
3. "Eu sou judeu. Nasci em Tarso da Cilícia, mas fui educado nesta cidade, formado na escola de Gamaliel, seguindo a linha mais escrupulosa dos nossos antepassados, cheio de zelo por Deus, como todos vocês o são agora.
4. Persegui mortalmente este Caminho, prendendo e lançando à prisão homens e mulheres,
5. como o sumo sacerdote e todos os anciãos podem testemunhar. Eles até me deram carta de recomendação para os irmãos de Damasco, e para lá me dirigi, a fim de trazer algemados os que lá estivessem, a fim de serem punidos aqui em Jerusalém.
6. No entanto, aconteceu que na viagem, estando já perto de Damasco, aí pelo meio-dia, de repente uma grande luz que vinha do céu brilhou ao redor de mim.
7. Então caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: 'Saulo, Saulo, por que você me persegue?'
8. Eu perguntei: 'Quem és tu, Senhor?' Ele me respondeu: 'Eu sou Jesus, o Nazareu, a quem você está perseguindo!'
9. Meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz que me falava.
10. Então perguntei: 'Senhor, o que devo fazer?' E o Senhor me respondeu: 'Levante-se e vá para Damasco. Aí vão explicar tudo o que Deus quer que você faça.'
11. Como eu não podia enxergar por causa do brilho daquela luz, cheguei a Damasco guiado pela mão dos meus companheiros.
12. Havia na cidade certo Ananias, homem piedoso e fiel à Lei, com boa reputação junto a todos os judeus que aí moravam.
13. Ele veio ao meu encontro e me disse: 'Saulo, meu irmão, recupere a vista!' No mesmo instante recuperei a vista e pude vê-lo.
14. Então ele me disse: 'O Deus de nossos antepassados o destinou a conhecer a sua vontade, a ver o Justo e a ouvir a sua própria voz.
15. Porque você vai ser a sua testemunha de todas as coisas que viu e ouviu, diante de todos os homens.
16. Agora, não perca tempo: levante-se, receba o batismo e lave os seus pecados, invocando o nome dele'.
17. Depois eu voltei a Jerusalém, e quando estava rezando no Templo, entrei em êxtase.
18. Vi o Senhor que me dizia: 'Depressa, saia logo de Jerusalém, porque não aceitarão o testemunho que você dá a meu respeito'.
19. Então respondi: 'Mas, Senhor, eles sabem que era eu que, nas sinagogas, andava prendendo e batendo nos que acreditavam em ti.
20. E quando o sangue de Estêvão, tua testemunha, foi derramado, eu mesmo estava lá, apoiando aqueles que o matavam e guardando as roupas deles'.
21. Então o Senhor me disse: 'Vá! É para longe, é para os pagãos que eu vou enviar você'."

PAULO DEFENDE SEUS DIREITOS
22. Os judeus escutaram Paulo até esse ponto. Mas, quando ele disse essas palavras, começaram a gritar: "Tire da terra esse indivíduo! Ele não merece viver!"
23. E xingavam, e jogavam os mantos, e lançavam poeira para o alto.
24. Então o tribuno mandou recolher Paulo na fortaleza, ordenando que o interrogassem debaixo de açoites, para saber o motivo por que gritavam tanto contra ele.
25. Enquanto estavam amarrando Paulo com correias, ele disse ao centurião aí presente: "É permitido a vocês açoitar um cidadão romano sem ter sido julgado?"
26. Diante dessas palavras, o centurião foi prevenir o tribuno: "Veja bem o que vai fazer! Esse homem é cidadão romano!"
27. Então o tribuno foi e perguntou a Paulo: "Diga-me, você é cidadão romano?" Ele respondeu: "Sou sim."
28. O tribuno disse: "Eu precisei de muito dinheiro para adquirir essa cidadania!"
29. Paulo falou: "Pois eu tenho essa cidadania de nascença." Os que estavam aí para torturá-lo, imediatamente se afastaram. Até o tribuno ficou com medo ao saber que Paulo era cidadão romano, e que mesmo assim o havia acorrentado.
30. No dia seguinte, querendo saber com certeza por que Paulo estava sendo acusado pelos judeus, o tribuno o soltou e mandou reunir os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio. Depois, fez Paulo descer e o apresentou perante eles.

[Atos 23]
Atos 23

DE RÉU A JUIZ
1. Com o olhar fixo no Sinédrio, Paulo assim falou: "Irmãos, até hoje eu me comportei diante de Deus em perfeita boa consciência."
2. Mas o sumo sacerdote Ananias ordenou aos que estavam perto que batessem na boca de Paulo.
3. Então Paulo lhe disse: "Deus vai ferir a você, parede caiada! Você se senta para julgar-me segundo a Lei e, violando a Lei, ordena que me batam?"
4. Os que estavam ao seu lado lhe disseram: "Você está insultando o sumo sacerdote de Deus!"
5. Paulo respondeu: "Irmãos, eu não sabia que este é o sumo sacerdote. Pois está escrito: 'Não amaldiçoe o chefe do seu povo'."
6. A seguir, sabendo que uma parte dos presentes eram saduceus e a outra parte eram fariseus, Paulo exclamou no Sinédrio: "Irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. É por nossa esperança, a ressurreição dos mortos, que estou sendo julgado."
7. Apenas falou isso, armou-se um conflito entre fariseus e saduceus, e a assembléia se dividiu.
8. De fato, os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito, enquanto os fariseus sustentam uma coisa e outra.
9. Levantou-se um vozerio enorme. Então, alguns doutores da Lei, do partido dos fariseus, começaram a protestar, dizendo: "Não encontramos nenhum mal neste homem. E se um espírito ou anjo tivesse falado com ele?"
10. E o conflito crescia cada vez mais. Receando que Paulo fosse estraçalhado por eles, o tribuno ordenou que o destacamento descesse e o tirasse do meio deles, levando-o de novo para a fortaleza.
11. Na noite seguinte, o Senhor aproximou-se de Paulo e lhe disse: "Tenha confiança. Assim como você deu testemunho de mim em Jerusalém, é preciso que também dê testemunho em Roma."

TRAMA FRUSTRADA
12. No dia seguinte, os judeus fizeram uma conspiração e se comprometeram, sob juramento, a não comer nem beber enquanto não matassem Paulo.
13. Os que fizeram essa conjuração eram mais de quarenta homens.
14. Foram, então, procurar os chefes dos sacerdotes e os anciãos, dizendo: "Acabamos de jurar solenemente, sob anátema, que nada vamos comer enquanto não matarmos Paulo.
15. Vocês, portanto, de acordo com o Sinédrio, proponham que o tribuno o traga, sob pretexto de vocês examinarem mais minuciosamente o caso. Quanto a nós, estamos prontos para matá-lo antes que chegue aqui."
16. Entretanto, o sobrinho de Paulo soube da trama, foi à fortaleza, entrou e preveniu Paulo.
17. Então Paulo chamou um dos centuriões e disse: "Leve este rapaz ao tribuno, porque ele tem algo a comunicar."
18. O centurião conduziu o rapaz ao tribuno e disse a ele: "O prisioneiro Paulo me chamou e pediu que lhe trouxesse este rapaz, que tem algo a lhe dizer."
19. Tomando o rapaz pela mão, o tribuno o levou à parte e lhe perguntou: "O que é que você tem para me comunicar?"
20. O rapaz respondeu: "Os judeus combinaram pedir que o senhor faça Paulo descer amanhã ao Sinédrio, sob pretexto de examinarem mais minuciosamente a sua causa.
21. Não acredite neles. Mais de quarenta homens estão de emboscada contra Paulo. Eles juraram, sob anátema, não comer nem beber enquanto não o matarem. Agora estão de prontidão e esperam que o Senhor dê o consentimento."
22. O tribuno despediu o rapaz, recomendando: "Não diga a ninguém que você me trouxe essas informações."
23. Então o tribuno chamou dois centuriões e ordenou: "Coloquem de prontidão, desde as nove horas da noite, duzentos soldados, setenta cavaleiros e duzentos lanceiros para irem até Cesaréia.
24. E também cavalos, para que Paulo possa viajar e ser conduzido são e salvo ao governador Félix."
25. Depois, o tribuno escreveu a seguinte carta:
26. "Cláudio Lísias ao excelentíssimo governador Félix, saudações!
27. Este homem caiu em poder dos judeus e estava para ser morto por eles. Então cheguei com a tropa e o arranquei das mãos deles, porque fiquei sabendo que era cidadão romano.
28. Querendo averiguar o motivo por que o acusavam, eu mandei levá-lo ao Sinédrio deles.
29. Verifiquei que ele era incriminado por questões referentes à lei que os rege, não havendo nenhum crime que justificasse morte ou prisão.
30. Informado que existia, por parte dos judeus, um atentado contra este homem, tratei de enviá-lo ao senhor. Comuniquei aos acusadores que devem expor na presença do senhor o que eles tem contra este homem."
31. Conforme lhes fora ordenado, os soldados tomaram Paulo e o levaram de noite até Antipátrida.
32. No dia seguinte, os soldados voltaram à fortaleza e deixaram os cavaleiros seguir viagem com Paulo.
33. Chegando a Cesaréia, os cavaleiros entregaram a carta ao governador e lhe apresentaram Paulo.
34. Depois de ler a carta, o governador quis saber qual era a província de origem de Paulo. Informado que era da Cilícia, disse-lhe:
35. "Quando os seus acusadores chegarem, eu ouvirei você." E mandou que Paulo ficasse preso no palácio de Herodes.

[Atos 24]
Atos 24

CRISTIANISMO É CAMINHO
1. Cinco dias depois, o sumo sacerdote Ananias foi a Cesaréia com alguns anciãos e um advogado chamado Tertulo. Eles se apresentaram ao governador como acusadores de Paulo.
2. Quando Paulo foi chamado, Tertulo começou a acusação dizendo: "Excelentíssimo governador Félix. Gozamos de paz profunda graças à sua direção e às reformas feitas em favor deste povo.
3. Reconhecemos e agradecemos todos esses benefícios realizados sempre e em toda parte.
4. Mas, para não detê-lo muito tempo, peço sua atenção por um instante, pois conhecemos a sua benevolência.
5. Verificamos que este homem é uma peste: ele promove conflitos entre os judeus do mundo inteiro e é também um dos líderes da seita dos nazareus.
6. Ele tentou inclusive profanar o Templo, por isso o prendemos. Pretendíamos julgá-lo segundo a nossa Lei,
7. mas o tribuno Lísias interveio, arrancou-o das nossas mãos com muita violência e ordenou a seus acusadores que comparecessem diante da sua presença.
8. Interrogando-o, Vossa Excelência poderá certificar-se de todas as coisas de que nós o estamos acusando."
9. Os judeus também apoiavam Tertulo, sustentando que as coisas eram assim mesmo.
10. Então o governador fez sinal para que Paulo falasse. E este começou: "Eu sei que há muitos anos Vossa Excelência é juiz desta nação e, por isso, me sinto à vontade para defender a minha causa.
11. Como Vossa Excelência mesmo pode comprovar, faz apenas doze dias que subi em peregrinação a Jerusalém.
12. Ora, nem no Templo, nem nas sinagogas, nem pela cidade, jamais alguém me viu discutindo com outra pessoa ou provocando desordem na multidão.
13. Eles não podem provar aquilo de que agora me acusam.
14. Confesso-lhe, porém, uma coisa: eu estou a serviço do Deus de nossos pais, segundo o Caminho, que eles chamam de seita. Acredito em tudo o que está conforme a Lei e em tudo o que se encontra escrito nos Profetas.
15. Tenho em Deus a mesma esperança que eles têm, ou seja: que todos vão ressuscitar, tanto os justos como os injustos.
16. Por isso, eu também me esforço para manter sempre a consciência limpa diante de Deus e dos homens.
17. Depois de muitos anos, vim trazer esmolas para o meu povo e também apresentar ofertas.
18. Quando eu estava fazendo isso, depois de ter feito a cerimônia da purificação, eles me encontraram no Templo. Não havia ajuntamento nem tumulto.
19. Alguns judeus da Ásia, porém... São eles que deveriam apresentar-se à Vossa Excelência e acusar-me, caso tivessem algo contra mim.
20. Ou então, que estes homens aqui digam se encontraram em mim algum crime quando compareci diante do Sinédrio.
21. A não ser que se trate desta única frase que gritei no meio deles: 'É por causa da ressurreição dos mortos que estou sendo julgado hoje diante de vocês'."

TESTEMUNHO DIANTE DA CORRUPÇÃO
22. Félix estava bem informado a respeito do Caminho e adiou a causa, dizendo: "Quando o tribuno Lísias chegar, eu resolverei o caso de vocês."
23. E ordenou que o centurião mantivesse Paulo preso, mas que lhe desse bom tratamento e não impedisse que seus amigos o visitassem.
24. Alguns dias mais tarde, Félix veio com sua esposa Drusila, que era judia. Mandou chamar Paulo e o ouviu falar da fé em Jesus Cristo.
25. Mas, quando Paulo começou a comentar sobre a justiça, a continência e o julgamento futuro, Félix ficou com medo e disse: "Por agora você pode ir. Quando eu tiver mais tempo, mandarei chamá-lo."
26. Além disso, Félix esperava que Paulo lhe desse dinheiro. Por isso, mandava chamá-lo freqüentemente e conversava com ele.
27. Dois anos depois, Pórcio Festo ocupou o lugar de Félix. Entretanto, querendo agradar aos judeus, Félix havia deixado Paulo na prisão.

[Atos 25]
Atos 25

OS PODEROSOS TEMEM FAZER JUSTIÇA
1. Três dias depois de chegar à província, Festo subiu de Cesaréia para Jerusalém.
2. Os chefes dos sacerdotes e os mais notáveis dentre os judeus se apresentaram para acusar Paulo. Pediam com insistência,
3. movidos contra Paulo, o especial favor de transferi-lo para Jerusalém. É que preparavam uma emboscada para matar Paulo durante a viagem.
4. Festo, porém, respondeu que o lugar da prisão de Paulo era Cesaréia e que ele mesmo partiria muito em breve para lá.
5. E completou: "Aqueles que dentre vocês estiverem habilitados, desçam comigo a Cesaréia. E se alguma coisa existe de irregular nesse homem, apresentem acusação contra ele."
6. Festo ficou com eles não mais de oito ou dez dias e foi para Cesaréia. No dia seguinte, sentou-se no tribunal e mandou trazer Paulo.
7. Quando Paulo chegou, os judeus que tinham ido de Jerusalém o rodearam, apresentando muitas e graves acusações, que no entanto não conseguiam provar.
8. Paulo se defendeu, dizendo: "Eu não fiz nada contra a Lei dos judeus, nem contra o Templo, nem contra o Imperador."
9. Querendo agradar aos judeus, Festo disse a Paulo: "Você quer subir a Jerusalém para ser julgado lá, em minha presença, a respeito dessas coisas?"
10. Paulo respondeu: "Estou diante do tribunal de César, e é aqui que devo ser julgado. Não pratiquei nenhum crime contra os judeus, como Vossa Excelência perfeitamente reconhece.
11. Se cometi uma injustiça ou alguma coisa que mereça a morte, não recuso morrer. Mas, se não há nada daquilo de que me acusam, ninguém pode entregar-me a eles. Apelo para César."
12. Então Festo conferenciou com o seu conselho e disse: "Você apelou para César; então irá a César."

AFINAL, ACUSAR DE QUÊ?
13. Alguns dias depois, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesaréia e foram cumprimentar Festo.
14. Como ficassem alguns dias aí, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: "Está aqui um homem que Félix deixou prisioneiro.
15. Quando eu estive em Jerusalém, os chefes dos sacerdotes e os anciãos dos judeus trouxeram acusações contra ele e me pediram que o condenasse.
16. Mas eu respondi a eles que os romanos não costumam entregar um homem antes que o acusado tenha sido confrontado com os acusadores e possa defender-se da acusação.
17. Eles vieram para cá e, no dia seguinte, sem demora, sentei-me no tribunal e mandei trazer o homem.
18. Seus acusadores compareceram diante dele, mas não trouxeram nenhuma acusação de crimes de que eu pudesse suspeitar.
19. Tinham somente certas questões sobre sua própria religião e a respeito de certo Jesus que já morreu, mas que Paulo afirma estar vivo.
20. Eu não sabia o que fazer para averiguar o assunto. Perguntei então a Paulo se ele preferia ir a Jerusalém, para ser julgado lá.
21. Mas Paulo fez uma apelação para que a sua causa fosse reservada ao juízo do Augusto Imperador. Ordenei, então, que ficasse preso até que eu pudesse enviá-lo a César."
22. Agripa disse então a Festo: "Eu também gostaria de ouvir esse homem."
23. No dia seguinte, Agripa e Berenice chegaram com grande pompa e foram à sala de audiências, junto com os tribunos e as pessoas importantes da cidade. Festo deu uma ordem, e Paulo foi introduzido.
24. Então Festo disse: "Rei Agripa e cidadãos aqui presentes: vocês estão vendo aqui o homem por causa de quem toda a comunidade dos judeus recorreu a mim, tanto em Jerusalém como aqui, exigindo que ele não deve continuar vivo.
25. No entanto, eu verifiquei que ele não fez nada que mereça a morte; mas, como ele mesmo apelou para César, decidi enviá-lo.
26. Acontece que nada tenho de concreto sobre ele para escrever ao soberano. Por isso, eu o faço comparecer diante de vocês, principalmente diante de Vossa Excelência, rei Agripa, a fim de que, após o interrogatório, eu tenha o que escrever.
27. Com efeito, pareceu-me absurdo enviar um prisioneiro sem indicar as acusações movidas contra ele."

[Atos 26]
Atos 26

AUTODEFESA DE PAULO
1. Agripa dirigiu-se a Paulo: "Você tem a permissão de falar em sua defesa." Então Paulo estendeu a mão e começou a sua defesa:
2. "Rei Agripa, considero-me feliz de poder, em sua presença, defender-me de todas as coisas de que os judeus me acusam.
3. Ainda mais que o Senhor está a par dos costumes e controvérsias dos judeus. Portanto, peço-lhe que me escute com paciência.
4. Todos os judeus sabem como foi a minha vida desde a minha juventude, no meio do meu povo e em Jerusalém, desde o início.
5. Eles me conhecem de longa data e, se quiserem, podem testemunhar que vivi como fariseu, conforme a seita mais rígida de nossa religião.
6. E hoje estou sendo julgado por causa da esperança prometida por Deus aos nossos pais
7. e que as nossas doze tribos esperam conseguir, servindo a Deus dia e noite, com perseverança. É por causa dessa esperança, ó rei, que estou sendo acusado pelos judeus.
8. Por que é que vocês acham tão incrível que Deus ressuscite os mortos?
9. Eu também antes acreditava ser meu dever combater com todas as forças o nome de Jesus, o Nazareu.
10. E foi isso que eu fiz em Jerusalém: prendi muitos cristãos com autorização dos chefes dos sacerdotes, e dei o meu voto para que fossem condenados à morte.
11. Em todas as sinagogas eu procurava obrigá-los a blasfemar por meio de torturas e, no auge do furor, eu os caçava até em cidades estrangeiras.
12. Com essa intenção, eu estava indo a Damasco, com autorização e a mando dos chefes dos sacerdotes.
13. Ó rei, eu estava a caminho, quando aí pelo meio-dia vi uma luz vinda do céu, mais brilhante que o sol. Essa luz me envolveu, a mim e aos que me acompanhavam.
14. Todos nós caímos por terra. Então ouvi uma voz que me dizia em hebraico: 'Saulo, Saulo, por que você me persegue? É difícil você teimar contra o ferrão!'
15. Eu respondi: 'Quem és tu, Senhor?' E o Senhor me respondeu: 'Eu sou Jesus, aquele que você está perseguindo.
16. Mas agora levante-se e fique de pé. O motivo pelo qual apareci a você é este: eu o constituí para ser servo e testemunha desta visão, na qual você me viu, e também de outras visões, nas quais eu aparecerei a você.
17. Eu vou livrá-lo deste povo e dos pagãos, aos quais eu o envio,
18. para que você abra os olhos deles e assim se convertam das trevas para a luz, da autoridade de Satanás para Deus. Desse modo, pela fé em mim, eles receberão o perdão dos pecados e a herança entre os santificados'.
19. E eu, rei Agripa, não me rebelei contra essa visão celeste.
20. Ao contrário: vivendo da maneira que corresponde a essa conversão, eu anunciei o arrependimento e a conversão a Deus, primeiro aos habitantes de Damasco, aos de Jerusalém e de toda a Judéia, e depois aos pagãos.
21. É por isso que os judeus me agarraram e tentaram matar-me.
22. Mas, com a proteção de Deus, eu continuo até hoje dando testemunho diante de pequenos e grandes. Não prego nada mais do que os Profetas e Moisés disseram que havia de acontecer,
23. isto é, que o Messias devia sofrer e que, ressuscitado por primeiro dentre os mortos, ele devia anunciar a luz ao povo e aos pagãos."

OCASIÃO DE TESTEMUNHO
24. Paulo estava assim falando em sua defesa, quando Festo o interrompeu em alta voz: "Você está ficando louco, Paulo. Todo esse seu saber o está levando à loucura!"
25. Mas Paulo respondeu: "Não estou ficando louco, excelentíssimo Festo, mas estou falando palavras verdadeiras e sensatas.
26. O próprio rei, a quem estou me dirigindo com toda a coragem, certamente está a par dessas coisas. Acredito que nada disso lhe é desconhecido, porque essas coisas não aconteceram num lugar distante.
27. Rei Agripa, o senhor acredita nos Profetas? Eu sei que acredita."
28. Então Agripa disse a Paulo: "Ainda um pouco, e você vai me convencer a tornar-me cristão!"
29. Paulo respondeu: "Ainda um pouco ou ainda muito, tomara que Deus fizesse não somente o senhor, mas todos os que me escutam hoje, tornar-se como eu, mas sem essas correntes!"
30. O rei se levantou, e com ele o governador, Berenice e todos os que tomavam parte na sessão.
31. Enquanto saíam, conversavam e diziam: "Um homem como esse não pode ter feito nada que mereça a morte ou a prisão."
32. E Agripa disse a Festo: "Esse homem bem que podia ser posto em liberdade, se não tivesse apelado para César."

[Atos 27]
Atos 27

VIAGEM PARA ROMA
1. Quando foi decidido que embarcaríamos para a Itália, Paulo e alguns outros prisioneiros foram entregues a um centurião chamado Júlio, da coorte Augusta.
2. Embarcamos num navio de Adramítio, que ia partir para as costas da Ásia, e começamos a viagem. Estava conosco Aristarco, macedônio de Tessalônica.
3. No dia seguinte, fizemos escala em Sidônia. Tratando Paulo com humanidade, Júlio permitiu que ele fosse encontrar seus amigos para receber assistência deles.
4. Partindo daí, navegamos rente à ilha de Chipre, pois os ventos eram contrários.
5. Tendo atravessado o mar ao longo da Cilícia e da Panfília, depois de quinze dias, desembarcamos em Mira, na Lícia.
6. O centurião encontrou aí um navio de Alexandria que estava de partida para a Itália, e nos transferiu para ele.
7. Durante vários dias, navegamos lentamente e chegamos com dificuldade à altura de Cnido. Como o vento era contrário, navegamos rente à ilha de Creta, junto ao cabo Salmone.
8. Costeando a ilha com dificuldade, chegamos a um lugar chamado Bons Portos, perto da cidade de Lasaia.
9. Transcorrido muito tempo, a viagem estava se tornando perigosa, porque o Jejum já havia passado. Então Paulo advertiu:
10. "Amigos, vejo que a viagem está a ponto de acabar, com muito dano e prejuízo, não só da carga e do navio, mas também de nossas vidas."
11. Mas o centurião acreditou mais no piloto e no armador do que em Paulo.
12. Aliás, o porto, não era propício para passar o inverno. A maioria foi de opinião que se devia partir daí e tentar chegar até Fênix. Este é um porto de Creta, ao abrigo dos ventos noroeste e sudoeste. Aí poderiam passar o inverno.
13. Quando o vento sul começou a soprar levemente, eles pensaram que poderiam realizar o que haviam projetado. Levantaram âncoras e foram costeando Creta mais de perto.
14. Pouco depois, desencadeou-se do lado da ilha um furacão chamado Euroaquilão.
15. Incapaz de resistir ao vento, o navio foi arrastado violentamente e ficamos sem direção.
16. Passando rente a uma pequena ilha chamada Cauda, com dificuldade conseguimos recolher o bote.
17. Após tê-lo içado, os tripulantes usaram os recursos de emergência, amarrando o navio com cordas de segurança. Contudo, temendo encalhar em Sirte, soltaram a âncora e continuaram sem direção.
18. No dia seguinte, batidos furiosamente pela tempestade, começaram a jogar a carga no mar.
19. No terceiro dia, com as próprias mãos lançaram ao mar até o equipamento do navio.
20. Por vários dias, não vimos nem o sol nem as estrelas, e a tempestade continuava a bater fortemente. Por fim perdemos toda a esperança de salvação.
21. Estávamos muito tempo sem comer nada. Então Paulo se pôs de pé no meio deles, e disse: "Amigos, se vocês tivessem me escutado e não tivessem saído de Creta, teríamos evitado este perigo e este prejuízo.
22. Apesar disso, aconselho que vocês sejam corajosos, porque ninguém de vocês vai morrer: só perderão o navio.
23. Esta noite me apareceu um anjo do Deus ao qual pertenço e a quem adoro.
24. O anjo me disse: 'Não tenha medo, Paulo. Você deve comparecer diante de César. E Deus concede a você a vida de todos os seus companheiros de viagem'.
25. Portanto, coragem, amigos! Confio em Deus que as coisas acontecerão como me foi dito.
26. Entretanto, devemos ser arremessados em alguma ilha."
27. Já fazia catorze noites que éramos jogados de um lado para outro no mar Adriático, quando, aí pela meia-noite, os marinheiros viram sinal de terra.
28. Então lançaram a sonda e deu trinta e seis metros de profundidade; um pouco mais adiante, lançaram de novo a sonda e deu vinte e sete metros.
29. Com medo de que o navio batesse em rochas, eles desceram quatro âncoras do lado de trás do navio e esperavam ansiosamente que o dia surgisse.
30. Entretanto, os marinheiros tentavam fugir do navio. Com o pretexto de jogar âncoras do lado dianteiro, já estavam descendo o bote ao mar.
31. Então Paulo disse ao centurião e aos soldados: "Se eles não ficarem no navio, vocês não poderão salvar-se."
32. Então os soldados cortaram as cordas do bote e deixaram que ele caísse no mar.
33. Esperando que amanhecesse, Paulo insistia que todos comessem. E dizia: "Já faz catorze dias que vocês estão esperando, em jejum, sem comer nada.
34. Aconselho que se alimentem, porque é necessário para a saúde. Pois não vai se perder nenhum cabelo da cabeça de vocês."
35. Dizendo isso, Paulo tomou o pão, deu graças a Deus diante de todos, o partiu e começou a comer.
36. Então eles se reanimaram e também se alimentaram.
37. No navio éramos ao todo duzentas e setenta e seis pessoas.
38. Depois de comerem com fartura, jogaram o trigo ao mar, aliviando assim o navio.
39. Quando amanheceu, os marinheiros não reconheceram a terra. Vendo uma enseada com uma praia, conversaram para ver se poderiam conduzir o navio até lá.
40. Soltaram as âncoras, deixando o navio ao movimento do mar. Ao mesmo tempo, desamarraram as cordas dos lemes, levantaram a vela da frente e dirigiram o navio para a praia.
41. Mas o navio foi de encontro a um banco de areia e encalhou. A parte dianteira, atolada, ficou imóvel, mas a parte traseira começou a desconjuntar-se pela violência das ondas.
42. Então, os soldados decidiram matar os prisioneiros, para evitar que alguns deles escapassem a nado.
43. Mas o oficial romano, querendo salvar Paulo, não aceitou a idéia. Mandou aos que sabiam nadar que saltassem primeiro e alcançassem a terra.
44. Depois mandou que os outros fossem atrás, agarrados em pranchas ou em qualquer pedaço do navio. Assim todos chegaram à terra, sãos e salvos.

[Atos 28]
Atos 28

O PODER DA TESTEMUNHA
1. Estando já a salvo, soubemos que a ilha se chamava Malta.
2. Os nativos nos trataram com extraordinária bondade. Eles acolheram a todos nós ao redor de uma grande fogueira que tinham aceso, pois estava chovendo e fazia frio.
3. Paulo recolhera um feixe de lenha seca e a jogava na fogueira. Então uma cobra, fugindo do calor, saiu e se prendeu na mão de Paulo.
4. Vendo a cobra dependurada em sua mão, os nativos disseram: "Este homem certamente é um assassino: escapou do naufrágio, mas a justiça divina não o deixa viver."
5. Paulo, porém, sacudiu a cobra para dentro do fogo, e não sentiu nada.
6. Os nativos ficaram na expectativa de que ele inchasse e caísse morto de repente. Depois de esperarem por um bom tempo e, vendo que nada acontecia, mudaram de idéia e começaram a dizer que ele era um deus.
7. Perto desse lugar ficava a propriedade do Chefe da ilha, que se chamava Públio. Ele nos recebeu com gentileza e nos hospedou por três dias.
8. O pai dele estava com febre e disenteria. Paulo foi visitá-lo, rezou, impôs as mãos sobre ele e o curou.
9. Depois disso, os doentes da ilha começaram a ir ao encontro de Paulo e eram curados.
10. Demonstraram, então, muitos sinais de estima e, quando estávamos de partida, levaram para o navio tudo o que precisávamos.

CHEGADA A ROMA
11. Depois de três meses, embarcamos num navio alexandrino, que passara o inverno na ilha e que tinha os Dióscuros como emblema.
12. Fizemos escala em Siracusa e aí permanecemos três dias.
13. Em seguida, costeando, chegamos a Régio. No dia seguinte, levantou-se o vento sul e em dois dias chegamos a Putéoli.
14. Aí encontramos alguns irmãos que nos pediram para ficar com eles sete dias. Em seguida fomos para Roma.
15. Os irmãos de Roma, que tiveram notícia de nossas peripécias, foram receber-nos no Foro Ápio e nas Três Tabernas. Ao vê-los, Paulo deu graças a Deus e sentiu-se encorajado.
16. Quando entramos em Roma, Paulo recebeu permissão para morar em casa particular, sob a vigilância de um soldado.

"... ATÉ AOS EXTREMOS DA TERRA"
17. Três dias depois, Paulo convocou os líderes dos judeus. Quando estavam reunidos, falou: "Irmãos, eu não fiz nada contra o nosso povo, nem contra as tradições de nossos antepassados. No entanto, vim de Jerusalém como prisioneiro, e assim fui entregue nas mãos dos romanos.
18. Interrogado por eles no tribunal e, não havendo nada em mim que merecesse a morte, eles queriam me soltar.
19. Mas os judeus se opuseram e eu fui obrigado a apelar para César, sem nenhuma intenção de acusar minha nação.
20. É por isso que eu pedi para ver vocês e para lhes falar, pois estou carregando esta corrente justamente por causa da esperança de Israel."
21. Então eles disseram a Paulo: "Nós não recebemos nenhuma carta da Judéia falando sobre você, e nenhum dos irmãos que aqui chegaram relatou qualquer coisa de mal contra você.
22. No entanto, gostaríamos de ouvir de sua própria boca o que você pensa, pois sabemos que essa sua seita está encontrando oposição em toda parte."
23. Então marcaram um dia e foram com mais gente para se encontrar com ele no seu alojamento. Desde o amanhecer até à tarde, Paulo fez uma exposição baseada na Lei de Moisés e nos Profetas, dando testemunho do Reino de Deus e procurando convencê-los a respeito de Jesus.
24. Alguns aceitaram o que ele dizia, mas outros não quiseram acreditar.
25. Houve, assim, discordância entre eles. Enquanto iam saindo, Paulo só disse uma coisa: "Bem que o Espírito Santo falou aos antepassados de vocês por meio do profeta Isaías:
26. 'Vá ter com esse povo e diga-lhe: vocês vão escutar bem, mas não compreenderão; vocês vão olhar bem, mas não verão.
27. O coração desse povo está embotado; ouviram mal com os ouvidos e taparam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, e não entendam com o coração, nem se convertam e eu não os cure!'
28. Pois então, fiquem sabendo vocês: esta salvação de Deus é enviada aos pagãos, e eles a escutarão"./
29. /
30. Paulo morou dois anos numa casa alugada, vivendo às custas do seu próprio trabalho. Recebia a todos os que o procuravam,
31. pregando o Reino de Deus. Com toda a coragem e sem obstáculos, ele ensinava as coisas que se referiam ao Senhor Jesus Cristo.

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