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Gênesis

 

[Gênesis 1] I. ORIGEM DO MUNDO E DA HUMANIDADE

1. A CRIAÇÃO

Gênesis 1

A HUMANIDADE, PONTO ALTO DA CRIAÇÃO
1. No princípio, Deus criou o céu e a terra.
2. A terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam o abismo e um vento impetuoso soprava sobre as águas.
3. Deus disse: "Que exista a luz!" E a luz começou a existir.
4. Deus viu que a luz era boa. E Deus separou a luz das trevas:
5. à luz Deus chamou "dia", e às trevas chamou "noite". Houve uma tarde e uma manhã: foi o primeiro dia.
6. Deus disse: "Que exista um firmamento no meio das águas para separar águas de águas!"
7. Deus fez o firmamento para separar as águas que estão acima do firmamento das águas que estão abaixo do firmamento. E assim se fez.
8. E Deus chamou ao firmamento "céu". Houve uma tarde e uma manhã: foi o segundo dia.
9. Deus disse: "Que as águas que estão debaixo do céu se ajuntem num só lugar, e apareça o chão seco". E assim se fez.
10. E Deus chamou ao chão seco "terra", e ao conjunto das águas "mar". E Deus viu que era bom.
11. Deus disse: "Que a terra produza relva, ervas que produzam semente, e árvores que dêem frutos sobre a terra, frutos que contenham semente, cada uma segundo a sua espécie". E assim se fez.
12. E a terra produziu relva, ervas que produzem semente, cada uma segundo a sua espécie, e árvores que dão fruto com a semente, cada uma segundo a sua espécie. E Deus viu que era bom.
13. Houve uma tarde e uma manhã: foi o terceiro dia.
14. Deus disse: "Que existam luzeiros no firmamento do céu, para separar o dia da noite e para marcar festas, dias e anos;
15. e sirvam de luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra". E assim se fez.
16. E Deus fez os dois grandes luzeiros: o luzeiro maior para regular o dia, o luzeiro menor para regular a noite, e as estrelas.
17. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra,
18. para regular o dia e a noite e para separar a luz das trevas. E Deus viu que era bom.
19. Houve uma tarde e uma manhã: foi o quarto dia.
20. Deus disse: "Que as águas fiquem cheias de seres vivos e os pássaros voem sobre a terra, sob o firmamento do céu".
21. E Deus criou as baleias e os seres vivos que deslizam e vivem na água, conforme a espécie de cada um, e as aves de asas conforme a espécie de cada uma. E Deus viu que era bom.
22. E Deus os abençoou e disse: "Sejam fecundos, multipliquem-se e encham as águas do mar; e que as aves se multipliquem sobre a terra".
23. Houve uma tarde e uma manhã: foi o quinto dia.
24. Deus disse: "Que a terra produza seres vivos conforme a espécie de cada um: animais domésticos, répteis e feras, cada um conforme a sua espécie". E assim se fez.
25. E Deus fez as feras da terra, cada uma conforme a sua espécie; os animais domésticos, cada um conforme a sua espécie; e os répteis do solo, cada um conforme a sua espécie. E Deus viu que era bom.
26. Então Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele domine os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra".
27. E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher.
28. E Deus os abençoou e lhes disse: "Sejam fecundos, multipliquem-se, encham e submetam a terra; dominem os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres vivos que rastejam sobre a terra".
29. E Deus disse: "Vejam! Eu entrego a vocês todas as ervas que produzem semente e estão sobre toda a terra, e todas as árvores em que há frutos que dão semente: tudo isso será alimento para vocês.
30. E para todas as feras, para todas as aves do céu e para todos os seres que rastejam sobre a terra e nos quais há respiração de vida, eu dou a relva como alimento". E assim se fez.
31. E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: foi o sexto dia.

[Gênesis 2]
Gênesis 2

1. Assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército.
2. No sétimo dia, Deus terminou todo o seu trabalho; e no sétimo dia, ele descansou de todo o seu trabalho.
3. Deus então abençoou e santificou o sétimo dia, porque foi nesse dia que Deus descansou de todo o seu trabalho como criador.
4a. Essa é a história da criação do céu e da terra.

A HUMANIDADE É O CENTRO DA CRIAÇÃO
4b. Quando Javé Deus fez a terra e o céu,
5. ainda não havia na terra nenhuma planta do campo, pois no campo ainda não havia brotado nenhuma erva: Javé Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem que cultivasse o solo
6. e fizesse subir da terra a água para regar a superfície do solo.
7. Então Javé Deus modelou o homem com a argila do solo, soprou-lhe nas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivente.
8. Javé Deus plantou um jardim em Éden, no Oriente, e aí colocou o homem que havia modelado.
9. Javé Deus fez brotar do solo todas as espécies de árvores formosas de ver e boas de comer. Além disso, colocou a árvore da vida no meio do jardim, e também a árvore do conhecimento do bem e do mal.
10. Um rio saía de Éden para regar o jardim, e de lá se dividia em quatro braços.
11. O primeiro chama-se Fison: é aquele que rodeia toda a terra de Hévila, onde existe ouro;
12. e o ouro dessa terra é puro, e nela se encontram também o bdélio e a pedra de ônix.
13. O segundo rio chama-se Geon: ele rodeia toda a terra de Cuch.
14. O terceiro rio chama-se Tigre e corre pelo oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates.
15. Javé Deus tomou o homem e o colocou no jardim de Éden, para que o cultivasse e guardasse.
16. E Javé Deus ordenou ao homem: "Você pode comer de todas as árvores do jardim.
17. Mas não pode comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, com certeza você morrerá".
18. Javé Deus disse: "Não é bom que o homem esteja sozinho. Vou fazer para ele uma auxiliar que lhe seja semelhante".
19. Então Javé Deus formou do solo todas as feras e todas as aves do céu. E as apresentou ao homem para ver com que nome ele as chamaria: cada ser vivo levaria o nome que o homem lhe desse.
20. O homem deu então nome a todos os animais, às aves do céu e a todas as feras. Mas o homem não encontrou uma auxiliar que lhe fosse semelhante.
21. Então Javé Deus fez cair um torpor sobre o homem, e ele dormiu. Tomou então uma costela do homem e no lugar fez crescer carne.
22. Depois, da costela que tinha tirado do homem, Javé Deus modelou uma mulher, e apresentou-a para o homem.
23. Então o homem exclamou: "Esta sim é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque foi tirada do homem!"
24. Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe, e se une à sua mulher, e eles dois se tornam uma só carne.
25. Ora, o homem e sua mulher estavam nus, porém, não sentiam vergonha.

[Gênesis 3]
2. AMBIGÜIDADE HUMANA E GRAÇA DE DEUS

Gênesis 3

A ORIGEM DO MAL
1. A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que Javé Deus havia feito. Ela disse para a mulher: "É verdade que Deus disse que vocês não devem comer de nenhuma árvore do jardim?"
2. A mulher respondeu para a serpente: "Nós podemos comer dos frutos das árvores do jardim.
3. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: 'Vocês não comerão dele, nem o tocarão, do contrário vocês vão morrer' ".
4. Então a serpente disse para a mulher: "De modo nenhum vocês morrerão.
5. Mas Deus sabe que, no dia em que vocês comerem o fruto, os olhos de vocês vão se abrir, e vocês se tornarão como deuses, conhecedores do bem e do mal".
6. Então a mulher viu que a árvore tentava o apetite, era uma delícia para os olhos e desejável para adquirir discernimento. Pegou o fruto e o comeu; depois o deu também ao marido que estava com ela, e também ele comeu.
7. Então abriram-se os olhos dos dois, e eles perceberam que estavam nus. Entrelaçaram folhas de figueira e fizeram tangas.
8. Em seguida, eles ouviram Javé Deus passeando no jardim à brisa do dia. Então o homem e a mulher se esconderam da presença de Javé Deus, entre as árvores do jardim.
9. Javé Deus chamou o homem: "Onde está você?"
10. O homem respondeu: "Ouvi teus passos no jardim: tive medo, porque estou nu, e me escondi".
11. Javé Deus continuou: "E quem lhe disse que você estava nu? Por acaso você comeu da árvore da qual eu lhe tinha proibido comer?"
12. O homem respondeu: "A mulher que me deste por companheira deu-me o fruto, e eu comi".
13. Javé Deus disse para a mulher: "O que foi que você fez?" A mulher respondeu: "A serpente me enganou, e eu comi".
14. Então Javé Deus disse para a serpente: "Por ter feito isso, você é maldita entre todos os animais domésticos e entre todas as feras. Você se arrastará sobre o ventre e comerá pó todos os dias de sua vida.
15. Eu porei inimizade entre você e a mulher, entre a descendência de você e os descendentes dela. Estes vão lhe esmagar a cabeça, e você ferirá o calcanhar deles".
16. Javé Deus disse então para a mulher: "Vou fazê-la sofrer muito em sua gravidez: entre dores, você dará à luz seus filhos; a paixão vai arrastar você para o marido, e ele a dominará".
17. Javé Deus disse para o homem: "Já que você deu ouvidos à sua mulher e comeu da árvore cujo fruto eu lhe tinha proibido comer, maldita seja a terra por sua causa. Enquanto você viver, você dela se alimentará com fadiga.
18. A terra produzirá para você espinhos e ervas daninhas, e você comerá a erva dos campos.
19. Você comerá seu pão com o suor do seu rosto, até que volte para a terra, pois dela foi tirado. Você é pó, e ao pó voltará".
20. O homem deu à sua mulher o nome de Eva, por ser ela a mãe de todos os que vivem.
21. Javé Deus fez túnicas de pele para o homem e sua mulher, e os vestiu.
22. Depois Javé Deus disse: "O homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Que ele, agora, não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma, e viva para sempre".
23. Então Javé Deus expulsou o homem do jardim de Éden para cultivar o solo de onde fora tirado.
24. Ele expulsou o homem e colocou diante do jardim de Éden os querubins e a espada chamejante, para guardar o caminho da árvore da vida.

[Gênesis 4]
Gênesis 4

O ROMPIMENTO DA FRATERNIDADE
1. O homem se uniu a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim. E disse: "Adquiri um homem com a ajuda de Javé".
2. Depois ela também deu à luz Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor de ovelhas e Caim cultivava o solo.
3. Depois de algum tempo, Caim apresentou produtos do solo como oferta a Javé.
4. Abel, por sua vez, ofereceu os primogênitos e a gordura do seu rebanho. Javé gostou de Abel e de sua oferta,
5. e não gostou de Caim e da oferta dele. Caim ficou então muito enfurecido e andava de cabeça baixa.
6. E Javé disse a Caim: "Por que você está enfurecido e anda de cabeça baixa?
7. Se você agisse bem, andaria com a cabeça erguida; mas, se você não age bem, o pecado está junto à porta, como fera acuada, espreitando você. Por acaso, será que você pode dominá-la?"
8. Entretanto, Caim disse a seu irmão Abel: "Vamos sair". E quando estavam no campo, Caim se lançou contra o seu irmão Abel e o matou.
9. Então Javé perguntou a Caim: "Onde está o seu irmão Abel?" Caim respondeu: "Não sei. Por acaso eu sou o guarda do meu irmão?"
10. Javé disse: "O que foi que você fez? Ouço o sangue do seu irmão, clamando da terra para mim.
11. Por isso você é amaldiçoado por essa terra que abriu a boca para receber de suas mãos o sangue do seu irmão.
12. Ainda que você cultive o solo, ele não lhe dará mais o seu produto. Você andará errante e perdido pelo mundo".
13. Caim disse a Javé: "Minha culpa é grave e me atormenta.
14. Se hoje me expulsas do solo fértil, terei de esconder-me de ti, andando errante e perdido pelo mundo; o primeiro que me encontrar, me matará".
15. Javé lhe respondeu: "Quem matar Caim será vingado sete vezes". E Javé colocou um sinal sobre Caim, a fim de que ele não fosse morto por quem o encontrasse.
16. Caim saiu da presença de Javé, e habitou na terra de Nod, a leste de Éden.

PROGRESSO E VIOLÊNCIA
17. Caim se uniu à sua mulher, que concebeu e deu à luz Henoc. Caim construiu uma cidade, e deu à cidade o nome de seu filho Henoc.
18. Henoc gerou Irad, e Irad gerou Maviael; Maviael gerou Matusael, e Matusael gerou Lamec.
19. Lamec tomou para si duas mulheres: a primeira se chamava Ada e a segunda se chamava Sela.
20. Ada deu à luz Jabel, que foi o antepassado dos pastores nômades.
21. Seu irmão se chamava Jubal, que foi o antepassado de todos os tocadores de lira e flauta.
22. Sela, por sua vez, deu à luz Tubalcaim, que foi o antepassado de todos os que forjam ferramentas de bronze e ferro. A irmã de Tubalcaim era Noema.
23. Lamec disse para as suas mulheres: "Ada e Sela, ouçam minha voz; mulheres de Lamec, escutem minha palavra: Por uma ferida, eu matarei um homem, e por uma cicatriz matarei um jovem.
24. Se a vingança de Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta e sete".
25. Adão se uniu à sua mulher; ela deu então à luz um filho, e lhe deu o nome de Set, dizendo: "Deus me concedeu outro descendente no lugar de Abel, que Caim matou".
26. Set também teve um filho, a quem deu o nome de Enós. Este foi o primeiro a invocar o nome de Javé.

[Gênesis 5]
Gênesis 5

A SALVAÇÃO PRESENTE NA HISTÓRIA
1. Lista dos descendentes de Adão: Quando Deus criou Adão, ele o fez à semelhança de Deus.
2. Homem e mulher ele os criou, os abençoou e lhes deu o nome de "Homem", no mesmo dia em que foram criados.
3. Quando Adão completou cento e trinta anos, gerou um filho à sua semelhança e imagem, e lhe deu o nome de Set.
4. O tempo que Adão viveu, depois do nascimento de Set, foi de oitocentos anos, e gerou filhos e filhas.
5. Ao todo, Adão viveu novecentos e trinta anos. E morreu.
6. Quando Set completou cento e cinco anos, gerou Enós.
7. Depois do nascimento de Enós, Set viveu oitocentos e sete anos, e gerou filhos e filhas.
8. Ao todo, Set viveu novecentos e doze anos. E morreu.
9. Quando Enós completou noventa anos, gerou Cainã.
10. Depois do nascimento de Cainã, Enós viveu oitocentos e quinze anos, e gerou filhos e filhas.
11. Ao todo, Enós viveu novecentos e cinco anos. E morreu.
12. Quando Cainã completou setenta anos, gerou Malaleel.
13. Depois do nascimento de Malaleel, Cainã viveu oitocentos e quarenta anos, e gerou filhos e filhas.
14. Ao todo, Cainã viveu novecentos e dez anos. E morreu.
15. Quando Malaleel completou sessenta e cinco anos, gerou Jared.
16. Depois do nascimento de Jared, Malaleel viveu oitocentos e trinta anos, e gerou filhos e filhas.
17. Ao todo, Malaleel viveu oitocentos e noventa e cinco anos. E morreu.
18. Quando Jared completou cento e sessenta e dois anos, gerou Henoc.
19. Depois do nascimento de Henoc, Jared viveu oitocentos anos, e gerou filhos e filhas.
20. Ao todo, Jared viveu novecentos e sessenta e dois anos. E morreu.
21. Quando Henoc completou sessenta e cinco anos, gerou Matusalém.
22. Henoc andou com Deus. Depois do nascimento de Matusalém, Henoc viveu trezentos anos, e gerou filhos e filhas.
23. Ao todo, Henoc viveu trezentos e sessenta e cinco anos.
24. Henoc andou com Deus e desapareceu, porque Deus o arrebatou.
25. Quando Matusalém completou cento e oitenta e sete anos, gerou Lamec.
26. Depois do nascimento de Lamec, Matusalém viveu setecentos e oitenta e dois anos, e gerou filhos e filhas.
27. Ao todo, Matusalém viveu novecentos e sessenta e nove anos. E morreu.
28. Quando Lamec completou cento e oitenta e dois anos, gerou um filho.
29. Deu-lhe o nome de Noé, dizendo: "Este nos consolará do trabalho e do cansaço de nossas mãos, causados pela terra que Javé amaldiçoou".
30. Depois do nascimento de Noé, Lamec viveu quinhentos e noventa e cinco anos, e gerou filhos e filhas.
31. Ao todo, Lamec viveu setecentos e setenta e sete anos. E morreu.
32. Quando Noé completou quinhentos anos, gerou Sem, Cam e Jafé.

[Gênesis 6]
Gênesis 6

O AUGE DA CORRUPÇÃO
1. Quando os homens se multiplicaram sobre a terra e geraram filhas,
2. os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram belas, e escolheram como esposas todas aquelas que lhes agradaram.
3. Javé disse: "Meu sopro de vida não permanecerá para sempre no homem, pois ele é carne, e não viverá mais do que cento e vinte anos".
4. Nesse tempo - isto é, quando os filhos de Deus se uniram com as filhas dos homens e geraram filhos - os gigantes habitavam a terra. Esses foram os heróis famosos dos tempos antigos.
5. Javé viu que a maldade do homem crescia na terra e que todo projeto do coração humano era sempre mau.
6. Então Javé se arrependeu de ter feito o homem sobre a terra, e seu coração ficou magoado.
7. E Javé disse: "Vou exterminar da face da terra os homens que criei, e junto também os animais, os répteis e as aves do céu, porque me arrependo de os ter feito".
8. Noé, porém, encontrou graça aos olhos de Javé.

O JUSTO PRESERVA A VIDA
9. Eis a história de Noé. Noé era um homem justo, íntegro entre seus contemporâneos, e andava com Deus.
10. Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
11. A terra se corrompera diante de Deus e estava cheia de violência.
12. Deus viu a terra corrompida, porque todo homem da terra tinha se corrompido em seu comportamento.
13. Então Deus disse a Noé: "Para mim, chegou o fim de todos os homens, porque a terra está cheia de violência por causa deles. Vou destruí-los junto com a terra.
14. Faça para você uma arca de madeira resinosa; divida em compartimentos e calafete com piche, por dentro e por fora.
15. A arca deverá ter as seguintes dimensões: cento e cinqüenta metros de comprimento, vinte e cinco de largura e quinze de altura.
16. No alto da arca, faça uma clarabóia de meio metro, como arremate. Faça a entrada da arca pelo lado; e faça a arca em três andares superpostos.
17. Eu vou mandar o dilúvio sobre a terra, para exterminar todo ser vivo que respira debaixo do céu: tudo o que há na terra vai perecer.
18. Mas com você eu vou estabelecer a minha aliança, e você entrará na arca com sua mulher, seus filhos e as mulheres de seus filhos.
19. Tome um casal de cada ser vivo, isto é, macho e fêmea, e coloque-os na arca, para que conservem a vida juntamente com você.
20. De cada espécie de aves, de cada espécie de animais, de cada espécie de todos os répteis da terra, tome com você um casal, para os conservar vivos.
21. Quanto a você, ajunte e armazene todo tipo de alimento; isso vai servir de alimento para você e para eles".
22. E Noé fez tudo como Deus havia mandado.

[Gênesis 7]
Gênesis 7

1. Javé disse a Noé: "Entre na arca com toda a sua família, porque você é o único justo que encontrei nesta geração.
2. Tome sete pares, o macho e a fêmea, de todos os animais puros; tome um casal, o macho e a fêmea, dos animais que não são puros;
3. e tome também sete pares, macho e fêmea, das aves do céu, para perpetuarem a espécie sobre toda a terra.
4. Porque eu, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites, e eliminarei da face da terra todos os seres que eu fiz".
5. E Noé fez tudo como Javé havia mandado.

O RETORNO AO CAOS
6. Noé tinha seiscentos anos quando o dilúvio veio sobre a terra.
7. Noé, com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos, entrou na arca para escapar das águas do dilúvio.
8. Dos animais puros e impuros, das aves e dos répteis,
9. entrou um casal, macho e fêmea, na arca de Noé, conforme Deus havia ordenado a Noé.
10. Depois de sete dias, veio o dilúvio sobre a terra.
11. Noé tinha seiscentos anos quando se arrebentaram as fontes do oceano e se abriram as comportas do céu. Era exatamente o décimo sétimo dia do segundo mês.
12. E a chuva caiu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.
13. Nesse mesmo dia, entraram na arca Noé e seus filhos Sem, Cam e Jafé, com a mulher de Noé e as três mulheres de seus filhos;
14. e, com eles, as feras de toda espécie, animais domésticos de toda espécie, répteis de toda espécie, pássaros de toda espécie, todas as aves, tudo o que tem asas.
15. Com Noé entrou na arca um casal de tudo o que é criatura que tem sopro de vida;
16. e os que entraram, eram um macho e uma fêmea de cada ser vivo, conforme Deus havia ordenado. E Javé fechou a porta por fora.
17. Durante quarenta dias caiu o dilúvio sobre a terra. As águas subiram e ergueram a arca, que ficou acima da terra.
18. As águas subiram e cresceram muito sobre a terra. E a arca flutuava sobre as águas.
19. As águas subiam cada vez mais sobre a terra, até cobrirem as montanhas mais altas que há debaixo do céu.
20. A água alcançou a altura de sete metros e meio acima das montanhas.
21. Pereceram todos os seres vivos que se movem sobre a terra: aves, animais domésticos, feras, tudo o que vive sobre a terra e todos os homens.
22. Morreu então tudo o que tinha sopro de vida nas narinas, isto é, tudo o que estava em terra firme.
23. Desapareceram todos os seres que estavam no solo, desde o homem até os animais, os répteis e as aves do céu. Foram todos extintos da terra. Ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca.
24. E a enchente encobriu a terra durante cento e cinqüenta dias.

[Gênesis 8]
Gênesis 8

A NOVA CRIAÇÃO
1. Então Deus se lembrou de Noé e de todas as feras e animais domésticos que estavam com ele na arca. Deus fez soprar um vento sobre a terra, e as águas baixaram.
2. As fontes do oceano e as comportas do céu se fecharam, a chuva parou de cair,
3. e as águas, pouco a pouco, se retiraram da terra. As águas se retiraram depois de cento e cinqüenta dias.
4. No décimo sétimo dia do sétimo mês, a arca encalhou sobre os montes de Ararat.
5. E as águas continuaram escoando até o décimo mês, e no primeiro dia do décimo mês apareceram os picos das montanhas.
6. No fim de quarenta dias, Noé abriu a clarabóia que tinha feito na arca,
7. e soltou o corvo, que ia e vinha, esperando que as águas secassem sobre a terra.
8. Então Noé soltou a pomba que estava com ele, para ver se as águas tinham secado sobre a terra.
9. Ora, a pomba, não encontrando lugar para pousar, voltou para Noé na arca, porque havia água sobre toda a superfície da terra. Noé estendeu a mão, pegou-a e a fez entrar junto dele na arca.
10. Esperou mais sete dias, e soltou de novo a pomba fora da arca.
11. Ao entardecer, a pomba voltou para Noé, trazendo no bico um ramo novo de oliveira. Desse modo, Noé ficou sabendo que as águas tinham escoado da superfície da terra.
12. Noé esperou mais sete dias; e soltou novamente a pomba, que não voltou mais.
13. Foi no ano seiscentos e um da vida de Noé, no primeiro dia do primeiro mês, que as águas secaram sobre a terra. Noé abriu então a clarabóia da arca, olhou e viu que a superfície do solo estava seca.
14. No vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava seca.
15. Então Deus disse a Noé:
16. "Saia da arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.
17. Todos os seres vivos que estão com você, todos os animais, aves e répteis, faça-os sair com você: que encham a terra, sejam fecundos e se multipliquem na terra".
18. Então Noé saiu com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos;
19. e todas as feras, animais domésticos, aves e répteis saíram da arca, uma espécie depois da outra.
20. Noé construiu um altar para Javé, tomou animais e aves de toda espécie pura e ofereceu holocaustos sobre o altar.
21. Javé aspirou o perfume, e disse consigo: "Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, porque os projetos do coração do homem são maus desde a sua juventude. Nunca mais destruirei todos os seres vivos, como fiz.
22. Enquanto durar a terra, jamais faltarão semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite".

[Gênesis 9]
Gênesis 9

1. Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo: "Sejam fecundos, multipliquem-se e encham a terra.
2. Todos os animais da terra temerão e respeitarão vocês: as aves do céu, os répteis do solo e os peixes do mar estão no poder de vocês.
3. Tudo o que vive e se move servirá de alimento para vocês. E a vocês eu entrego tudo, como já lhes havia entregue os vegetais.
4. Mas não comam carne com o sangue, que é a vida dela.
5. Vou pedir contas do sangue, que é a vida de vocês; vou pedir contas a qualquer animal; e ao homem vou pedir contas da vida do seu irmão.
6. Quem derrama o sangue do homem, terá o seu próprio sangue derramado por outro homem. Porque o homem foi feito à imagem de Deus.
7. Quanto a vocês, sejam fecundos e se multipliquem, povoem e dominem a terra".

DEUS GARANTE A VIDA
8. Deus disse a Noé e a seus filhos:
9. "Eu estabeleço a minha aliança com vocês e com seus descendentes,
10. e com todos os animais que os acompanham: aves, animais domésticos e feras, com todos os que saíram da arca e agora vivem sobre a terra.
11. Estabeleço minha aliança com vocês: de tudo o que existe, nada mais será destruído pelas águas do dilúvio, e nunca mais haverá dilúvio para devastar a terra".
12. Deus disse: "Este é o sinal da aliança que coloco entre mim e vocês e todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras:
13. Colocarei o meu arco nas nuvens, e ele se tornará um sinal da minha aliança com a terra.
14. Quando eu reunir as nuvens sobre a terra e o arco-íris aparecer nas nuvens,
15. eu me lembrarei da minha aliança com vocês e com todos os seres vivos. E o dilúvio não voltará a destruir os seres vivos.
16. Quando o arco-íris estiver nas nuvens, eu o verei e me lembrarei da aliança eterna: aliança de Deus com todos os seres vivos, com tudo o que vive sobre a terra".
17. E Deus disse a Noé: "Este é o sinal da aliança que estabeleço com tudo o que vive sobre a terra".

BÊNÇÃO E MALDIÇÃO
18. Os filhos de Noé, que saíram da arca, foram estes: Sem, Cam e Jafé; e Cam é o antepassado de Canaã.
19. Esses três foram os filhos de Noé, e a partir deles foi povoada a terra inteira.
20. Noé, que era lavrador, plantou a primeira vinha.
21. Bebeu o vinho, embriagou-se e ficou nu dentro da tenda.
22. Cam, o antepassado de Canaã, viu seu pai nu e saiu para contar a seus dois irmãos.
23. Sem e Jafé, porém, tomaram o manto, puseram-no sobre seus próprios ombros e, andando de costas, cobriram a nudez do pai; como estavam de costas, não viram a nudez do pai.
24. Quando Noé acordou da embriaguez, ficou sabendo o que seu filho mais jovem tinha feito.
25. E disse: "Maldito seja Canaã. Que ele seja o último dos escravos para seus irmãos".
26. E continuou: "Seja bendito Javé, o Deus de Sem, e que Canaã seja escravo de Sem.
27. Que Deus faça Jafé prosperar, que ele more nas tendas de Sem, e Canaã seja seu escravo".
28. Depois do dilúvio, Noé viveu trezentos e cinqüenta anos.
29. Ao todo, Noé viveu novecentos e cinqüenta anos. E morreu.

[Gênesis 10]
Gênesis 10

A FAMÍLIA HUMANA
1. Esta é a descendência dos filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé, que tiveram filhos depois do dilúvio.
2. Filhos de Jafé: Gomer, Magog, Madai, Javã, Tubal, Mosoc e Tiras.
3. Filhos de Gomer: Asquenez, Rifat e Togorma.
4. Filhos de Javã: Elisa, Társis, Cetim e Dodanim.
5. Foi destes que se separaram as populações das ilhas, cada qual segundo o seu país, língua, família e nação.
6. Filhos de Cam: Cuch, Mesraim, Fut e Canaã.
7. Filhos de Cuch: Saba, Hévila, Sabata, Regma e Sabataca. Filhos de Regma: Sabá e Dadã.
8. Cuch gerou Nemrod, que foi o primeiro valente na terra.
9. Foi um valente caçador diante de Javé, e é por isso que se diz: "Como Nemrod, valente caçador diante de Javé".
10. As capitais do seu reino foram Babel, Arac e Acad, cidades que estão todas na terra de Senaar.
11. Dessa terra saiu Assur, que construiu Nínive, Reobot-Ir, Cale
12. e Resen, entre Nínive e Cale. Esta última é a maior.
13. Mesraim gerou os de Lud, de Anam, de Laab, de Naftu,
14. de Patros, de Caslu e de Cáftor; deste último surgiram os filisteus.
15. Canaã gerou Sídon, seu primogênito, depois Het,
16. e também o jebuseu, o amorreu, o gergeseu,
17. o heveu, o araceu, o sineu,
18. o arádio, o samareu e o emateu. Em seguida, as famílias dos cananeus se dispersaram.
19. A fronteira dos cananeus ia de Sidônia, em direção a Gerara, até Gaza; depois, em direção a Sodoma, Gomorra, Adama e Seboim, até Lesa.
20. Esses foram os filhos de Cam, segundo suas famílias e línguas, terras e nações.
21. Sem, antepassado de todos os filhos de Héber e irmão mais velho de Jafé, também teve descendência.
22. Filhos de Sem: Elam, Assur, Arfaxad, Lud e Aram.
23. Filhos de Aram: Hus, Hul, Geter e Mes.
24. Arfaxad gerou Salé, e Salé gerou Héber.
25. Héber teve dois filhos: o primeiro chamava-se Faleg, porque em seus dias a terra foi dividida; o seu irmão chamava-se Jectã.
26. Jectã gerou Elmodad, Salef, Asarmot, Jaré,
27. Aduram, Uzal, Decla,
28. Ebal, Abimael, Sabá,
29. Ofir, Hévila e Jobab; todos esses são filhos de Jectã.
30. Eles habitavam desde Mesa até Sefar, a montanha do oriente.
31. Foram esses os filhos de Sem, conforme suas famílias e línguas, suas terras e nações.
32. Foram essas as famílias dos descendentes de Noé, conforme suas linhagens e nações. Foi a partir deles que as nações se dispersaram pela terra depois do dilúvio.

[Gênesis 11]
Gênesis 11

A PRETENSÃO DA CIDADE
1. O mundo inteiro falava a mesma língua, com as mesmas palavras.
2. Ao emigrar do oriente, os homens encontraram uma planície no país de Senaar, e aí se estabeleceram.
3. E disseram uns aos outros: "Vamos fazer tijolos e cozê-los no fogo!" Utilizaram tijolos em vez de pedras, e piche no lugar de argamassa.
4. Disseram: "Vamos construir uma cidade e uma torre que chegue até o céu, para ficarmos famosos e não nos dispersarmos pela superfície da terra".
5. Então Javé desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo.
6. E Javé disse: "Eles são um povo só e falam uma só língua. Isso é apenas o começo de seus empreendimentos. Agora, nenhum projeto será irrealizável para eles.
7. Vamos descer e confundir a língua deles, para que um não entenda a língua do outro".
8. Javé os espalhou daí por toda a superfície da terra, e eles pararam de construir a cidade.
9. Por isso, a cidade recebeu o nome de Babel, pois foi aí que Javé confundiu a língua de todos os habitantes da terra, e foi daí que ele os espalhou por toda a superfície da terra.

ALVORADA DE UMA NOVA HISTÓRIA
10. Esta é a descendência de Sem: Quando Sem completou cem anos, gerou Arfaxad, dois anos depois do dilúvio.
11. Depois do nascimento de Arfaxad, Sem viveu quinhentos anos, e gerou filhos e filhas.
12. Quando Arfaxad completou trinta e cinco anos, gerou Salé.
13. Depois do nascimento de Salé, Arfaxad viveu quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas.
14. Quando Salé completou trinta anos, gerou Héber.
15. Depois do nascimento de Héber, Salé viveu quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas.
16. Quando Héber completou trinta e quatro anos, gerou Faleg.
17. Depois do nascimento de Faleg, Héber viveu quatrocentos e trinta anos, e gerou filhos e filhas.
18. Quando Faleg completou trinta anos, gerou Reu.
19. Depois do nascimento de Reu, Faleg viveu duzentos e nove anos, e gerou filhos e filhas.
20. Quando Reu completou trinta e dois anos, gerou Sarug.
21. Depois do nascimento de Sarug, Reu viveu duzentos e sete anos, e gerou filhos e filhas.
22. Quando Sarug completou trinta anos, gerou Nacor.
23. Depois do nascimento de Nacor, Sarug viveu duzentos anos, e gerou filhos e filhas.
24. Quando Nacor completou vinte e nove anos, gerou Taré.
25. Depois do nascimento de Taré, Nacor viveu cento e dezenove anos, e gerou filhos e filhas.
26. Quando Taré completou setenta anos, gerou Abrão, Nacor e Arã.
27. Esta é a descendência de Taré: Taré gerou Abrão, Nacor e Arã. Arã gerou Ló.
28. Arã morreu em Ur dos caldeus, sua terra natal, quando seu pai Taré ainda estava vivo.
29. Abrão e Nacor se casaram: a mulher de Abrão chamava-se Sarai; a mulher de Nacor era Melca, filha de Arã, que era o pai de Melca e Jesca.
30. Sarai era estéril e não tinha filhos.
31. Taré tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Arã, e sua nora Sarai, mulher de Abrão. Ele os fez sair de Ur dos caldeus para que fossem à terra de Canaã; mas, quando chegaram a Harã, aí se estabeleceram.
32. Ao todo, Taré viveu duzentos e cinco anos, e depois morreu em Harã.

[Gênesis 12]
II. ORIGEM DO POVO DE DEUS

1. ABRAÃO, O HOMEM DA FÉ

Gênesis 12

VOCAÇÃO DE ABRÃO
1. Javé disse a Abrão: "Saia de sua terra, do meio de seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.
2. Eu farei de você um grande povo, e o abençoarei; tornarei famoso o seu nome, de modo que se torne uma bênção.
3. Abençoarei os que abençoarem você e amaldiçoarei aqueles que o amaldiçoarem. Em você, todas as famílias da terra serão abençoadas".
4. Abrão partiu conforme lhe dissera Javé. E Ló partiu com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã.
5. Abrão levou consigo sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló, todos os bens que possuíam e os escravos que haviam adquirido em Harã. Partiram para a terra de Canaã e aí chegaram.
6. Abrão atravessou a terra até o lugar santo de Siquém, no Carvalho de Moré. Nesse tempo, os cananeus habitavam essa terra.
7. Javé apareceu a Abrão e lhe disse: "Eu darei esta terra à sua descendência". Abrão construiu aí um altar a Javé, que lhe havia aparecido.
8. Daí, passou para a montanha, a oriente de Betel, e armou sua tenda, com Betel a oeste e Hai a leste. E aí construiu um altar a Javé e invocou o nome de Javé.
9. Depois, de acampamento em acampamento, Abrão foi para o Negueb.

DEUS LIBERTA O OPRIMIDO
10. Houve uma carestia no país e, como a fome apertava, Abrão desceu ao Egito para aí morar.
11. Quando estava chegando ao Egito, Abrão disse à sua mulher Sarai: "Olhe! Eu sei que você é uma mulher muito bonita.
12. Quando os egípcios virem você, vão dizer: 'É a mulher dele'. E me matarão, deixando você viva.
13. Diga, por favor, que você é minha irmã, para que eles me tratem bem por sua causa e, assim, graças a você, eles me deixarão vivo".
14. De fato, quando Abrão chegou ao Egito, os egípcios viram que sua mulher era muito bonita.
15. Os oficiais do Faraó viram Sarai e a elogiaram muito diante dele; e Sarai foi levada para o palácio do Faraó.
16. Este, por causa de Sarai, tratou bem a Abrão: ele recebeu ovelhas, bois, jumentos, escravos, servas, jumentas e camelos.
17. Javé, porém, feriu o Faraó e sua corte com graves doenças, por causa de Sarai, mulher de Abrão.
18. Então o Faraó chamou Abrão, e lhe disse: "O que foi que você me fez? Por que não me declarou que ela era sua mulher?
19. Por que me disse que era sua irmã? Eu a tomei como esposa. Olhe bem! Se ela é sua mulher, tome-a e vá embora".
20. O Faraó confiou Abrão, junto com sua mulher e tudo o que possuía, a vários homens, que os levaram até a fronteira.

[Gênesis 13]
Gênesis 13

ABERTO PARA UM NOVO PROJETO
1. Abrão subiu do Egito para o Negueb, com sua mulher, seus bens e com Ló.
2. Abrão era muito rico em rebanhos, prata e ouro.
3. Do Negueb, ele se transferiu, em etapas, para Betel, no lugar onde outrora havia acampado, entre Betel e Hai,
4. no lugar onde tinha construído um altar. E invocou aí o nome de Javé.
5. Ló, que acompanhava Abrão, também possuía ovelhas, bois e tendas,
6. de modo que não podiam viver juntos na terra, porque suas posses eram tão grandes que não podiam morar juntos.
7. Por isso, houve discussões entre os pastores de Abrão e os de Ló. Nesse tempo, os cananeus e ferezeus habitavam nessa terra.
8. Abrão disse a Ló: "Não haja discussões entre nós, nem no meio de nossos pastores, porque somos irmãos.
9. A terra inteira está diante de você. Por isso lhe peço que se separe de mim. Se você for para a esquerda, eu irei para a direita; se você for para a direita, eu irei para a esquerda".
10. Ló ergueu os olhos e viu que o vale do Jordão, até a entrada de Segor, era todo irrigado; isso antes que Javé destruísse Sodoma e Gomorra: parecia o jardim de Javé ou o Egito.
11. Ló escolheu para si todo o vale do Jordão e emigrou para o oriente. E assim os dois irmãos se separaram.
12. Abrão morou em Canaã, e Ló nas cidades do vale, armando suas tendas até Sodoma.
13. Os habitantes de Sodoma eram grandes criminosos e pecavam contra Javé.
14. Javé disse a Abrão, depois que Ló se separou dele: "Erga os olhos, e aí, do lugar onde você está, olhe para o norte e para o sul, para o oriente e para o ocidente.
15. Eu darei toda a terra que você está vendo, a você e à sua descendência, para sempre.
16. Tornarei a sua descendência como a poeira da terra: quem puder contar os grãos de poeira da terra, poderá contar seus descendentes.
17. Levante-se, e percorra esta terra no seu comprimento e na sua largura, pois eu a darei a você".
18. Abrão levantou a tenda e foi estabelecer-se junto ao Carvalho de Mambré, que está em Hebron, e aí construiu um altar em honra de Javé.

[Gênesis 14]
Gênesis 14

A TERRA QUE DEUS DARÁ
1. No tempo de Amrafel, rei de Senaar, e de Arioc, rei de Elasar, e de Codorlaomor, rei de Elam, e de Tadal, rei das nações,
2. todos estes fizeram guerra contra Bara, rei de Sodoma, contra Bersa, rei de Gomorra, contra Senaab, rei de Adama, contra Semeber, rei de Seboim, e contra o rei de Bela, que é Segor.
3. Estes últimos se reuniram no vale de Sidim, que é o mar Morto.
4. Durante doze anos eles tinham ficado submetidos a Codorlaomor, mas no décimo terceiro ano se revoltaram.
5. No décimo quarto ano, veio Codorlaomor com os reis aliados a ele, e derrotou os rafaítas em Astarot Carnaim, os zuzim em Ham, os emim na planície de Cariataim,
6. e os horitas nas montanhas de Seir, até El-Farã, na margem do deserto.
7. Depois, voltaram e foram à Fonte do Julgamento, que é Cades; conquistaram todo o território dos amalecitas e amorreus, que habitavam Asasontamar.
8. Então os reis de Sodoma, de Gomorra, de Adama, de Seboim e de Bela, que é Segor, fizeram uma expedição e se apresentaram no vale de Sidim para batalhar
9. contra Codorlaomor, rei de Elam, contra Tadal, rei das nações, contra Amrafel, rei de Senaar, e contra Arioc, rei de Elasar. Eram cinco reis contra quatro.
10. Ora, o vale de Sidim estava cheio de poços de betume. Ao fugir, o rei de Sodoma e o rei de Gomorra caíram neles; os outros se refugiaram na montanha.
11. Os vencedores saquearam todos os bens de Sodoma e Gomorra, assim como todos os seus mantimentos, e foram embora.
12. Levaram também Ló, sobrinho de Abrão, e seus bens, e se foram. Ló morava em Sodoma.
13. Um fugitivo foi informar Abrão, o hebreu, que habitava no Carvalho do amorreu Mambré, irmão de Escol e de Aner, aliados de Abrão.
14. Quando Abrão soube que seu parente fora levado prisioneiro, reuniu seus aliados e familiares, em número de trezentos e dezoito, e perseguiu os inimigos até Dã.
15. Dividiu a tropa e os atacou de noite, derrotando-os e perseguindo-os até Hoba, ao norte de Damasco.
16. Recuperou todos os bens e trouxe também seu irmão Ló, junto com os bens, as mulheres e a tropa deste.

A JUSTIÇA QUE DEUS QUER
17. Quando Abrão voltou, depois de ter derrotado Codorlaomor e os reis aliados, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Save, que é o vale do rei.
18. Melquisedec, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, levou pão e vinho,
19. e abençoou Abrão, dizendo: "Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra;
20. e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os inimigos a você". E Abrão lhe deu a décima parte de tudo.
21. O rei de Sodoma disse a Abrão: "Dê-me as pessoas e fique com os bens".
22. Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: "Juro por Javé, o Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra:
23. não aceitarei nem mesmo um fio, ou correia de sandália, daquilo que pertence a você, para que depois você não diga que enriqueceu Abrão.
24. Não quero nada para mim. Aceito apenas o que meus servos comeram e a parte de Aner, Escol e Mambré, que me acompanharam; que eles peguem a parte deles".

[Gênesis 15]
Gênesis 15

ACREDITAR É CONFIAR
1. Depois desses acontecimentos, Javé dirigiu a palavra a Abrão, através de uma visão: "Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo, e sua recompensa será muito grande".
2. Abrão respondeu: "Senhor Javé, o que me darás? Continuo sem filho, e Eliezer de Damasco será o herdeiro da minha casa!"
3. E acrescentou: "Como não me deste descendência, um dos servos de minha casa é que será o meu herdeiro!"
4. Então Javé dirigiu esta palavra a Abrão: "O seu herdeiro não será esse, mas alguém que sair do sangue de você".
5. Depois Javé conduziu Abrão para fora, e disse: "Erga os olhos ao céu e conte as estrelas, se puder". E acrescentou: "Assim será a sua descendência".
6. Abrão acreditou em Javé, e isso lhe foi creditado como justiça.
7. Javé disse a Abrão: "Eu sou Javé, que fez você sair de Ur dos caldeus, para lhe dar esta terra como herança".
8. Abrão respondeu: "Senhor Javé, como vou saber que irei possuí-la?"
9. Javé lhe disse: "Traga-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e uma pombinha".
10. Abrão levou a Javé todos esses animais, partiu-os pelo meio e colocou cada metade na frente da outra; mas não partiu as aves.
11. As aves de rapina desciam sobre os cadáveres e Abrão as enxotava.
12. Quando o sol ia se pondo, um torpor caiu sobre Abrão, e ele sentiu muito medo.
13. Javé disse a Abrão: "Saiba com certeza que seus descendentes viverão como estrangeiros numa terra que não será a deles. Aí nessa terra eles ficarão como escravos e serão oprimidos durante quatrocentos anos.
14. Mas eu vou julgar a nação à qual eles vão servir, e depois eles sairão com muitos bens.
15. Quanto a você, irá reunir-se em paz com seus antepassados e será sepultado após uma velhice feliz.
16. É na quarta geração que seus descendentes voltarão para cá, porque até lá o crime dos amorreus terá chegado ao máximo".
17. Quando o sol se pôs e veio a noite, uma labareda fumegante e uma tocha de fogo passaram entre os animais divididos.
18. Nesse dia, Javé estabeleceu uma aliança com Abrão nestes termos: "À sua descendência eu darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates:
19. os quenitas, cenezeus, cadmoneus,
20. heteus, ferezeus, rafaítas,
21. amorreus, cananeus, gergeseus e jebuseus".

[Gênesis 16]
Gênesis 16

A PROMESSA É UM DESAFIO
1. Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos; mas tinha uma escrava egípcia chamada Agar.
2. Então Sarai disse a Abrão: "Javé não me deixa ter filhos: una-se à minha escrava para ver se ela me dá filhos". Abrão aceitou a proposta de Sarai.
3. Dez anos depois que Abrão se estabeleceu na terra de Canaã, sua mulher Sarai tomou sua escrava, a egípcia Agar, e a entregou como mulher a seu marido Abrão.
4. Este se uniu a Agar, que ficou grávida. Vendo que estava grávida, Agar perdeu o respeito para com Sarai.
5. Então Sarai disse a Abrão: "Você é responsável por essa injustiça. Coloquei em seus braços minha escrava, e ela, vendo-se grávida, não me respeita mais. Que Javé seja nosso Juiz".
6. Abrão disse a Sarai: "Muito bem. Sua escrava está em suas mãos. Trate-a como você achar melhor". Sarai maltratou de tal modo Agar, que ela fugiu de sua presença.
7. O anjo de Javé encontrou Agar junto a uma fonte no deserto, a fonte que está no caminho de Sur.
8. E lhe disse: "Agar, escrava de Sarai, de onde você vem e para onde vai?" Agar respondeu: "Estou fugindo de minha patroa Sarai".
9. O anjo de Javé lhe disse: "Volte para sua patroa e seja submissa a ela".
10. E o anjo de Javé acrescentou: "Eu farei a descendência de você tão numerosa que ninguém poderá contar".
11. E o anjo de Javé concluiu: "Você está grávida e vai dar à luz um filho e lhe dará o nome de Ismael, porque Javé ouviu sua aflição.
12. Ele será potro selvagem: estará contra todos, e todos estarão contra ele; e viverá separado de seus irmãos".
13. Agar invocou o nome de Javé, que lhe havia falado, e disse: "Tu és o Deus-que-me-vê, pois eu vi Aquele-que-me-vê".
14. Por isso, esse poço chama-se "Poço daquele que vive e me vê", e se encontra entre Cades e Barad.
15. Agar deu à luz um filho para Abrão, e Abrão deu o nome de Ismael ao filho que Agar lhe dera.
16. Abrão tinha oitenta e seis anos quando Agar deu à luz Ismael.

[Gênesis 17]
Gênesis 17

A PERTENÇA AO POVO DE DEUS
1. Quando Abrão completou noventa e nove anos, Javé lhe apareceu e disse: "Eu sou o Deus todo-poderoso. Comporte-se de acordo comigo e seja íntegro.
2. Vou fazer uma aliança entre mim e você, e o multiplicarei sem medida".
3. Abrão caiu com o rosto por terra. Então Deus lhe falou:
4. "Veja! A aliança que eu faço com você é esta: você será pai de muitas nações.
5. E não se chamará mais Abrão, mas o seu nome será Abraão, pois eu o tornarei pai de muitas nações.
6. Eu o tornarei extremamente fecundo. De você farei surgir nações, e de você nascerão reis.
7. Vou estabelecer para sempre a minha aliança entre mim e você, como aliança eterna. Serei o Deus de você e o Deus de seus futuros descendentes.
8. Vou dar a você, e a seus futuros descendentes, a terra em que agora vive como imigrante, toda a terra de Canaã, como posse perpétua. E eu serei o Deus de vocês".
9. E Deus continuou falando a Abraão: "Quanto a você, observe a aliança que faço com você e com seus futuros descendentes.
10. E a aliança que eu faço com você e seus futuros descendentes, e que vocês devem observar, é a seguinte: circuncidem todos os homens.
11. Circuncidem a carne do prepúcio. Este será o sinal da aliança entre mim e vocês.
12. Quando completarem oito dias, todos os meninos de cada geração serão circuncidados; também os escravos nascidos em casa ou comprados de estrangeiros, que não sejam da raça de vocês.
13. Circuncidem os escravos nascidos em casa ou comprados. Minha aliança estará marcada na carne de vocês como aliança perpétua.
14. Todo homem não circuncidado, cujo prepúcio não for circuncidado, será afastado do povo de você, por ter violado a minha aliança".
15. Deus disse a Abraão: "Sua mulher Sarai não se chamará mais Sarai, mas Sara.
16. Eu a abençoarei, e dela darei um filho a você, e eu o abençoarei. Dela nascerão nações e reis de povos".
17. Abraão caiu com o rosto por terra e começou a rir, pensando: "Será que um homem com cem anos vai ter um filho, e Sara, que tem noventa anos, vai dar à luz?"
18. Abraão disse a Deus: "Ficarei contente se conservares Ismael vivo".
19. Deus porém respondeu: "Não! É Sara quem vai dar-lhe um filho: você lhe dará o nome de Isaac. Vou fazer a minha aliança com ele e com os descendentes dele, uma aliança perpétua.
20. Quanto a Ismael, vou atender ao pedido que você me faz: vou abençoá-lo, torná-lo fecundo e fazê-lo multiplicar-se sem medida. Ele vai gerar doze príncipes, e dele farei uma grande nação.
21. Mas, a minha aliança, vou fazê-la com Isaac, o filho que Sara vai dar à luz no próximo ano, nesta mesma época do ano".
22. Quando terminou de falar com Abraão, Deus se retirou.
23. Então Abraão tomou seu filho Ismael, os escravos nascidos em casa ou comprados, todos os homens de sua casa, e circuncidou-os nesse mesmo dia, conforme Deus lhe havia ordenado.
24. Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado.
25. E seu filho Ismael tinha treze anos quando foi circuncidado.
26. Nesse mesmo dia, foram circuncidados Abraão e seu filho Ismael.
27. E com Abraão foram circuncidados todos os homens da casa, nascidos em casa ou comprados de estrangeiros.

[Gênesis 18]
Gênesis 18

PARA DEUS NADA É IMPOSSÍVEL
1. Javé apareceu a Abraão junto ao Carvalho de Mambré, enquanto ele estava sentado à entrada da tenda, pois fazia muito calor.
2. Levantando os olhos, Abraão viu na sua frente três homens de pé. Ao vê-los, correu da entrada da tenda ao encontro deles e se prostrou por terra,
3. dizendo: "Senhor, se alcancei o seu favor, não passe junto ao seu servo sem fazer uma parada.
4. Vou mandar que tragam água para que vocês lavem os pés e descansem debaixo da árvore.
5. Vou trazer um pedaço de pão e vocês poderão recuperar as forças antes de partir; foi para isso que passaram junto ao servo de vocês". Eles responderam: "Está bem. Faça o que está dizendo".
6. Abraão entrou correndo na tenda onde estava Sara, e disse a ela: "Depressa! Tome vinte e um litros de flor de farinha, amasse-os e faça um pão grande".
7. Depois Abraão correu até o rebanho, escolheu um vitelo novo e bom, e o entregou ao empregado, que se apressou em prepará-lo.
8. Pegou também coalhada, leite e o vitelo que havia preparado, e colocou tudo diante deles. E os atendia debaixo da árvore enquanto eles comiam.
9. Depois eles perguntaram: "Onde está sua mulher Sara?" Abraão respondeu: "Está na tenda".
10. O hóspede disse: "No próximo ano eu voltarei a você. Então sua mulher já terá um filho". Sara estava na entrada da tenda, atrás de Abraão, e ouviu isso.
11. Ora, Abraão e Sara eram velhos, de idade avançada, e Sara já não tinha regras.
12. Sara riu por dentro, pensando: "Agora que sou velha vou provar o prazer, e com um marido tão velho?"
13. Javé, porém, disse a Abraão: "Por que Sara riu, dizendo: 'Será que vou dar à luz agora que sou velha?'
14. Por acaso, existe alguma coisa impossível para Javé? Neste mesmo tempo, no próximo ano, eu voltarei a você, e Sara já terá um filho".
15. Sara, que estava assustada, negou: "Eu não ri". Mas ele tornou a dizer: "Não negue, você riu".

COMO SALVAR A CIDADE INJUSTA?
16. Os homens se levantaram e olharam em direção a Sodoma; e Abraão foi acompanhá-los para a despedida.
17. Javé dizia: "Será que devo esconder de Abraão o que vou fazer,
18. uma vez que Abraão se tornará uma nação grande e poderosa, e que através dele serão abençoadas todas as nações da terra?
19. Eu o escolhi para que ele instrua seus filhos, sua casa e seus sucessores, a fim de que se mantenham no caminho de Javé, praticando a justiça e o direito; desse modo, Javé realizará tudo o que prometeu a Abraão".
20. Então Javé disse: "O clamor contra Sodoma e Gomorra é muito grande e o pecado deles é muito grave.
21. Vou descer para ver se, de fato, as ações deles correspondem ou não ao clamor que subiu até mim contra eles. Então, ficarei sabendo".
22. Os homens partiram daí e foram para Sodoma, enquanto Javé permanecia com Abraão.
23. Abraão aproximou-se e perguntou: "Destruirás o justo com o injusto?
24. Talvez haja cinqüenta justos na cidade! Destruirás e não perdoarás a cidade pelos cinqüenta justos que estão no meio dela?
25. Longe de ti fazeres tal coisa: matar o justo com o injusto, de modo que o justo seja confundido com o injusto! Longe de ti! Será que o juiz de toda a terra não fará justiça?"
26. Javé respondeu: "Se eu encontrar cinqüenta justos na cidade de Sodoma, perdoarei a cidade toda por causa deles".
27. Abraão continuou: "Eu me atrevo a falar ao meu Senhor, embora eu seja pó e cinza.
28. Mas talvez faltem cinco para os cinqüenta justos: por causa de cinco, destruirás a cidade inteira?" Javé respondeu: "Não a destruirei, se eu nela encontrar quarenta e cinco justos".
29. Abraão insistiu: "Suponhamos que só existam quarenta!" Javé respondeu: "Por causa dos quarenta, eu não o farei".
30. Abraão continuou: "Que meu Senhor não fique irritado se eu continuo falando. E se houver trinta?" Javé respondeu: "Se houver trinta, eu não o farei".
31. Abraão insistiu: "Estou me atrevendo a falar ao meu Senhor. Talvez haja vinte!" Javé respondeu: "Por causa dos vinte, eu não a destruirei".
32. Abraão continuou: "Que o meu Senhor não se irrite se eu pergunto pela última vez: E se houver dez?" Javé respondeu: "Por causa dos dez, eu não a destruirei".
33. Quando terminou de falar com Abraão, Javé foi embora. E Abraão voltou para o seu lugar.

[Gênesis 19]
Gênesis 19

A JUSTIÇA DE DEUS
1. Ao anoitecer, os dois anjos chegaram a Sodoma. Ló estava sentado à porta da cidade e, ao vê-los, levantou-se para os receber e prostrou-se com o rosto por terra.
2. E disse: "Senhores, fiquem hospedados em casa do seu servo, lavem os pés e, pela manhã, continuarão seu caminho". Mas eles responderam: "Não! Nós vamos passar a noite na praça".
3. Ló insistiu tanto que eles foram para a casa dele e entraram. Ló preparou-lhes uma refeição, mandou assar pães sem fermento, e eles comeram.
4. Eles ainda não haviam deitado, quando os homens da cidade rodearam a casa. Eram os homens de Sodoma, desde os jovens até os velhos, o povo todo, sem exceção.
5. Chamaram Ló e lhe disseram: "Onde estão os homens que vieram para a sua casa esta noite? Traga-os para que tenhamos relações com eles".
6. Ló saiu à porta e, fechando-a atrás de si,
7. disse-lhes: "Meus irmãos, eu lhes peço: não façam o mal.
8. Vejam! Eu tenho duas filhas que ainda são virgens; eu as trarei para vocês: façam com elas o que acharem melhor. Mas não façam nada a esses homens, porque eles estão hospedados em minha casa".
9. Mas eles responderam: "Saia daí! Esse indivíduo veio como imigrante e agora quer ser juiz! Pois bem! Nós faremos mais mal a você do que a eles". E empurraram Ló, tentando arrombar a porta.
10. Os visitantes, porém, estenderam os braços e puxaram Ló para dentro, fechando a porta.
11. Quanto aos homens que estavam à porta, eles os feriram com cegueira, do menor ao maior, de modo que não conseguiam achar a entrada.
12. Os visitantes disseram a Ló: "Você ainda tem alguém aqui? Faça sair deste lugar seus filhos e filhas, e todos os seus parentes que estão na cidade,
13. porque nós vamos destruir este lugar, pois é grande o clamor que se ergueu contra eles diante de Javé. E Javé nos enviou para exterminá-los".
14. Ló foi falar com seus futuros genros, que estavam para casar com suas filhas: "Vamos, saiam deste lugar, porque Javé vai destruir a cidade". Mas seus futuros genros achavam que Ló estava brincando.
15. Ao raiar da aurora, os anjos insistiram com Ló, dizendo: "Levante-se, tome sua mulher e suas duas filhas que aqui se encontram, para que não pereçam no castigo da cidade".
16. Como Ló não se decidisse, os visitantes o tomaram pela mão, junto com a mulher e as duas filhas, pois Javé tinha compaixão dele. Eles o fizeram sair e o deixaram fora da cidade.
17. Quando estavam fora, um deles disse: "Procure salvar-se, e não olhe para trás. Não pare em lugar nenhum da planície; fuja para a montanha, para não morrer".
18. Ló respondeu: "Não, meu Senhor.
19. Teu servo encontrou graça a teus olhos, e mostraste grande misericórdia por mim, salvando-me a vida. Mas eu receio que não poderei salvar-me na montanha antes que a calamidade me atinja e eu morra.
20. Vê! Aqui perto há uma pequena cidade, onde posso refugiar-me e escapar do perigo. Permite que eu vá para lá. Como a cidade é pequena, aí eu estarei a salvo".
21. Ele respondeu: "Concedo o que você está pedindo: não destruirei a cidade da qual você está falando.
22. Depressa, fuja para lá, porque nada posso fazer enquanto você não chegar lá". É por isso que se deu a essa cidade o nome de Segor.
23. O sol estava nascendo quando Ló chegou a Segor.
24. Então Javé fez chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra;
25. destruiu essas cidades e toda a planície, com os habitantes das cidades e a vegetação do solo.
26. A mulher de Ló olhou para trás e se transformou numa estátua de sal.
27. Abraão levantou-se de madrugada e foi ao lugar onde estivera com Javé.
28. Olhou para Sodoma, para Gomorra e para toda a planície, e viu a fumaça subir da terra, como a fumaça de uma fornalha.
29. Assim, ao destruir as cidades da planície, Deus se lembrou de Abraão, e retirou Ló do meio da catástrofe, quando arrasou as cidades onde Ló habitava.

FRUTOS DA CIDADE CORROMPIDA
30. Ló subiu de Segor e se estabeleceu na montanha com as duas filhas, porque estava com medo de viver em Segor. Por isso, instalou-se numa caverna com as duas filhas.
31. A mais velha disse à mais nova: "Nosso pai já está velho e na terra não há nenhum homem para ter relação conosco, como se faz em todo lugar.
32. Vamos embriagar nosso pai para ter relação com ele; assim daremos uma descendência ao nosso pai".
33. Nessa noite, elas embriagaram o pai e a mais velha deitou-se com ele, que não percebeu nem quando ela se deitou, nem quando se levantou.
34. No dia seguinte, a mais velha disse para a mais nova: "Na noite passada eu dormi com meu pai; esta noite, nós o embriagaremos de novo, e você se deitará com ele; assim daremos uma descendência ao nosso pai".
35. Também nessa noite, elas embriagaram o pai, e a mais nova deitou-se com ele, que não percebeu nem quando ela se deitou, nem quando se levantou.
36. E as duas filhas de Ló ficaram grávidas do próprio pai.
37. A mais velha deu à luz um filho, e o chamou Moab, que é o antepassado dos atuais moabitas.
38. Também a mais nova deu à luz um filho, e o chamou Ben-Ami, que é o antepassado dos atuais amonitas.

[Gênesis 20]
Gênesis 20

DEUS LIBERTA O OPRIMIDO
1. Abraão partiu daí e foi para o Negueb, estabelecendo-se entre Cades e Sur, e vivendo como imigrante em Gerara.
2. Abraão dizia que Sara era sua irmã. Então Abimelec, rei de Gerara, mandou buscar Sara.
3. Mas Deus visitou Abimelec em sonho durante a noite, e lhe disse: "Você vai morrer, porque essa mulher que você tomou é casada".
4. Abimelec, que ainda não tinha tido relações com ela, disse: "Meu Senhor, vais matar alguém inocente?
5. Ele próprio me disse que era sua irmã; e ela disse que ele era seu irmão. Fiz isso de boa fé e mãos limpas".
6. Deus lhe respondeu no sonho: "Sei que você fez isso de boa fé. Fui eu quem impediu você de pecar contra mim, não permitindo que a tocasse.
7. Agora, devolva a mulher a esse homem: ele é profeta e rezará para que você continue vivo. Se não a devolver, fique sabendo que você morrerá com todos os seus".
8. Abimelec levantou-se bem cedo e chamou todos os servos. Contou-lhes tudo, e os homens ficaram muito assustados.
9. Em seguida, Abimelec chamou Abraão e lhe disse: "O que é que você fez conosco? Que mal eu lhe fiz para você atrair tão grande pecado sobre mim e meu reino? Você fez comigo uma coisa que não se deve fazer".
10. E Abimelec acrescentou: "O que você pretendia ao fazer isso?"
11. Abraão respondeu: "Pensei que neste país não respeitavam a Deus e que me matariam por causa de minha mulher.
12. Além do mais, ela é de fato minha irmã por parte de pai, mas não por parte de mãe, e se tornou minha mulher.
13. Quando Deus me fez andar errante, longe de minha família, eu pedi a ela: 'Faça-me este favor: em qualquer lugar em que chegarmos, diga que eu sou seu irmão' ".
14. Abimelec pegou ovelhas e bois, servos e servas, e os deu a Abraão, devolvendo também sua mulher Sara.
15. Disse ainda: "Minha terra está aberta para você; fique onde quiser".
16. Depois disse a Sara: "Aqui estão mil moedas de prata para o seu irmão. Isso servirá de reparação diante de todos os seus, e ninguém pensará mal de você".
17. Abraão intercedeu junto a Deus, e Deus curou Abimelec, sua mulher e seus servos, a fim de que pudessem ter filhos.
18. Isso porque Javé tornara estéreis todas as mulheres na casa de Abimelec, por causa de Sara, mulher de Abraão.

[Gênesis 21]
Gênesis 21

DEUS REALIZA O QUE PROMETE
1. Javé visitou Sara, como havia anunciado, e cumpriu sua promessa.
2. No tempo que Deus tinha marcado, Sara concebeu e deu à luz um filho para Abraão, que já era velho.
3. Abraão deu o nome de Isaac ao filho que lhe nasceu, gerado por Sara.
4. Conforme Deus lhe havia ordenado, Abraão circuncidou seu filho Isaac, quando este completou oito dias.
5. Abraão tinha cem anos quando seu filho Isaac nasceu.
6. E Sara disse: "Deus me deu motivo de riso, e todos os que souberem disso vão rir de mim".
7. E acrescentou: "Quem diria a Abraão que Sara iria amamentar filhos? Apesar de tudo, na sua velhice eu lhe dei um filho".

DEUS OUVE O GRITO DO NECESSITADO
8. O menino cresceu e foi desmamado. E no dia em que Isaac foi desmamado, Abraão deu uma grande festa.
9. Ora, Sara viu que o filho que Abraão tinha tido com a egípcia Agar estava zombando de seu filho Isaac.
10. Então ela disse a Abraão: "Expulse essa escrava e o filho dela, para que o filho dessa escrava não seja herdeiro com meu filho Isaac".
11. Abraão ficou muito desgostoso com isso, porque Ismael era seu filho.
12. Mas Deus lhe disse: "Não fique aflito por causa do menino e da escrava. Atenda ao pedido de Sara, pois será através de Isaac que sua descendência levará o nome que você tem.
13. Entretanto, também do filho da escrava eu farei uma grande nação, pois ele é descendência sua".
14. Abraão levantou-se de manhã, pegou pão e um cantil de água e os deu a Agar; colocou a criança sobre os ombros dela e depois a mandou embora. Ela saiu e andava errante pelo deserto de Bersabéia.
15. Quando acabou a água do cantil, ela pôs a criança debaixo de um arbusto
16. e foi sentar-se na frente, a distância de um tiro de arco. Ela pensava: "Não quero ver a criança morrer!" E sentou-se a distância. O menino começou a chorar.
17. Deus ouviu os gritos da criança, e o anjo de Deus, lá do céu, chamou Agar, dizendo: "O que é que você tem, Agar? Não tenha medo, pois Deus ouviu os gritos do menino que aí está.
18. Levante-se, pegue o menino e segure-o firme, porque eu farei dele uma grande nação".
19. Deus abriu os olhos de Agar e ela viu um poço. Foi encher o cantil e deu de beber ao menino.
20. Deus estava com o menino. Ele cresceu, morou no deserto e tornou-se um arqueiro.
21. Morou no deserto de Farã, e sua mãe escolheu para ele uma mulher egípcia.

ABRAÃO E ABIMELEC
22. Nesse tempo, Abimelec veio com Ficol, chefe do seu exército, e disse a Abraão: "Deus está com você em tudo o que você faz.
23. Portanto, jure por Deus, aqui mesmo, que não enganará nem a mim, nem a meus filhos e descendentes. E que você tratará a mim e a esta terra, onde você mora, com a mesma amizade com que eu tratei você".
24. Abraão respondeu: "Eu juro".
25. Abraão reclamou com Abimelec por causa do poço do qual os servos de Abimelec se haviam apoderado.
26. Abimelec respondeu: "Não sei quem foi que fez isso. Você não me informou nada, e só agora estou sabendo disso".
27. Abraão pegou ovelhas e bois e os deu a Abimelec; e os dois fizeram uma aliança.
28. Abraão separou sete ovelhas do rebanho,
29. e Abimelec lhe perguntou: "Para que servem essas sete ovelhas que você separou?"
30. Abraão respondeu: "Estas sete ovelhas, que você recebeu de minha mão, são a prova de que eu cavei este poço".
31. Por isso, o lugar recebeu o nome de Bersabéia, porque aí os dois fizeram um juramento.
32. Depois que fizeram aliança em Bersabéia, Abimelec e Ficol, chefe do seu exército, voltaram para a terra dos filisteus.
33. Abraão plantou uma árvore em Bersabéia e invocou aí o nome de Javé, o Deus eterno.
34. Abraão morou muito tempo na terra dos filisteus.

[Gênesis 22]
Gênesis 22

A GRANDE PROVA
1. Depois desses acontecimentos, Deus pôs Abraão à prova, e lhe disse: "Abraão, Abraão!" Ele respondeu: "Estou aqui".
2. Deus disse: "Tome seu filho, o seu único filho Isaac, a quem você ama, vá à terra de Moriá e ofereça-o aí em holocausto, sobre uma montanha que eu vou lhe mostrar".
3. Abraão se levantou cedo, preparou o jumento, e levou consigo dois servos e seu filho Isaac. Rachou a lenha do holocausto, e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado.
4. No terceiro dia, Abraão levantou os olhos e viu de longe o lugar.
5. Então disse aos servos: "Fiquem aqui com o jumento; eu e o menino vamos até lá, adoraremos a Deus e depois voltaremos até vocês".
6. Abraão pegou a lenha do holocausto e a colocou nas costas do seu filho Isaac, tendo ele próprio tomado nas mãos o fogo e a faca. E foram os dois juntos.
7. Isaac falou a seu pai: "Pai". Abraão respondeu: "Sim, meu filho!" Isaac continuou: "Aqui estão o fogo e a lenha. Mas onde está o cordeiro para o holocausto?"
8. Abraão respondeu: "Deus providenciará o cordeiro para o holocausto, meu filho!" E continuaram caminhando juntos.
9. Quando chegaram ao lugar que Deus lhe indicara, Abraão construiu o altar, colocou a lenha, depois amarrou seu filho e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.
10. Abraão estendeu a mão e pegou a faca para imolar seu filho.
11. Nesse momento, o anjo de Javé o chamou lá do céu e disse: "Abraão, Abraão!" Ele respondeu: "Aqui estou!"
12. O anjo continuou: "Não estenda a mão contra o menino! Não lhe faça nenhum mal! Agora sei que você teme a Deus, pois não me recusou seu filho único".
13. Abraão ergueu os olhos e viu um cordeiro, preso pelos chifres num arbusto; pegou o cordeiro e o ofereceu em holocausto no lugar do seu filho.
14. E Abraão deu a esse lugar o nome de "Javé providenciará". Assim, até hoje se costuma dizer: "Sobre a montanha, Javé providenciará".
15. O anjo de Javé chamou lá do céu uma segunda vez a Abraão,
16. dizendo: "Juro por mim mesmo, palavra de Javé: porque você me fez isso, porque não me recusou seu filho único,
17. eu o abençoarei, eu multiplicarei seus descendentes como as estrelas do céu e a areia da praia. Seus descendentes conquistarão as cidades de seus inimigos.
18. Por meio da descendência de você, todas as nações da terra serão abençoadas, porque você me obedeceu".
19. Abraão voltou até seus servos, e juntos foram para Bersabéia. E Abraão ficou morando em Bersabéia.

PARENTES DE ABRAÃO
20. Depois desses acontecimentos, comunicaram a Abraão que também Melca dera filhos a seu irmão Nacor:
21. seu primogênito Hus; Buz, irmão deste; Camuel, pai de Aram;
22. Cased, Azau, Feldas, Jedlad, Batuel.
23. E Batuel gerou Rebeca. São os oito filhos que Melca deu a Nacor, irmão de Abraão.
24. Nacor tinha uma concubina, chamada Roma, que também teve filhos: Tabé, Gaam, Taás e Maaca.

[Gênesis 23]
Gênesis 23

PRIMEIRA PORÇÃO DA TERRA PROMETIDA
1. Sara viveu cento e vinte e sete anos,
2. e morreu em Cariat Arbe, hoje Hebron, na terra de Canaã. Abraão foi fazer luto e chorar por sua mulher.
3. Depois deixou sua defunta e falou aos filhos de Het:
4. "Sou imigrante que reside entre vocês. Dêem para mim um túmulo como propriedade, para eu enterrar minha defunta".
5. Os filhos de Het responderam a Abraão:
6. "Meu senhor, ouça-nos! Você é um príncipe de Deus entre nós; enterre sua defunta no melhor dos nossos sepulcros. Ninguém de nós vai lhe negar a própria sepultura para sua defunta!"
7. Abraão se levantou, fez uma inclinação diante dos proprietários, os filhos de Het,
8. e lhes falou: "Se estão de acordo que eu enterre minha defunta, ouçam-me: intercedam por mim junto a Efron, filho de Seor,
9. a fim de que ele me ceda a gruta de Macpela, que pertence a ele e está no extremo do seu campo. Que ele a entregue para mim pelo preço que vale, diante de vocês, para que seja minha propriedade sepulcral".
10. Ora, Efron estava sentado entre os filhos de Het. Então Efron, o heteu, respondeu a Abraão, diante dos heteus e dos que assistiam ao conselho:
11. "Não, meu senhor, ouça-me! Eu lhe dou o campo e também a gruta que está nele. Dou-lhe isso na presença dos filhos do meu povo. Enterre sua defunta".
12. Abraão se inclinou diante dos proprietários
13. e falou a Efron, na presença dos proprietários: "Se você concorda, ouça-me: eu pagarei o preço do campo. Aceite o pagamento, e eu enterrarei minha defunta".
14. Efron respondeu a Abraão:
15. "Meu senhor, ouça-me: o terreno vale quatro quilos de prata. O que significa isso para mim e você? Enterre sua defunta".
16. Abraão concordou com Efron. Pesou para Efron o dinheiro de que falara diante dos heteus: quatro quilos de prata, em uso no mercado.
17. Então, o campo de Efron, que está em Macpela, diante de Mambré, o campo e a gruta que aí existe, e todas as árvores que estão dentro e ao redor do campo,
18. tornaram-se propriedade de Abraão, sendo testemunhas os heteus e os que assistiam ao conselho.
19. Depois Abraão enterrou Sara, sua mulher, na gruta do campo de Macpela, diante de Mambré, hoje Hebron, na terra de Canaã.
20. Foi assim que o campo e a gruta passaram dos filhos de Het para Abraão, como propriedade sepulcral.

[Gênesis 24]
Gênesis 24

CASAMENTO DE ISAAC
1. Abraão era velho, de idade avançada, e Javé o havia abençoado em tudo.
2. Abraão disse ao servo mais velho de sua casa, que administrava todas as suas propriedades: "Ponha a sua mão debaixo da minha coxa,
3. e jure por Javé, Deus do céu e da terra, que quando você buscar esposa para o meu filho, não a escolherá entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais estou morando.
4. Mas irá à minha terra natal e aí escolherá uma esposa para o meu filho Isaac".
5. O servo perguntou: "E se a mulher não quiser vir comigo para esta terra, deverei levar seu filho para o lugar de onde o senhor saiu?"
6. Abraão lhe respondeu: "De jeito nenhum, não leve meu filho para lá.
7. Javé, o Deus do céu e da terra, que me tirou da casa paterna e da minha terra natal, e que jurou dar esta terra à minha descendência, ele enviará o seu anjo diante de você, e você poderá trazer uma esposa para meu filho.
8. Se a mulher não quiser vir com você, então você ficará livre do juramento. Em todo caso, não leve meu filho para lá".
9. O servo colocou a mão sob a coxa de Abraão, seu patrão, e jurou que assim faria.
10. O servo tomou dez camelos do seu senhor e, levando consigo de tudo o que seu patrão tinha de bom, pôs-se a caminho de Aram Naaraim, para a cidade de Nacor.
11. Fez os camelos ajoelharem fora da cidade, perto do poço, à tarde, na hora em que as mulheres saem para tirar água.
12. Então o servo pediu: "Javé, Deus do meu senhor Abraão, concede que o dia de hoje me seja favorável, e trata com amor o meu senhor Abraão.
13. Vou ficar junto à fonte, quando as moças da cidade saírem para buscar água.
14. Direi a uma das moças: 'Por favor, incline o balde para que eu possa beber'. Aquela que disser: 'Beba você, que também vou dar de beber a seus camelos', será essa aquela que destinaste para teu servo Isaac. Assim saberei que tratas meu patrão com amor".
15. Ele ainda não havia acabado de falar, quando chegou Rebeca, filha de Batuel, filho de Melca, a mulher de Nacor, irmão de Abraão. Ela carregava um balde no ombro.
16. Era uma jovem muito bela e virgem; não tinha tido relação com nenhum homem. Ela desceu à fonte, encheu o balde e subiu.
17. O servo correu para ela, e disse: "Por favor, deixe-me beber um pouco da água de seu balde".
18. Ela respondeu: "Beba, meu senhor". E abaixou depressa o balde sobre o braço, e lhe deu de beber.
19. Quando terminou, ela disse: "Vou dar de beber também para seus camelos, até que fiquem saciados".
20. Em seguida, esvaziou o balde no bebedouro, e correu até o poço a fim de tirar água para todos os camelos.
21. O servo observava em silêncio, esperando para ver se Javé ia levar ou não a bom termo a sua missão.
22. Quando os camelos acabaram de beber, o servo pegou um anel de ouro que pesava cinco gramas e o colocou nas narinas dela. Depois, colocou nos braços dela dois braceletes de ouro, que pesavam dez gramas.
23. E disse: "Você é filha de quem? Diga para mim: será que na casa de seu pai há lugar para eu passar a noite?"
24. Ela respondeu: "Eu sou filha de Batuel, o filho que Melca gerou para Nacor".
25. E continuou: "Em nossa casa há muita palha e forragem, e também lugar para passar a noite".
26. Então o servo se prostrou e adorou a Javé,
27. dizendo: "Bendito seja Javé, o Deus do meu senhor Abraão! Ele não esqueceu o seu amor e fidelidade para com o meu senhor. Javé guiou meus passos à casa do irmão do meu senhor".
28. A jovem foi correndo para casa, a fim de contar à sua mãe o que lhe havia acontecido.
29. Ora, Rebeca tinha um irmão chamado Labão, que correu para a fonte ao encontro do homem.
30. De fato, quando Labão viu o anel e os braceletes que estavam com sua irmã, e quando ouviu o que ela contava, foi ao encontro do homem e o achou ainda de pé junto aos camelos, perto da fonte.
31. Então disse para ele: "Venha, bendito de Javé. Por que você está aí fora, quando já preparei alojamento e lugar para os camelos?"
32. O homem entrou na casa, e Labão descarregou os camelos, deu palha e forragem para os camelos, e levou água para que o servo e seus acompanhantes lavassem os pés.
33. Quando ofereceram comida, o servo disse: "Não vou comer enquanto não tratar do meu assunto". Labão respondeu: "Pois fale".
34. O servo disse: "Eu sou servo de Abraão.
35. Javé abençoou imensamente meu senhor e o tornou rico: deu-lhe ovelhas e vacas, prata e ouro, escravos e escravas, camelos e jumentos.
36. Sara, a mulher do meu senhor, já velha, deu a ele um filho, que é o herdeiro de tudo.
37. Meu senhor me fez prestar este juramento: 'Você não tomará para meu filho uma esposa entre as filhas dos cananeus, em cuja terra estou morando.
38. Você irá à casa de meu pai e de meus parentes, e aí escolherá uma esposa para meu filho'.
39. Então eu disse ao meu senhor: 'E se a mulher não quiser vir comigo?'
40. Ele me respondeu: 'Javé, a quem meu comportamento agrada, vai enviar seu anjo com você; ele dará êxito à sua missão, e você encontrará uma esposa para o meu filho na casa de meus pais e parentes.
41. Você ficará livre do juramento quando for à casa de meus parentes; sim, você ficará livre do juramento, se eles negarem a mulher'.
42. Hoje eu cheguei à fonte e disse: 'Javé, Deus de meu senhor Abraão, mostra, eu te peço, se estás disposto a levar a bom termo a viagem que empreendi.
43. Aqui estou junto à fonte, e vou dizer para a jovem que vier buscar água: Dê-me de beber um pouco da água de seu balde.
44. Se ela me disser: Beba, que também vou tirar água para os seus camelos, então será essa a esposa que Javé destinou ao filho do meu senhor'.
45. Eu não tinha acabado de falar comigo mesmo, quando chegou Rebeca com o balde no ombro. Ela desceu à fonte e tirou água. Eu pedi a ela: 'Por favor, dê-me de beber'.
46. Ela abaixou logo o balde e disse: 'Beba, que também vou dar de beber a seus camelos'. Eu bebi, e ela deu de beber também aos meus camelos.
47. Então eu perguntei a ela: 'Você é filha de quem?' Ela respondeu: 'Sou filha de Batuel, o filho que Melca deu a Nacor'. Então eu lhe pus este anel nas narinas e estes braceletes nos braços.
48. Prostrei-me, adorei Javé, bendisse a Javé, Deus do meu senhor Abraão, que me guiou pelo caminho certo, para levar ao filho do meu senhor a filha do irmão dele.
49. Portanto, digam-me se querem ou não mostrar amor e fidelidade ao meu senhor, para que eu possa agir de acordo".
50. Labão e Batuel disseram: "Isso vem de Javé, e nós não podemos dizer nem sim, nem não.
51. Aí está Rebeca, tome-a e vá, e que ela seja a esposa do filho do seu senhor, conforme disse Javé".
52. Quando o servo de Abraão ouviu isso, prostrou-se por terra diante de Javé.
53. Depois pegou jóias de prata e ouro, e vestidos, e os deu a Rebeca. Também deu ricos presentes ao irmão e à mãe dela.
54. Então comeram e beberam, ele e seus companheiros, e passaram a noite. De manhã, quando se levantaram, o servo disse: "Deixe-me voltar para o meu senhor".
55. Então o irmão e a mãe de Rebeca disseram: "Deixe que a jovem fique ainda dez dias conosco. Depois, ela irá".
56. Mas o servo replicou: "Não me detenham, pois Javé deu êxito à minha viagem. Deixem-me voltar ao meu senhor".
57. Então eles disseram: "Vamos chamar a jovem e perguntar-lhe sua opinião".
58. Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: "Você quer partir com esse homem?" Ela respondeu: "Quero".
59. Então eles deixaram partir sua irmã Rebeca com sua ama, o servo de Abraão e seus homens.
60. Eles abençoaram Rebeca, dizendo: "Você é nossa irmã: torne-se milhares de milhares, e que sua descendência conquiste as cidades inimigas".
61. Rebeca e suas servas se levantaram, montaram nos camelos e acompanharam o homem. E foi assim que o servo de Abraão levou Rebeca.
62. Isaac tinha voltado do poço de Laai-Roí e morava na terra do Negueb.
63. Ao pôr-do-sol, Isaac saiu para passear no campo e, erguendo os olhos, viu que chegavam camelos.
64. Rebeca, erguendo os olhos, viu Isaac. Ela apeou do camelo,
65. e disse ao servo: "Quem é aquele homem lá no campo, que vem ao nosso encontro?" O servo respondeu: "É o meu senhor". Então ela pegou o véu e se cobriu.
66. O servo contou a Isaac tudo o que havia feito.
67. Então Isaac introduziu Rebeca em sua tenda e a recebeu por esposa. Isaac amou-a, consolando-se assim da morte de sua mãe.

[Gênesis 25]
Gênesis 25

OUTROS FILHOS DE ABRAÃO
1. Abraão tomou outra mulher chamada Cetura.
2. Esta gerou para ele Zamrã, Jecsã, Madã, Madia, Jesboc e Sué.
3. Jecsã gerou Sabá e Dadã, e os filhos de Dadã foram os assurim, os latusim e os loomim.
4. Os filhos de Madiã foram: Efa, Ofer, Henoc, Abida e Eldaá. Todos esses são descendentes de Cetura.
5. Abraão deu todos os seus bens a Isaac.
6. Quanto aos filhos de suas concubinas, Abraão lhes deu presentes e, ainda em vida, os mandou para longe do seu filho Isaac, para o leste, a região oriental.

MORTE DE ABRAÃO
7. Abraão viveu cento e setenta e cinco anos.
8. Depois Abraão expirou e morreu numa velhice feliz, idoso, e se reuniu com seus parentes.
9. Isaac e Ismael, seus filhos, o enterraram na gruta de Macpela, no campo de Efron, filho de Seor, o heteu, campo que está diante de Mambré.
10. É o campo que Abraão tinha comprado dos filhos de Het; nele foram enterrados Abraão e sua mulher Sara.
11. Depois da morte de Abraão, Deus abençoou seu filho Isaac. E Isaac morou junto ao poço de Laai-Roí.

FILHOS DE ISMAEL
12. São estes os descendentes de Ismael, filho de Abraão e Agar, a escrava egípcia de Sara.
13. Nomes dos filhos de Ismael por ordem de nascimento: o primogênito Nabaiot, depois Cedar, Adbeel, Mabsam,
14. Masma, Duma, Massa,
15. Hadad, Tema, Jetur, Nafis e Cedma.
16. São esses os filhos de Ismael e seus nomes por cercados e acampamentos: doze chefes de tribos.
17. Ismael viveu cento e trinta e sete anos. Depois expirou, morreu e se reuniu com seus parentes.
18. Habitou desde Hévila até Sur, que está a leste do Egito, na direção da Assíria. Ele se estabeleceu na frente de todos os seus irmãos.

2. HISTÓRIA DE ISAAC E JACÓ

IRMÃOS EM LUTA
19. História de Isaac, filho de Abraão. Abraão gerou Isaac.
20. Isaac tinha quarenta anos quando se casou com Rebeca, filha de Batuel, o arameu de Padã-Aram, e irmã de Labão, o arameu.
21. Isaac implorou a Javé por sua mulher, porque ela era estéril: Javé o escutou e sua mulher Rebeca ficou grávida.
22. As crianças, porém, lutavam dentro dela. Então ela disse: "Se é assim, para que viver?" Então foi consultar Javé.
23. E Javé lhe disse: "Em seu ventre há duas nações, dois povos se separam em suas entranhas. Um povo vencerá o outro, e o mais velho servirá ao mais novo".
24. Quando chegou o dia do parto, Rebeca teve gêmeos.
25. O primeiro saiu: era ruivo e peludo como um manto de pêlos, e lhe deram o nome de Esaú.
26. Em seguida, saiu seu irmão, com a mão segurando o calcanhar de Esaú, e lhe deram o nome de Jacó. Isaac tinha sessenta anos quando eles nasceram.
27. Os meninos cresceram. Esaú se tornou hábil caçador, homem rude, enquanto Jacó era homem tranqüilo, morando sob tendas.
28. Isaac apreciava a caça e preferia Esaú, enquanto Rebeca preferia Jacó.

ESAÚ PERDE SEUS DIREITOS
29. Certa vez, Jacó estava preparando um cozido, quando Esaú voltou do campo, esgotado.
30. Esaú pediu a Jacó: "Deixe-me comer dessa coisa vermelha, porque estou esgotado". É por isso que ele recebeu o nome de Edom.
31. Jacó respondeu: "Venda-me primeiro o direito de primogenitura".
32. Esaú disse: "Estou quase morrendo... Que me importa o direito de primogenitura?"
33. Jacó retomou: "Primeiro, o juramento". Esaú jurou e vendeu seu direito de primogenitura a Jacó.
34. Então Jacó lhe deu pão e o cozido de lentilhas. Esaú comeu e bebeu, levantou-se e partiu. E assim Esaú desprezou o direito de primogenitura.

[Gênesis 26]
Gênesis 26

ISAAC EM GERARA
1. Houve fome no país - além daquela que tinha havido no tempo de Abraão - e Isaac foi para Gerara, onde Abimelec era rei dos filisteus.
2. Javé apareceu a Isaac e disse: "Não desça para o Egito; fique na terra que eu lhe disser.
3. Fique morando aqui neste país, e eu estarei com você e o abençoarei, pois eu darei todas estas terras a você e a seus descendentes, cumprindo o juramento que fiz a seu pai Abraão.
4. Tornarei a descendência de você numerosa como as estrelas do céu, e darei a seus descendentes todas estas terras. Por meio da sua descendência, serão abençoadas todas as nações da terra,
5. porque Abraão me obedeceu, observou meus preceitos e mandamentos, meus estatutos e leis".
6. Então Isaac ficou em Gerara.
7. Os homens do lugar perguntaram a Isaac sobre Rebeca. Isaac respondeu: "É minha irmã". Ele ficou com medo de dizer que era sua mulher, pois pensava: "Os homens deste lugar me matarão por causa de Rebeca, pois ela é muito bonita".
8. Isaac se encontrava aí já fazia muito tempo, quando Abimelec, rei dos filisteus, olhou certo dia pela janela e viu Isaac acariciando a esposa Rebeca.
9. Abimelec chamou Isaac e disse: "É claro que ela é sua mulher! Por que você disse que é sua irmã?" Isaac respondeu: "Porque pensei que iam me matar por causa dela".
10. Abimelec continuou: "Por que você fez isso? Por pouco alguém do povo dormiria com sua mulher, e você nos tornaria todos culpados!"
11. Então Abimelec deu esta ordem a todo o povo: "Quem tocar neste homem ou em sua mulher, morrerá".

A LUTA PELA ÁGUA
12. Isaac semeou aquela terra e, nesse ano, colheu o cêntuplo. Javé o abençoou
13. e ele foi ganhando muito, até ficar bem rico.
14. Tinha rebanhos de bois e ovelhas e numerosos servos. Por causa disso, os filisteus ficaram com inveja.
15. Os filisteus haviam entulhado e coberto de terra todos os poços que os servos de Abraão, pai de Isaac, haviam cavado no tempo de Abraão.
16. Abimelec disse a Isaac: "Vá embora daqui, porque você ficou mais poderoso do que nós".
17. Isaac foi embora dali, acampou no vale de Gerara, e aí se estabeleceu.
18. Cavou de novo os poços que os servos de seu pai Abraão haviam cavado e que os filisteus tinham entulhado depois da morte de Abraão, e lhes deu os mesmos nomes que seu pai lhes havia dado.
19. Os servos de Isaac cavaram no vale e encontraram aí uma fonte.
20. Mas os pastores de Gerara brigaram com os pastores de Isaac, dizendo: "Essa água é nossa!" Isaac então chamou esse poço de Desafio, pois brigavam por causa dele.
21. Cavaram outro poço, e também acabaram brigando por causa dele. A este Isaac deu o nome de Rivalidade.
22. Então partiu daí e cavou outro poço; e, como não houve briga por causa deste, deu-lhe o nome de Campo Livre, dizendo: "Agora Javé nos deu o campo livre para que prosperemos na terra".
23. Daí, Isaac subiu para Bersabéia.
24. Nessa noite, Javé apareceu a ele e disse: "Eu sou o Deus do seu pai Abraão. Não tenha medo, pois estou com você. Eu o abençoarei, e multiplicarei seus descendentes, em atenção ao meu servo Abraão".
25. Isaac levantou aí um altar, invocou o nome de Javé, e armou sua tenda. E seus servos começaram a cavar um poço.
26. Abimelec, juntamente com Ocozat, seu conselheiro, e Ficol, chefe do seu exército, foi de Gerara para visitar Isaac.
27. E Isaac lhes disse: "O que vocês vieram fazer aqui? Vocês me odeiam e me expulsaram".
28. Eles responderam: "Vimos que Javé está com você, e combinamos fazer um juramento e uma aliança entre nós e você.
29. Jure que não nos fará nenhum mal, assim como nós não o tratamos mal e o deixamos partir em paz. Agora você é um abençoado de Javé".
30. Isaac preparou um banquete; comeram e beberam.
31. Levantaram-se de madrugada e fizeram um juramento mútuo. Depois Isaac os despediu, e eles o deixaram em paz.
32. Nesse dia, os servos de Isaac lhe levaram notícias do poço que haviam cavado, e disseram: "Encontramos água".
33. Isaac deu ao poço o nome de Seba, de onde vem o nome Bersabéia, até o dia de hoje.
34. Quando Esaú completou quarenta anos, tomou como esposas Judite, filha de Beeri, o heteu, e Basemat, filha de Elon, o heteu.
35. Elas se tornaram amargura para Isaac e Rebeca.

[Gênesis 27]
Gênesis 27

JACÓ ROUBA A BÊNÇÃO DE ESAÚ
1. Isaac ficou velho, e seus olhos se enfraqueceram, a ponto de não enxergar mais nada. Então chamou Esaú, seu filho mais velho: "Meu filho!" Esaú respondeu: "Estou aqui".
2. Isaac continuou: "Veja! Estou velho e não sei quando vou morrer.
3. Agora, pegue suas armas, suas flechas e o arco, vá ao campo e traga-me alguma caça.
4. Prepare-me um bom prato, do jeito que eu gosto, e traga-me para que eu coma, e antes de morrer eu abençoe você".
5. Rebeca ouviu tudo o que Isaac falava com seu filho Esaú. E Esaú saiu para o campo a fim de caçar alguma coisa para seu pai.
6. Rebeca disse a seu filho Jacó: "Ouvi seu pai dizer a seu irmão Esaú:
7. 'Traga-me alguma caça e faça-me um bom prato, para eu comer e abençoar você diante de Javé, antes de morrer'.
8. Agora, escute-me e faça o que eu mandar.
9. Vá ao rebanho e me traga dois cabritos gordos. Vou preparar para seu pai um prato do jeito que ele gosta.
10. Depois você levará o prato a seu pai, para ele comer e abençoar você antes de morrer".
11. Jacó disse à sua mãe Rebeca: "Mas meu irmão Esaú é peludo e minha pele é lisa!
12. Se meu pai me tocar, ele vai perceber que eu quis enganá-lo e, em vez de bênção, atrairei maldição sobre mim".
13. Mas sua mãe lhe respondeu: "Meu filho, que a maldição dele caia sobre mim. Obedeça-me, vá e traga os cabritos".
14. Jacó foi buscar os cabritos e os levou para sua mãe. Ela preparou um bom prato, do jeito que o pai gostava.
15. Rebeca pegou as melhores roupas que Esaú, o filho mais velho, tinha em casa, e com elas vestiu Jacó, seu filho mais novo.
16. Então cobriu-lhe os braços e a parte lisa do pescoço com a pele dos cabritos.
17. Depois colocou nas mãos do seu filho Jacó o pão e o prato que ela havia preparado.
18. Então Jacó foi até seu pai e disse: "Pai!" Isaac respondeu: "Aqui estou. Quem é você, meu filho?"
19. Jacó respondeu ao pai: "Sou Esaú, seu primogênito. Fiz o que o senhor me mandou. Levante-se, sente-se e coma da minha caça. Depois, o senhor me abençoará".
20. Isaac disse a Jacó: "Como você encontrou a caça depressa, meu filho!" Jacó respondeu: "É que Javé, o seu Deus, a colocou ao meu alcance".
21. Isaac disse a Jacó: "Aproxime-se, meu filho, para que eu o apalpe e veja se você é ou não o meu filho Esaú".
22. Jacó aproximou-se de seu pai Isaac, que o apalpou e disse: "A voz é de Jacó, mas os braços são de Esaú".
23. Isaac não reconheceu Jacó, porque os braços dele estavam peludos como os de seu irmão Esaú. Então ele o abençoou.
24. E voltou a lhe perguntar: "Você é o meu filho Esaú?" Jacó respondeu: "Sou".
25. Isaac continuou: "Sirva a caça, meu filho, para que eu coma e depois o abençoe". Jacó o serviu e Isaac comeu; apresentou-lhe vinho, e ele bebeu.
26. Então seu pai Isaac lhe disse: "Meu filho, aproxime-se e me beije".
27. Jacó se aproximou e beijou o pai, que lhe aspirou o perfume das roupas. E o abençoou, dizendo: "Sim, o perfume do meu filho é como o perfume de um campo fértil que Javé abençoou.
28. Que Deus dê a você o orvalho do céu e a fertilidade da terra, trigo e vinho em abundância.
29. Que os povos o sirvam e as nações se prostrem diante de você. Seja um senhor para seus irmãos, e os filhos de sua mãe se prostrem diante de você. Maldito seja quem amaldiçoar você; e bendito seja quem o abençoar".
30. Logo que Isaac acabou de abençoar Jacó e este saiu de junto de seu pai, o irmão Esaú voltava da caça.
31. Ele também preparou um prato saboroso e o levou a seu pai. E lhe disse: "Que meu pai se levante e coma da caça de seu filho, e depois me abençoe".
32. Seu pai Isaac lhe perguntou: "Quem é você?" Ele respondeu: "Sou Esaú, seu filho primogênito!"
33. Então Isaac estremeceu emocionado, e disse: "Então, quem foi que veio e me trouxe a caça? Eu a comi antes que você chegasse e o abençoei, e abençoado ele ficará".
34. Quando Esaú ouviu as palavras de seu pai, deu um forte grito e, cheio de amargura, disse ao pai: "Abençoe-me também, meu pai!"
35. Mas Isaac respondeu: "Seu irmão veio com astúcia e tomou a bênção que cabia a você".
36. Esaú disse: "Com razão ele se chama Jacó: é a segunda vez que ele me engana! Tirou o meu direito de primogenitura e agora roubou a minha bênção". E acrescentou: "O senhor não reservou nenhuma bênção para mim?"
37. Isaac respondeu a Esaú: "Eu tornei Jacó senhor de você, dei-lhe todos os seus irmãos como servos e lhe garanti trigo e vinho. Que posso fazer por você agora, meu filho?"
38. Esaú disse ao pai: "O senhor tem só uma bênção, meu pai? Abençoe também a mim, meu pai!" Isaac ficou em silêncio e Esaú chorou em voz alta.
39. Isaac então lhe disse: "A sua morada será longe da terra fértil e sem o orvalho que desce do céu.
40. Você viverá da sua espada e servirá a seu irmão. Mas quando você se revoltar, sacudirá o jugo do seu pescoço".

O PREÇO DE UMA TRAPAÇA
41. Esaú começou a odiar Jacó, por causa da bênção que seu pai havia dado a ele. E dizia a si mesmo: "Quando chegar o luto por meu pai, vou matar meu irmão Jacó".
42. Contaram a Rebeca o que seu filho mais velho Esaú andava dizendo. Então ela mandou chamar Jacó, o filho mais novo, e lhe disse: "Seu irmão Esaú quer matar você para vingar-se.
43. Portanto, meu filho, ouça bem: fuja para Harã, junto de meu irmão Labão.
44. Fique com ele algum tempo, até que passe a raiva do seu irmão,
45. até que a cólera do seu irmão se desvie de você e ele esqueça o que você lhe fez. Depois eu mandarei buscar você. Não quero perder os meus dois filhos num só dia".
46. Rebeca disse a Isaac: "Essas mulheres hetéias me tornam a vida insuportável. Se também Jacó casar com mulheres hetéias deste país, de que me adianta viver?"

[Gênesis 28]
Gênesis 28

1. Isaac chamou Jacó, o abençoou e lhe deu esta ordem: "Não se case com mulher cananéia.
2. Vá até Padã-Aram, à casa de Batuel, seu avô materno, e escolha uma mulher de lá, entre as filhas de Labão, seu tio materno.
3. Que o Deus Todo-poderoso o abençoe e torne você fecundo e o multiplique, a fim de que você se torne uma assembléia de povos.
4. Que ele conceda a você e à sua descendência a bênção de Abraão, a fim de que você possua a terra onde está vivendo e que Deus deu a Abraão".
5. Isaac despediu Jacó, e este partiu para Padã-Aram, para a casa de Labão, filho do arameu Batuel, e irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.
6. Esaú viu que Isaac tinha abençoado Jacó e o tinha mandado a Padã-Aram, para lá buscar uma esposa, e que o tinha abençoado, dando esta ordem: "Não se case com uma cananéia".
7. E Jacó obedeceu a seu pai e sua mãe, e partiu para Padã-Aram.
8. Esaú soube que as cananéias eram malvistas por seu pai Isaac.
9. Foi, então, à casa de Ismael e tomou como esposa, além das que possuía, Maelet, filha de Ismael, filho de Abraão, e irmã de Nabaiot.

A ESSÊNCIA DA RELIGIÃO
10. Jacó deixou Bersabéia e partiu para Harã.
11. Chegou a certo lugar e resolveu passar a noite aí, porque o sol já se havia posto. Jacó pegou uma pedra do lugar, colocou-a sob a cabeça, e dormiu.
12. Teve então um sonho: Uma escada se erguia da terra e chegava até o céu, e anjos de Deus subiam e desciam por ela.
13. Javé estava de pé, no alto da escada, e disse a Jacó: "Eu sou Javé, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaac. A terra sobre a qual você dormiu, eu a entrego a você e à sua descendência.
14. Sua descendência se tornará numerosa como a poeira do chão, e você ocupará o oriente e o ocidente, o norte e o sul. E todas as nações da terra serão abençoadas por meio de você e da sua descendência.
15. Eu estou com você e o protegerei em qualquer lugar aonde você for. Depois eu o farei voltar a esta terra, pois nunca o abandonarei, até cumprir o que prometi".
16. Ao despertar, Jacó disse: "De fato, Javé está neste lugar e eu não sabia disso".
17. Ficou com medo, e disse: "Este lugar é terrível. Não é nada menos que a Casa de Deus e a Porta do Céu".
18. Levantou-se de madrugada, pegou a pedra que lhe havia servido de travesseiro, ergueu-a como estela e derramou óleo por cima.
19. E chamou esse lugar de Betel. Mas antes a cidade se chamava Luza.
20. Jacó fez, então, este voto: "Se Deus estiver comigo e me proteger no caminho por onde eu for, se me der pão para comer e roupas para vestir,
21. se eu voltar são e salvo para a casa do meu pai, então Javé será o meu Deus.
22. E esta pedra que ergui como estela será uma casa de Deus, e eu te darei a décima parte de tudo o que me deres".

[Gênesis 29]
Gênesis 29

RAQUEL E LIA
1. Jacó continuou viagem e foi para a terra dos orientais.
2. Em certo campo, viu um poço e, deitados perto dele, três rebanhos de ovelhas, pois os rebanhos costumavam beber nesse poço. A pedra que tapava o poço era grande,
3. de modo que só quando se reuniam aí todos os rebanhos é que os pastores tiravam a pedra da boca do poço, davam de beber aos rebanhos e tornavam a tapar o poço, colocando a pedra no lugar.
4. Jacó perguntou aos pastores: "Irmãos, de onde são vocês?" Eles responderam: "Nós somos de Harã".
5. Jacó perguntou: "Vocês conhecem Labão, filho de Nacor?" Eles responderam: "Conhecemos".
6. Jacó perguntou: "Como é que ele vai?" Eles responderam: "Ele está bem. Veja! Raquel, filha dele, está chegando com o rebanho".
7. Jacó disse: "Ainda é pleno dia e não é hora de recolher o rebanho. Por que vocês não dão de beber para as ovelhas e as deixam pastar?"
8. Eles responderam: "Não podemos fazer isso antes que se reúnam todos os rebanhos. Só então é que tiramos a pedra, destampamos o poço e damos de beber para as ovelhas".
9. Jacó ainda estava conversando com eles, quando Raquel chegou com o rebanho do seu pai, pois ela era pastora.
10. Logo que Jacó viu Raquel, a filha do seu tio Labão, e as ovelhas de Labão, aproximou-se, tirou a pedra da boca do poço e deu de beber ao rebanho do seu tio.
11. Jacó deu um beijo em Raquel e depois começou a chorar.
12. Então contou a Raquel que ele era parente do pai dela e filho de Rebeca.
13. Ao saber que se tratava de seu sobrinho Jacó, Labão correu ao encontro dele, o abraçou, o cobriu de beijos e o levou para sua casa. Então Jacó contou a Labão tudo o que havia acontecido.
14. E Labão lhe disse: "É claro que você é da minha carne e do meu sangue". E Jacó ficou um mês com ele.
15. Labão disse a Jacó: "O fato de ser parente meu não é motivo para que você me sirva de graça. Diga-me qual deve ser o seu salário".
16. Ora, Labão tinha duas filhas: a mais velha se chamava Lia e a mais nova Raquel.
17. Os olhos de Lia eram meigos, porém, Raquel tinha um belo porte e um lindo rosto.
18. E Jacó amou Raquel. Então Jacó disse a Labão: "Eu o servirei durante sete anos em troca de sua filha mais nova, Raquel".
19. Labão respondeu: "É melhor dá-la a você do que a outro qualquer. Fique comigo".
20. Jacó serviu sete anos por Raquel, e estava tão apaixonado que os anos lhe pareceram dias.
21. Depois Jacó disse a Labão: "Terminou o prazo: me dê minha mulher, para que eu viva com ela".
22. Labão reuniu todos os homens do lugar, e lhes ofereceu um banquete.
23. À noite, pegou sua filha Lia, e a levou para Jacó. E Jacó dormiu com ela.
24. Labão deu sua serva Zelfa como serva para sua filha Lia.
25. Na manhã seguinte, Jacó descobriu que era Lia, e disse a Labão: "O que você fez comigo? Não foi por Raquel que eu o servi? Por que você me enganou?"
26. Labão respondeu: "Em nossa região não é costume que a mais nova se case antes da mais velha.
27. Termine esta semana de núpcias, e eu lhe darei também a outra em troca do serviço que você me fará durante outros sete anos".
28. Jacó aceitou. Terminou a semana de núpcias, e Labão lhe deu sua filha Raquel como mulher.
29. Labão deu sua serva Bala como serva para a sua filha Raquel.
30. Jacó uniu-se a Raquel, e amou a Raquel mais do que a Lia. E serviu na casa do seu tio outros sete anos.

RAÍZES DO POVO DE ISRAEL
31. Vendo que Lia era desprezada, Javé a tornou fecunda, enquanto Raquel permanecia estéril.
32. Lia concebeu e deu à luz um filho e deu a ele o nome de Rúben, pois dizia: "Javé olhou para a minha aflição e agora meu marido me amará".
33. Tornou a conceber e deu à luz um filho, e disse: "Javé ouviu que eu não era amada e me deu este outro". E ela o chamou Simeão.
34. Concebeu outra vez e deu à luz um filho, e disse: "Desta vez meu marido se sentirá ligado a mim, porque lhe dei três filhos". E ela o chamou Levi.
35. Concebeu outra vez e deu à luz um filho, e disse: "Desta vez dou graças a Javé". E, por isso, ela o chamou Judá. Depois parou de ter filhos.

[Gênesis 30]
Gênesis 30

1. Vendo que não dava filho a Jacó, Raquel ficou com inveja de sua irmã e disse a Jacó: "Ou você me dá filhos ou eu morro".
2. Jacó ficou irritado com Raquel, e disse: "Por acaso eu sou Deus para lhe negar a maternidade?"
3. Raquel respondeu: "Aqui está minha serva Bala. Una-se a ela, para que ela dê à luz sobre os meus joelhos. Assim terei filhos por meio dela".
4. Então Raquel lhe deu sua serva Bala como mulher, e Jacó uniu-se a Bala.
5. Bala concebeu e deu à luz um filho para Jacó.
6. Raquel disse: "Deus me fez justiça; ouviu minha voz e me deu um filho". Por isso, o chamou Dã.
7. Bala, a serva de Raquel, concebeu outra vez e gerou um segundo filho para Jacó.
8. Raquel disse: "Deus me fez competir com minha irmã, e eu venci". E ela o chamou Neftali.
9. Lia, vendo que não tinha mais filhos, tomou sua serva Zelfa, e a deu por esposa a Jacó.
10. Zelfa, a serva de Lia, gerou um filho para Jacó.
11. Lia disse: "Que sorte!" E ela o chamou Gad.
12. Zelfa, a serva de Lia, gerou um segundo filho para Jacó.
13. Lia disse: "Que felicidade! As mulheres me felicitarão". E o chamou Aser.
14. Um dia, durante a ceifa do trigo, Rúben saiu para o campo, encontrou mandrágoras, e as levou para a sua mãe Lia. Raquel disse a Lia: "Dê-me algumas mandrágoras do seu filho".
15. Lia lhe respondeu: "Você acha pouco ter tirado o meu marido? Agora quer também as mandrágoras do meu filho?" Raquel respondeu: "Pois bem! Que ele durma esta noite com você, em troca das mandrágoras do seu filho".
16. Quando, de tarde, Jacó voltou do campo, Lia foi ao seu encontro e lhe disse: "Você vai dormir comigo, pois com as mandrágoras do meu filho comprei o direito de dormir com você". E Jacó dormiu com Lia nessa noite.
17. Deus ouviu Lia: ela concebeu e gerou um quinto filho para Jacó.
18. E Lia disse: "Deus pagou meu salário, por ter dado minha serva ao meu marido". E o chamou Issacar.
19. Lia concebeu mais uma vez e gerou um sexto filho para Jacó.
20. E Lia disse: "Deus me fez um grande presente! Agora dominarei meu marido, pois lhe dei seis filhos". E o chamou Zabulon.
21. Em seguida, Lia deu à luz uma filha, e a chamou Dina.
22. Então Deus se lembrou de Raquel. Deus a ouviu e a tornou fecunda.
23. Raquel concebeu e deu à luz um filho. E disse: "Deus retirou minha vergonha".
24. Ela o chamou José, dizendo: "Que Javé me dê mais um".

O DIREITO DOS EXPLORADOS
25. Quando Raquel deu à luz José, Jacó disse a Labão: "Deixe-me partir para nosso lugar e nosso país.
26. Dê minhas mulheres, pelas quais eu servi a você, e meus filhos, que eu irei embora, pois você sabe o quanto eu o servi".
27. Labão lhe disse: "Que pena! Fiquei sabendo por um oráculo que Javé me abençoou por causa de você".
28. E acrescentou: "Diga agora o salário que você quer, e eu pagarei".
29. Jacó respondeu: "Você sabe quanto eu o servi e como seus bens se multiplicaram comigo.
30. O pouco que você possuía antes de mim, cresceu imensamente, porque Javé abençoou você por minha causa. Agora, já é tempo de eu fazer alguma coisa por minha família".
31. Labão perguntou: "Quanto lhe devo pagar?" Jacó respondeu: "Não precisa me pagar nada. Faça apenas o seguinte: voltarei a pastorear e guardar o seu rebanho.
32. Hoje vou passar pelo meio do seu rebanho; separe todo animal negro entre os cordeiros e o que é malhado ou pintado entre as cabras. Esse vai ser o meu salário,
33. e minha honestidade testemunhará por mim no futuro: quando chegar o momento de você me pagar, tudo o que não for pintado ou malhado entre as cabras ou negro entre os cordeiros, é porque eu os roubei".
34. Labão disse: "Está bem, seja como você propõe".
35. Nesse dia, Labão separou os bodes listrados e malhados, todas as cabras malhadas ou com manchas brancas, e todos os cordeiros negros. Labão os entregou a seus filhos,
36. e os mandou levar a três dias de caminhada de onde Jacó estava. Enquanto isso, Jacó ficou apascentando o resto do rebanho de Labão.
37. Jacó pegou varas verdes de álamo, de amendoeira e de plátano, descascou-as em tiras brancas, deixando aparecer a parte branca das varas.
38. Em seguida, colocou as varas assim descascadas nos bebedouros diante do rebanho, onde as ovelhas costumavam beber água, para que os machos cobrissem as fêmeas quando fossem beber água.
39. Os animais se acasalavam diante das varas e pariam crias listradas, pintadas e malhadas.
40. Quanto aos cordeiros, Jacó os separou e virou o rebanho para o lado dos listrados e de tudo o que era negro no rebanho de Labão. Deste modo, ele separou seus rebanhos e não os colocou junto com o rebanho de Labão.
41. Além disso, cada vez que os animais robustos se acasalavam, Jacó colocava as varas nos bebedouros diante dos animais, para que eles se acasalassem diante das varas.
42. Quando os animais eram fracos, Jacó não colocava as varas, de modo que ficava com Labão o que era fraco e o que era robusto ficava para Jacó.
43. Desse modo, Jacó se enriqueceu muitíssimo, tinha muitos rebanhos, servos e servas, camelos e jumentos.

[Gênesis 31]
Gênesis 31

1. Jacó soube que os filhos de Labão diziam: "Jacó pegou tudo o que pertencia ao nosso pai, e foi às custas de nosso pai que se enriqueceu".
2. Jacó observou o rosto de Labão e percebeu que ele já não o tratava como antes.
3. Javé disse a Jacó: "Volte para a terra de seus pais, para a sua pátria, e eu estarei com você".
4. Jacó chamou então Raquel e Lia para que fossem ao campo onde ele estava com o rebanho.
5. E lhes disse: "Observei o rosto do pai de vocês, que já não me trata como antes. Mas o Deus de meu pai está comigo.
6. Vocês sabem que servi o pai de vocês com todas as minhas forças.
7. Mas o pai de vocês me enganou, mudando dez vezes o meu salário. Deus, porém, não permitiu que ele me fizesse mal.
8. Cada vez que ele dizia: 'O que for pintado será o seu salário', aí todos os animais davam crias pintadas; e cada vez que me dizia: 'O que for listrado será o seu salário', então todos os animais davam crias listradas.
9. E assim Deus tirou dele o rebanho e o deu a mim.
10. Aconteceu que, ao chegar o tempo em que os animais entram no cio, ergui os olhos e vi em sonho que todos os machos que cobriam as fêmeas eram listrados, malhados ou pintados.
11. O anjo de Deus me disse em sonho: 'Jacó'. E eu respondi: 'Aqui estou'.
12. O anjo disse: 'Levante os olhos e veja! Todos os machos que cobrem as fêmeas são listrados, malhados ou pintados. Eu vi o que Labão está fazendo com você.
13. Eu sou o Deus que apareceu a você em Betel, onde você ungiu uma estela e me fez um voto. Agora levante-se, saia desta terra e volte para a sua pátria' ".
14. Raquel e Lia disseram a Jacó: "Nós teríamos direito a um dote e a uma herança na casa de nosso pai.
15. No entanto, ele nos trata como estrangeiras, porque nos vendeu e, ainda por cima, acabou com o nosso dinheiro.
16. Sim, toda a riqueza que Deus retirou de nosso pai pertence a nós e a nossos filhos. Portanto, faça agora tudo o que Deus disse a você".
17. Então Jacó se levantou, fez seus filhos e mulheres montarem sobre os camelos
18. e, guiando todo o rebanho e todos os bens que tinha adquirido em Padã-Aram, partiu para a casa do seu pai Isaac, na terra de Canaã.
19. Enquanto Labão foi tosquiar o rebanho, Raquel roubou os ídolos domésticos que pertenciam a seu pai.
20. Jacó, disfarçando na frente de Labão, o arameu, fugiu sem que ele suspeitasse.
21. Fugiu levando tudo o que possuía. Atravessou o rio e foi para a região montanhosa de Galaad.

DEFENDER OS DIREITOS ADQUIRIDOS
22. Três dias depois, informaram a Labão que Jacó havia fugido.
23. Labão tomou consigo seus irmãos e, perseguindo Jacó durante sete dias, alcançou-o na região montanhosa de Galaad.
24. Deus visitou Labão, o arameu, numa visão noturna, e lhe disse: "Cuidado com o que você vai dizer a Jacó".
25. Labão alcançou Jacó, que tinha armado a tenda na região montanhosa, e armou sua tenda na região montanhosa de Galaad.
26. Labão disse a Jacó: "O que você fez? Por que me enganou, levando embora minhas filhas como se fossem prisioneiras de guerra?
27. Por que fugiu às escondidas, sem me dizer nada? Eu teria despedido você com festas, cantos, tamborins e liras.
28. Você sequer me deixou beijar minhas filhas e netos. Você foi muito insensato.
29. Eu poderia causar-lhe dano, mas o Deus de seu pai, na noite passada, me falou: 'Cuidado com o que você vai dizer a Jacó'.
30. E se você partiu porque sentiu saudades da casa paterna, por que roubou meus deuses?"
31. Jacó respondeu a Labão: "Fiquei com medo, pensando que você iria tirar suas filhas de mim.
32. Mas aquele com quem você encontrar seus deuses não ficará vivo. Diante de minha gente, se você descobrir algo que lhe pertence, pegue-o". De fato, Jacó não sabia que era Raquel quem os havia roubado.
33. Labão foi procurar na tenda de Jacó, depois na tenda de Lia, e por fim na tenda das duas servas, e nada encontrou. Enquanto saía da tenda de Lia para entrar na de Raquel,
34. Raquel pegou os ídolos domésticos, colocou-os na sela do camelo e sentou-se em cima. Labão revirou toda a tenda e nada encontrou.
35. Raquel disse a seu pai: "Que meu senhor não fique bravo porque eu não me levanto em sua presença: é que me veio o incômodo das mulheres". Labão procurou e não encontrou os ídolos.
36. Jacó ficou furioso e começou a discutir com Labão: "Que crime cometi e qual é a minha falta para você me perseguir?
37. Você revirou todas as minhas coisas: encontrou, por acaso, alguma coisa sua? Coloque-a aqui, diante de minha gente e sua gente, e que eles julguem entre nós dois.
38. Veja bem! Estou há vinte anos com você, suas ovelhas e cabras não abortaram e eu não comi os cordeiros do seu rebanho.
39. Não lhe apresentei os animais despedaçados, mas eu os compensava com os meus. Você me pedia contas do que era roubado de dia e de noite.
40. De dia, eu era devorado pelo calor, e de noite pelo frio, e não conseguia pegar no sono.
41. Já estou há vinte anos em sua casa: servi a você catorze anos por suas duas filhas, seis anos por seu rebanho, e dez vezes você mudou o meu salário.
42. Se o Deus do meu pai, o Deus de Abraão, o Terrível Deus de Isaac, não estivesse comigo, você me teria mandado embora de mãos vazias. Mas Deus viu minha aflição e minha fadiga, e na noite passada me fez justiça".
43. Labão respondeu a Jacó: "As filhas são minhas, essas crianças são minhas, o rebanho é meu e tudo o que você vê pertence a mim. Que posso fazer hoje por essas minhas filhas e pelos netos que elas deram à luz?
44. Vamos fazer uma aliança entre mim e você, que sirva de garantia para nós dois".
45. Então Jacó pegou uma pedra e a ergueu como estela.
46. E Jacó disse à sua gente: "Ajuntem pedras". Eles pegaram pedras e com elas fizeram um monte, e junto a ele tomaram refeição.
47. Labão chamou o monte de Jegar-Saaduta, e Jacó o chamou de Galed.
48. Labão disse: "Que este monte de pedras seja um testemunho entre nós". Por isso, o chamou Galed
49. e Masfa, pois disse: "Javé nos vigiará a nós dois quando nos separarmos.
50. Se você maltratar minhas filhas ou tomar outras mulheres além delas, ainda que ninguém veja isso, Deus será nossa testemunha".
51. Labão disse a Jacó: "Olhe este monte e estela que levantei entre nós dois.
52. Este monte e estela vão testemunhar que não devo passar deste monte e estela para o seu lado, e que você não deve passar deste monte e desta estela para o meu lado, em atitude hostil.
53. Que o Deus de Abraão e o Deus de Nacor sejam nossos juízes". E Jacó jurou pelo Deus Terrível de seu pai Isaac.
54. Em seguida, Jacó ofereceu um sacrifício sobre a montanha e convidou sua gente para a refeição. Comeram e passaram a noite sobre a montanha.

[Gênesis 32]
Gênesis 32

1. Labão levantou-se de madrugada, beijou seus netos e suas filhas e os abençoou. Depois partiu e voltou para casa.
2. Jacó continuou o seu caminho e se encontrou com anjos de Deus.
3. Ao vê-los, Jacó exclamou: "Este é o acampamento de Deus". Por isso, deu a esse lugar o nome de Maanaim.

PESO DE UMA CULPA ANTIGA
4. Jacó enviou na frente mensageiros a seu irmão Esaú, no país de Seir, no campo de Edom.
5. Deu esta ordem a eles: "Vocês falarão deste modo ao meu senhor Esaú: Assim fala seu servo Jacó: Vivi com Labão e estive com ele até agora.
6. Adquiri bois e jumentos, ovelhas, servos e servas. Envio esta mensagem ao meu senhor para alcançar o seu favor".
7. Os mensageiros voltaram a Jacó, dizendo: "Fomos até seu irmão Esaú e ele próprio vem vindo ao encontro de você com quatrocentos homens".
8. Jacó ficou cheio de medo e angústia. Então dividiu em dois grupos os homens que estavam com ele, e também as ovelhas e bois,
9. calculando: "Se Esaú atacar um dos acampamentos, o outro poderá se salvar".
10. Jacó rezou: "Javé, Deus de meu pai Abraão e Deus de meu pai Isaac, tu me ordenaste: 'Volte à sua terra e à sua pátria, e eu serei bom com você'.
11. Eu não mereço os favores nem a bondade com que trataste teu servo. Quando atravessei o Jordão, eu tinha apenas um bastão, agora possuo duas caravanas.
12. Livra-me da mão do meu irmão Esaú, pois tenho medo que ele venha e mate as mães com os filhos.
13. Tu me disseste: 'Eu lhe darei bens e tornarei sua descendência tão numerosa como a areia do mar, que não se pode contar' ".
14. E Jacó passou a noite nesse lugar. De tudo o que possuía, Jacó separou um presente para o seu irmão Esaú:
15. duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte cordeiros,
16. trinta camelas de leite, com suas crias, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentinhos.
17. Ele os entregou a seus servos em rebanhos separados, e disse a eles: "Vão na minha frente e deixem espaço entre os rebanhos".
18. E deu esta ordem ao primeiro: "Quando meu irmão Esaú o encontrar e lhe perguntar: 'De quem você é, e para onde vai? De quem é tudo isso que você está levando?',
19. então você responderá: 'É do seu servo Jacó. É um presente que ele envia para o meu senhor Esaú, e ele próprio chegará depois de nós' ".
20. Jacó deu a mesma ordem ao segundo e ao terceiro e a todos os que acompanhavam os rebanhos: "Quando vocês encontrarem Esaú, digam tudo isso.
21. E acrescentem: 'Veja! Seu servo Jacó está vindo atrás de nós' ". Pois Jacó pensava: "Vou acalmar meu irmão com os presentes que vão antes de mim. Depois eu me apresentarei a ele. Talvez assim ele me receba bem".
22. Os presentes foram na frente, e Jacó ficou essa noite no acampamento.

LUTA COM DEUS
23. Nessa noite, Jacó se levantou, pegou suas duas mulheres, suas duas servas, seus onze filhos e atravessou o vau do Jaboc.
24. Jacó os pegou e os fez atravessar a torrente, com tudo o que possuía.
25. E Jacó ficou sozinho. Um homem lutou com Jacó até o despertar da aurora.
26. Vendo que não conseguia dominá-lo, o homem tocou a coxa dele, de modo que o tendão da coxa de Jacó se deslocou enquanto lutava com ele.
27. Então o homem disse: "Solte-me, pois a aurora está chegando". Jacó respondeu: "Não o soltarei, enquanto você não me abençoar".
28. O homem lhe perguntou: "Qual é o seu nome?" Ele respondeu: "Jacó".
29. O homem continuou: "Você já não se chamará Jacó, mas Israel, porque você lutou com Deus e com homens, e você venceu".
30. Jacó lhe perguntou: "Diga-me o seu nome". Mas ele respondeu: "Por que você quer saber o meu nome?" E aí mesmo o abençoou.
31. Jacó deu a esse lugar o nome de Fanuel, dizendo: "Eu vi Deus face a face e continuei vivo".
32. Ao nascer do sol, Jacó atravessou Fanuel e mancava por causa da coxa.
33. Por isso, até hoje os israelitas não comem o nervo ciático, que está na articulação da coxa: é porque aquele homem feriu Jacó na articulação da coxa, no nervo ciático.

[Gênesis 33]
Gênesis 33

LIÇÃO DE FRATERNIDADE
1. Erguendo os olhos, Jacó viu que Esaú estava chegando com os quatrocentos homens. Dividiu, então, as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas:
2. na frente, colocou as servas com seus filhos, mais atrás Lia com seus filhos e, por último, Raquel com José.
3. Então ele foi na frente de todos e prostrou-se por terra sete vezes antes de chegar até seu irmão.
4. Esaú, porém, correu ao seu encontro, o abraçou e beijou e o apertou junto ao peito. E ambos começaram a chorar.
5. Esaú, erguendo os olhos, viu as mulheres e as crianças. E perguntou: "Quem são esses que estão com você?" Jacó respondeu: "São os filhos com que Deus presenteou o seu servo".
6. As servas se aproximaram com os filhos, e se prostraram.
7. Lia também se aproximou com os filhos e se prostraram. Finalmente, aproximou-se Raquel com José, e se prostraram.
8. Esaú perguntou: "Que significam todos esses rebanhos que eu vinha encontrando pelo caminho?" Jacó respondeu: "É para alcançar as graças do meu senhor".
9. Esaú replicou: "Caro irmão, eu tenho o suficiente. Fique com o que é seu".
10. Jacó insistiu: "De modo algum! Se alcancei o seu favor, aceite estes presentes de minha mão, pois vim à sua presença como se eu fosse à presença de Deus, e você me acolheu bem.
11. Aceite, portanto, o presente que lhe ofereço, pois Deus me favoreceu, e eu tenho tudo o que preciso". Como Jacó insistisse, Esaú aceitou.
12. Depois, Esaú disse: "Vamos continuar a viagem. Eu irei com você".
13. Mas Jacó lhe respondeu: "Meu senhor sabe que as crianças são delicadas e que devo pensar nas ovelhas e vacas de leite. Bastaria um dia de marcha forçada e todo o rebanho morreria.
14. Que meu senhor vá na frente de seu servo; eu irei devagar, ao passo das crianças e do rebanho que vai na minha frente. Alcançarei o meu senhor em Seir".
15. Então Esaú disse: "Deixarei com você alguns de meus homens como escolta". Mas Jacó recusou: "Para que isso, se alcancei o favor de meu senhor?"
16. Nesse dia, Esaú voltou para Seir.
17. Jacó, porém, partiu para Sucot, onde construiu uma casa e currais para o rebanho. É por isso que se deu ao lugar o nome de Sucot.
18. Jacó chegou são e salvo à cidade de Siquém, na terra de Canaã, quando voltou de Padã-Aram, e acampou diante da cidade.
19. O terreno, onde ergueu sua tenda, ele o comprou dos filhos de Hemor, pai de Siquém, por cem moedas de prata.
20. Aí levantou um altar, que denominou "El, o Deus de Israel".

[Gênesis 34]
Gênesis 34

DINA E SIQUÉM
1. Dina, filha de Lia e Jacó, saiu para ver as mulheres do país.
2. Siquém, o filho do heveu Hemor, príncipe do país, tendo-a visto, tomou-a, dormiu com ela e a violentou.
3. Contudo, sentiu-se atraído por Dina, filha de Jacó, apaixonou-se por ela e procurou cativá-la.
4. Então Siquém falou a seu pai Hemor: "Consegue-me essa jovem para ser minha mulher".
5. Jacó soube que Siquém tinha desonrado sua filha Dina; mas, como seus filhos estavam no campo com o rebanho, esperou em silêncio até que eles voltassem.
6. Hemor, pai de Siquém, foi falar com Jacó.
7. Quando os filhos de Jacó voltaram do campo e souberam da notícia, ficaram indignados e furiosos, pois era uma infâmia em Israel que Siquém tivesse dormido com a filha de Jacó, coisa que não se faz.
8. Hemor falou com eles: "Meu filho Siquém se apaixonou pela filha de vocês. Peço que vocês a dêem para ele como esposa.
9. Assim nos tornaremos parentes: vocês nos darão suas filhas e tomarão as nossas para vocês,
10. e viverão conosco. A terra está à disposição de vocês: podem morar nela, fazer comércio e adquirir propriedades".
11. Siquém disse ao pai e aos irmãos de Dina: "Façam-me esse favor, e eu lhes darei o que vocês me pedirem.
12. Vocês podem colocar um preço alto pela noiva: eu pagarei o que vocês me pedirem, contanto que a dêem para ser minha mulher".
13. Os filhos de Jacó responderam a Siquém e a seu pai Hemor com falsidade, porque sua irmã Dina tinha sido desonrada:
14. "Não podemos fazer o que pedem, dando nossa irmã para um homem que não é circuncidado, pois isso é uma desonra para nós.
15. Só vamos concedê-la com uma condição: vocês devem se tornar como nós e circuncidar todos os homens.
16. Então daremos a vocês nossas filhas e tomaremos as filhas de vocês para nós; viveremos com vocês e seremos um só povo.
17. Mas, se vocês não aceitarem a circuncisão, vamos tomar nossa filha e partir".
18. As palavras deles agradaram a Hemor e a Siquém, filho de Hemor.
19. O jovem não tardou em fazer isso, pois queria a filha de Jacó, e era o mais considerado de toda a família.
20. Então Hemor e seu filho Siquém foram ao Conselho da cidade e falaram a toda a população:
21. "Essa gente é de paz: que eles habitem a nossa terra entre nós, e nela façam comércio, pois a terra é espaçosa. Tomaremos as filhas deles como mulheres e daremos as nossas filhas a eles.
22. Mas eles colocaram uma condição para viver entre nós e formar um só povo: que todos os homens sejam circuncidados como eles.
23. Seus rebanhos, seus bens e animais serão nossos. Aceitemos, e eles viverão entre nós".
24. Os membros do Conselho aceitaram a proposta de Hemor e de seu filho Siquém, e circuncidaram todos os homens que tinham idade para freqüentar o Conselho.
25. No terceiro dia, quando os homens estavam convalescendo, Simeão e Levi, filhos de Jacó e irmãos de Dina, tomaram cada um a sua espada, entraram sem oposição na cidade e mataram todos os homens.
26. Passaram a fio de espada Hemor e seu filho Siquém, tomaram Dina da casa de Siquém, e partiram.
27. Os filhos de Jacó atacaram os feridos e pilharam a cidade, porque haviam desonrado sua irmã.
28. E deles pegaram as ovelhas, bois e jumentos, tudo o que havia na cidade e no campo.
29. Roubaram-lhes todos os bens, todas as crianças, e pilharam o que havia nas casas.
30. Jacó disse a Simeão e Levi: "Vocês me arruinaram, tornando-me odioso para os cananeus e ferezeus que habitam o país. Somos poucos: se eles se reunirem e nos atacarem, me matarão e acabarão comigo e com minha família".
31. Mas eles responderam: "Por acaso nossa irmã pode ser tratada como uma prostituta?"

[Gênesis 35]
Gênesis 35

JACÓ EM BETEL
1. Deus disse a Jacó: "Levante-se, suba a Betel e vá morar aí. E aí construa um altar ao Deus que lhe apareceu, quando você estava fugindo do seu irmão Esaú".
2. Então Jacó disse à sua família e a todos os que estavam com ele: "Joguem fora os deuses estrangeiros que estão no meio de vocês, purifiquem-se e troquem de roupa.
3. Vamos subir a Betel, onde farei um altar ao Deus que me ouviu no perigo e me acompanhou em minha viagem".
4. Eles entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam, e os anéis que traziam nas orelhas. E Jacó enterrou tudo debaixo do carvalho que está junto a Siquém.
5. Levantaram acampamento, e o terror de Deus caía sobre as cidades vizinhas, e os filhos de Jacó não foram perseguidos.
6. Jacó chegou com toda a sua gente a Luza, que é Betel, na terra de Canaã.
7. Aí ele construiu um altar e deu ao lugar o nome de El-Betel, porque aí Deus apareceu a ele quando fugia do seu irmão.
8. Nessa ocasião, morreu Débora, ama de Rebeca, e foi enterrada perto de Betel, debaixo do carvalho que se chama Carvalho-dos-Prantos.
9. Ao voltar de Padã-Aram, Deus apareceu de novo a Jacó e o abençoou,
10. dizendo: "Seu nome é Jacó, mas você não se chamará mais Jacó: seu nome será Israel". E lhe deu o nome de Israel.
11. Deus acrescentou: "Eu sou o Deus Todo-poderoso: seja fecundo e multiplique-se. De você nascerá uma nação, uma assembléia de nações, e de suas entranhas sairão reis.
12. Entrego a você a terra que dei a Abraão e Isaac; darei essa terra a vocês e a seus descendentes".
13. Depois que Deus se retirou de junto dele,
14. Jacó ergueu uma estela de pedra no lugar em que havia falado com Deus. Depois fez sobre ela uma libação e a ungiu com óleo.
15. E Jacó deu o nome de Betel ao lugar onde Deus lhe havia falado.

MORTE DE RAQUEL E ISAAC
16. Partiram de Betel. Quando faltava um bom trecho para chegarem a Éfrata, Raquel deu à luz. O parto foi difícil
17. e, como desse à luz com dificuldade, a parteira lhe disse: "Não tenha medo, pois também este é um menino!"
18. Estando prestes a morrer, Raquel lhe deu o nome de Benoni, mas o pai o chamou Benjamim.
19. Raquel morreu e foi enterrada no caminho de Éfrata, que hoje é Belém.
20. Jacó ergueu uma estela sobre o seu túmulo; é a estela do túmulo de Raquel, que existe até hoje.
21. Israel partiu e acampou no outro lado da Torre do Rebanho.
22. Enquanto Israel habitava nessa região, Rúben dormiu com Bala, concubina de seu pai, e Israel ficou sabendo. Os filhos de Jacó foram doze.
23. Filhos de Lia: Rúben, o primogênito de Jacó; depois, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zabulon.
24. Filhos de Raquel: José e Benjamim.
25. Filhos de Bala, serva de Raquel: Dã e Neftali.
26. Filhos de Zelfa, serva de Lia: Gad e Aser. Estes são os filhos de Jacó que nasceram em Padã-Aram.
27. Jacó voltou para a casa de Isaac, seu pai, em Mambré, em Cariat-Arbe, hoje Hebron, onde habitaram Abraão e Isaac.
28. Isaac viveu cento e oitenta anos,
29. e morreu. Morreu e se reuniu com seus parentes, velho e com muitos anos. Seus filhos Esaú e Jacó o enterraram.

[Gênesis 36]
Gênesis 36

UM POVO IRMÃO
1. Descendentes de Esaú, que é Edom.
2. Esaú casou-se com mulheres cananéias: Ada, filha de Elon, o heteu; Oolibama, filha de Ana, filho de Sebeon, o heveu;
3. Basemat, filha de Ismael e irmã de Nabaiot.
4. Ada gerou Elifaz para Esaú; Basemat gerou Rauel.
5. Oolibama gerou Jeús, Jalam e Coré. São esses os filhos de Esaú, nascidos na terra de Canaã.
6. Esaú tomou suas mulheres, filhos e filhas, todas as pessoas de sua casa, seu rebanho e todo o seu gado, e tudo o que havia adquirido na terra de Canaã, e foi para a terra de Seir, longe do seu irmão Jacó.
7. Eles tinham muitos bens e não podiam viver juntos, e a terra em que moravam não podia manter a eles e seus rebanhos.
8. Então Esaú se estabeleceu na região montanhosa de Seir. Esaú é Edom.
9. Descendentes de Esaú, antepassado dos edomitas, na região montanhosa de Seir.
10. Lista dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Ada, mulher de Esaú; e Rauel, filho de Basemat, mulher de Esaú.
11. Filhos de Elifaz: Temã, Omar, Sefo, Gatam e Cenez.
12. Elifaz, filho de Esaú, tinha uma concubina chamada Tamna, e ela gerou para ele Amalec. São esses os netos de Ada, mulher de Esaú.
13. Filhos de Rauel: Naat, Zara, Sama, Meza. São esses os netos de Basemat, mulher de Esaú.
14. Filhos de Oolibama, filha de Ana, filho de Sebeon, mulher de Esaú: Jeús, Jalam e Coré.
15. Chefes dos filhos de Esaú. Filhos de Elifaz, primogênito de Esaú: os chefes de Temã, Omar, Sefo, Cenez,
16. Coré, Gatam e Amalec. São esses os chefes de Elifaz na terra de Edom; são descendentes de Ada.
17. Os seguintes são todos filhos de Rauel, filho de Esaú: os chefes de Naat, Zara, Sama e Meza. São esses os chefes de Rauel, na terra de Edom; são descendentes de Basemat, mulher de Esaú.
18. Os seguintes são filhos de Oolibama, mulher de Esaú: os chefes de Jeús, Jalam e Coré. São esses os filhos de Oolibama, mulher de Esaú e filha de Ana.
19. São esses os filhos e os chefes de Esaú, que é Edom.
20. Filhos de Seir, o horreu, habitantes da terra: Lotã, Sobal, Sebeon, Ana,
21. Dison, Eser e Disã. São esses os chefes horreus, descendentes de Seir, na terra de Edom.
22. Os filhos de Lotã foram Hori e Emam, e a irmã de Lotã era Tamna.
23. Filhos de Sobal: Alvã, Manaat, Ebal, Sefo e Onam.
24. Filhos de Sebeon: Aía e Ana. Foi este Ana que encontrou as águas quentes no deserto, enquanto apascentava os jumentos de seu pai Sebeon.
25. Filhos de Ana: Dison e Oolibama, filha de Ana.
26. Filhos de Dison: Hamdã, Esebã, Jetrã e Carã.
27. Filhos de Eser: Balaã, Zavã e Acã.
28. Filhos de Disã: Hus e Arã.
29. Chefes dos horreus: os chefes de Lotã, Sobal, Sebeon, Ana,
30. Dison, Eser e Disã. São esses os chefes dos horreus, segundo seus clãs na terra de Seir.
31. Reis que reinaram na terra de Edom, antes que os israelitas tivessem um rei.
32. Em Edom reinou Bela, filho de Beor, e sua cidade se chamava Danaba.
33. Bela morreu e em seu lugar reinou Jobab, filho de Zara, de Bosra.
34. Jobab morreu e em seu lugar reinou Husam, da terra dos temanitas.
35. Husam morreu e em seu lugar reinou Adad, filho de Badad, que derrotou os madianitas nos campos de Moab; sua cidade se chamava Avit.
36. Adad morreu e em seu lugar reinou Semla de Masreca.
37. Semla morreu e em seu lugar reinou Saul, de Reobot Naar.
38. Saul morreu e em seu lugar reinou Baalanã, filho de Acobor.
39. Baalanã, filho de Acobor, morreu e em seu lugar reinou Adad; sua cidade chamava-se Fau; sua mulher se chamava Meetabel, filha de Matred, de Mezaab.
40. Nomes dos chefes de Esaú por grupos, localidades e nomes: Tamna, Alva, Jetet,
41. Oolibama, Ela, Finon,
42. Cenez, Temã, Mabsar,
43. Magdiel e Iram. São esses os chefes de Edom, segundo as regiões onde habitavam. Esaú é o antepassado de Edom.

[Gênesis 37]
3. HISTÓRIA DE JOSÉ E SEUS IRMÃOS

Gênesis 37

PREFERÊNCIAS PROVOCAM INVEJA
1. Jacó permaneceu em Canaã, a terra em que seu pai tinha morado.
2. Esta é a história de Jacó. José tinha dezessete anos e pastoreava o rebanho com seus irmãos. Ajudava os filhos de Bala e Zelfa, mulheres de seu pai. Certo dia, falou a seu pai da má fama que eles tinham.
3. José era o preferido de Israel, porque era o filho de sua velhice e, por isso, mandou fazer para ele uma túnica de mangas longas.
4. Seus irmãos perceberam que o pai o preferia aos outros filhos. Por isso, ficaram com raiva, e não falavam amigavelmente com ele.
5. Um dia, José teve um sonho e o contou a seus irmãos, que ficaram com mais raiva dele.
6. José disse aos irmãos: "Escutem o sonho que eu tive.
7. Estávamos atando feixes no campo; meu feixe se levantou e ficou de pé e os feixes de vocês o rodearam e se prostraram diante dele".
8. Os irmãos lhe perguntaram: "Será que você está querendo ser nosso rei ou dominar-nos como senhor?" E eles ficaram com mais raiva ainda, por causa dos sonhos que José lhes contava.
9. E José teve mais um sonho que contou a seus irmãos: "Tive outro sonho: o sol, a lua e onze estrelas se prostravam diante de mim".
10. Ele contou o sonho a seu pai e aos irmãos. Então o pai o repreendeu, dizendo: "Que sonho é esse que você teve? Quer dizer que eu, sua mãe e seus irmãos vamos prostrar-nos por terra diante de você?"
11. Os irmãos ficaram com ciúmes de José, enquanto o pai meditava sobre o assunto.

INVEJA PRODUZ ÓDIO FRATRICIDA
12. Os irmãos de José foram apascentar o rebanho de seu pai em Siquém.
13. Israel disse a José: "Seus irmãos devem estar com os rebanhos em Siquém. Venha cá! Vou mandar você até onde eles estão". José respondeu: "Aqui estou".
14. O pai lhe disse: "Então vá ver como estão seus irmãos e o rebanho, e traga-me notícias". O pai o mandou do vale de Hebron, e José chegou a Siquém.
15. Um homem encontrou José que andava errante pelos campos. E lhe perguntou: "O que é que você está procurando?"
16. José respondeu: "Procuro meus irmãos. Por favor, diga-me: onde eles estão apascentando os rebanhos?"
17. O homem disse: "Eles partiram daqui, e eu os ouvi dizer que iam para Dotain". Então José foi à procura de seus irmãos e os encontrou em Dotain.
18. Os irmãos o viram de longe e, antes que se aproximasse, começaram a planejar a morte dele.
19. Disseram entre si: "Aí vem o sonhador!
20. Vamos matá-lo e jogá-lo num poço. Diremos que um animal feroz o devorou. Veremos, então, para que servem seus sonhos".
21. Rúben ouviu isso e procurou salvar José das mãos deles. Rúben disse: "Não vamos matá-lo".
22. E continuou: "Não derramem sangue. Joguem o rapaz nesse poço do deserto, mas não levantem a mão contra ele". Rúben pretendia salvar José das mãos deles e devolvê-lo ao pai.
23. Quando José chegou ao lugar onde estavam seus irmãos, eles lhe arrancaram a túnica de mangas longas,
24. o agarraram e o jogaram dentro de um poço vazio, onde não havia água.
25. Depois, sentaram-se para comer. Levantando os olhos, viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Galaad. Seus camelos estavam carregados de especiarias, bálsamo e resina, que levavam para o Egito.
26. Então Judá falou a seus irmãos: "Que vamos ganhar matando nosso irmão e escondendo o crime?
27. Vamos vendê-lo aos ismaelitas, mas não levantemos a mão contra ele, pois afinal ele é nosso irmão, da mesma carne que nós". Os irmãos concordaram.
28. Quando passaram alguns mercadores madianitas, estes retiraram José do poço, e depois venderam José aos ismaelitas por vinte moedas de prata, e estes o levaram para o Egito.
29. Quando Rúben voltou ao poço, viu que José não estava mais aí. Então rasgou as vestes
30. e, voltando até os irmãos, falou: "O rapaz não está mais lá. E eu, para onde irei?"
31. Então pegaram a túnica de José e, degolando um bode, molharam a túnica no sangue.
32. Mandaram levar a túnica para o pai, dizendo: "Encontramos isso; veja se é ou não é a túnica do seu filho".
33. O pai olhou e disse: "É a túnica do meu filho! Uma fera o devorou: José foi despedaçado!"
34. Jacó rasgou as vestes, vestiu-se de luto e chorou a morte do filho por muito tempo.
35. Todos os seus filhos e filhas procuraram consolá-lo, mas ele recusava consolo e dizia: "De luto por meu filho descerei ao túmulo". E seu pai chorou por ele.
36. Entretanto, os madianitas no Egito venderam José para Putifar, ministro e chefe da guarda do Faraó.

[Gênesis 38]
Gênesis 38

JUDÁ E TAMAR
1. Nesse tempo, Judá se separou de seus irmãos e foi viver na casa de um homem de Odolam, que se chamava Hira.
2. Judá viu aí a filha de um cananeu chamado Sué, a tomou e viveu com ela.
3. A mulher concebeu e deu à luz um filho, a quem chamou Her.
4. Ela concebeu de novo e deu à luz outro filho, a quem chamou Onã.
5. Concebeu ainda outra vez e gerou mais um filho, a quem chamou Sela; quando o deu à luz, ela estava em Casib.
6. Judá tomou uma esposa para seu primogênito Her; a mulher se chamava Tamar.
7. No entanto, Her, primogênito de Judá, desagradou a Javé, que o fez morrer.
8. Então Judá disse a Onã: "Case com a viúva de seu irmão; cumpra sua obrigação de cunhado, e dê uma descendência para seu irmão".
9. Onã, porém, sabia que a descendência não seria sua e, cada vez que se unia à mulher do seu irmão, derramava o sêmen por terra, para não dar descendência ao irmão.
10. O que ele fazia desagradava a Javé, que o fez morrer também.
11. Então Judá disse à sua nora Tamar: "Viva como viúva na casa de seu pai e espere que cresça meu filho Sela". Dizia isso, pensando: "Não convém que ele morra como seus irmãos". Tamar, então, voltou para a casa do seu pai.
12. Passou muito tempo e morreu a filha de Sué, mulher de Judá. Tendo passado o luto, Judá subiu para Tamna, junto com Hira, seu amigo de Odolam, para tosquiar o rebanho.
13. Comunicaram a Tamar: "Seu sogro está subindo a Tamna para tosquiar o rebanho".
14. Então Tamar tirou o traje de viúva, cobriu-se com véu e sentou-se na entrada de Enaim, que fica no caminho para Tamna. Ela viu que Sela já era adulto e não lhe fora dado como esposo.
15. Vendo-a, Judá pensou que fosse uma prostituta, pois ela tinha coberto o rosto.
16. Aproximou-se dela no caminho, e disse: "Deixe-me ir com você". Judá não sabia que era a sua nora. Ela perguntou: "O que você me dará para ir comigo?"
17. Judá respondeu: "Eu mandarei para você um cabrito do rebanho". Ela replicou: "Está bem; mas você vai deixar uma garantia comigo até mandar o cabrito".
18. Judá perguntou: "Que garantia você quer?" Ela respondeu: "O anel de selo com o cordão e o cajado que você está levando". Judá os entregou e foi com ela, deixando-a grávida.
19. Tamar se levantou, tirou o véu e vestiu novamente o traje de viúva.
20. Judá mandou o cabrito por meio de seu amigo de Odolam, a fim de recuperar os objetos que havia deixado com a mulher. Mas ele não a encontrou.
21. Então perguntou aos homens do lugar: "Onde está aquela prostituta que fica no caminho de Enaim?" Eles responderam: "Aqui nunca houve prostituta nenhuma!"
22. Então o homem voltou a Judá, e lhe disse: "Não a encontrei, e os homens do lugar disseram que ali nunca houve prostituta nenhuma".
23. Judá replicou: "Que ela fique com tudo e não zombe de nós, pois eu mandei o cabrito, e você não a encontrou".
24. Três meses depois, disseram a Judá: "Sua nora Tamar se prostituiu e está grávida por causa de sua má conduta". Então Judá ordenou: "Tragam-na para fora e seja queimada viva".
25. Quando a agarraram, ela mandou dizer a seu sogro: "Estou grávida do homem a quem pertencem este anel de selo, este cordão e este cajado".
26. Judá os reconheceu, e disse: "Ela é mais honesta do que eu, pois não lhe dei meu filho Sela". E não teve mais relações com ela.
27. Quando chegou o tempo do parto, Tamar teve gêmeos.
28. Durante o parto, um deles estendeu a mão, e a parteira pegou-a e amarrou nela uma fita vermelha, dizendo: "Foi este que saiu primeiro".
29. Mas ele retirou a mão e foi seu irmão quem saiu. Então a parteira disse: "Que brecha você abriu!" E o chamaram Farés.
30. Em seguida, saiu seu irmão, que tinha a fita vermelha na mão, e o chamaram Zara.

[Gênesis 39]
Gênesis 39

JAVÉ ESTÁ COM JOSÉ
1. Quando levaram José para o Egito, o egípcio Putifar, ministro e chefe da guarda do Faraó, o comprou dos ismaelitas, que o tinham levado para lá.
2. Javé estava com José e lhe deu sorte, de modo que o deixaram na casa de seu amo egípcio.
3. Vendo que Javé estava com José e que fazia prosperar tudo o que ele empreendia,
4. seu amo teve grande afeição por ele e o colocou a seu serviço pessoal: fez dele seu administrador, confiando-lhe tudo o que possuía.
5. Desde que José foi colocado como administrador da casa e de tudo o que pertencia a Putifar, Javé abençoou a casa do egípcio em consideração a José: a bênção de Javé atingiu tudo o que o egípcio possuía, em casa e no campo.
6. Putifar entregou tudo nas mãos de José, sem preocupar-se com outra coisa, a não ser com o pão que comia. José era belo de porte e tinha um rosto bonito.
7. Passado algum tempo, a mulher do amo ficou de olhos caídos em José e lhe propôs: "Durma comigo".
8. José recusou, e respondeu à mulher de seu amo: "Veja! Meu amo não se ocupa com nada da casa e entregou em minhas mãos tudo o que possui.
9. Nesta casa, ele não é mais poderoso do que eu: ele não reservou nada para si, a não ser você, que é mulher dele. Como posso cometer semelhante crime, pecando contra Deus?"
10. Ela insistia todos os dias, mas José não consentiu em dormir ao seu lado, nem se entregou a ela.
11. Certo dia, José foi para casa fazer seu serviço, e nenhum dos domésticos estava em casa.
12. A mulher o agarrou pela roupa, convidando: "Durma comigo". José, porém, deixou as roupas na mão dela, saiu e fugiu.
13. Vendo que José deixara as roupas em suas mãos e fugira,
14. a mulher chamou os domésticos e lhes disse: "Vejam! Meu marido trouxe um hebreu para abusar de nós. Ele se aproximou para dormir comigo, mas eu dei um grande grito.
15. Vendo que eu erguia a voz e gritava, ele deixou a roupa comigo e fugiu".
16. A mulher ficou com a roupa até que o marido voltasse.
17. Então ela lhe contou a mesma história: "O escravo hebreu que você trouxe aproximou-se para abusar de mim.
18. Eu levantei a voz e gritei; então ele deixou sua roupa comigo e fugiu".
19. O marido ficou furioso quando ouviu o que sua mulher contava: "Veja como seu escravo agiu comigo".
20. Mandou, então, buscar José e o atirou na prisão, onde estavam os prisioneiros do rei. Foi desse modo que José foi parar na prisão.
21. No entanto, Javé estava com José e lhe concedeu favores, atraindo para ele a simpatia do carcereiro-chefe.
22. O carcereiro-chefe confiou a José todos os detidos que estavam na prisão. Era José quem organizava tudo o que aí se fazia.
23. O carcereiro-chefe não se preocupava com nada do que lhe fora confiado, porque Javé estava com José e fazia prosperar tudo o que este empreendia.

[Gênesis 40]
Gênesis 40

JOSÉ SABE DISCERNIR
1. Passado algum tempo, o copeiro e o padeiro do rei do Egito ofenderam seu senhor, o rei do Egito.
2. O Faraó ficou irado contra esses dois ministros, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros,
3. e mandou prendê-los na casa do chefe da guarda, na mesma prisão onde estava José.
4. O chefe da guarda indicou José para servi-los. Assim, eles ficaram na prisão por algum tempo.
5. Certa noite, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que estavam na prisão, tiveram um sonho, cada qual com o seu significado.
6. Pela manhã, José foi onde eles se encontravam e percebeu que estavam deprimidos.
7. José perguntou, então, aos ministros do Faraó que estavam presos com ele na casa do seu amo: "Por que vocês estão de cara triste?"
8. Eles responderam: "É que tivemos um sonho e não há ninguém para interpretá-lo". José replicou: "É Deus quem pode interpretar. Contem os sonhos".
9. O chefe dos copeiros contou seu sonho para José: "Sonhei que havia uma videira diante de mim.
10. Na videira havia três ramos: eles deram brotos, floresceram e as uvas amadureceram em cachos.
11. Eu tinha na mão a taça do Faraó: peguei os cachos de uvas, espremi-os na taça do Faraó, e coloquei a taça na mão do Faraó".
12. José disse ao chefe dos copeiros: "Esta é a interpretação: os três ramos representam três dias.
13. Daqui a três dias, o Faraó se lembrará de você e lhe devolverá o seu cargo: você colocará a taça do Faraó na mão dele, como antes você costumava fazer, quando era seu copeiro.
14. Lembre-se de mim quando você estiver bem, e faça-me este favor: mencione o meu nome ao Faraó para que ele me tire desta prisão.
15. Eu fui seqüestrado da terra dos hebreus e não fiz nada aqui para me atirarem nesta prisão".
16. O chefe dos padeiros viu que José havia interpretado bem, e contou a ele: "Eu também tive um sonho. Havia três cestas de bolos sobre a minha cabeça.
17. Na cesta mais alta havia todos os tipos de doces que o Faraó come, porém as aves os comiam na cesta que eu levava na cabeça".
18. José respondeu: "Esta é a interpretação: as três cestas representam três dias.
19. Daqui a três dias, o Faraó se lembrará de você, o enforcará, e as aves comerão a carne do seu corpo".
20. Três dias depois, era o aniversário do Faraó. Então ele deu um banquete a todos os ministros, e libertou o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros.
21. Ele devolveu o cargo ao chefe dos copeiros, e este colocou a taça na mão do Faraó.
22. Quanto ao chefe dos padeiros, o Faraó mandou enforcá-lo, como José havia interpretado.
23. O chefe dos copeiros, porém, não se lembrou de José, e se esqueceu dele.

[Gênesis 41]
Gênesis 41

PROVIDÊNCIA DE DEUS E PREVIDÊNCIA DO HOMEM
1. Dois anos depois, o Faraó teve um sonho: estava de pé, junto ao rio Nilo,
2. e viu subir do Nilo sete vacas bonitas e gordas, que pastavam na invernada.
3. Atrás delas, subiram do rio outras sete vacas, feias e magras, que se puseram ao lado das primeiras na margem do rio.
4. Então as vacas feias e magras devoraram as sete vacas gordas e bonitas. Nisso, o Faraó acordou.
5. O Faraó tornou a dormir, e teve outro sonho: sete espigas brotavam do mesmo talo, granadas e bonitas.
6. E atrás delas nasceram sete espigas mirradas e ressequidas.
7. Aí, as espigas mirradas devoraram as sete espigas granadas e graúdas. Então o Faraó acordou: tivera um sonho.
8. Pela manhã, o Faraó estava perturbado e chamou todos os magos e sábios do Egito. Contou-lhes o sonho que tivera, mas ninguém foi capaz de interpretá-lo.
9. Então o chefe dos copeiros disse ao Faraó: "Devo confessar hoje o meu pecado.
10. O Faraó tinha se irritado contra seus servos e os colocou na prisão na casa do chefe da guarda, tanto a mim como ao chefe dos padeiros.
11. Na mesma noite, ele e eu tivemos um sonho, cada qual com significado diferente.
12. Havia ali conosco um jovem hebreu, escravo do chefe da guarda. Nós lhe contamos os sonhos e ele os interpretou, dando o significado de cada um.
13. E depois aconteceu exatamente como ele havia interpretado. Eu recebi de novo o meu cargo, e o outro foi enforcado".
14. Então o Faraó mandou chamar José. E o tiraram depressa da prisão; ele se barbeou, mudou de roupa e se apresentou ao Faraó.
15. O Faraó disse a José: "Tive um sonho e ninguém sabe interpretá-lo. Ouvi dizer que você ouve um sonho e sabe interpretá-lo".
16. José respondeu ao Faraó: "Quem sou eu? É Deus quem dará uma resposta favorável ao Faraó".
17. Então o Faraó contou a José: "Sonhei que estava de pé na margem do rio Nilo.
18. Do rio subiam sete vacas gordas e bonitas que pastavam na invernada.
19. Atrás delas subiram outras sete, cansadas, feias e magras, tão feias como nunca vi no Egito.
20. Aí, as vacas magras e feias devoraram as sete primeiras, as vacas gordas.
21. Depois que as devoraram, não parecia que as tinham devorado, porque a aparência delas continuava tão feia como antes. Então acordei.
22. Depois, tive outro sonho: sete espigas subiam do mesmo talo, e eram cheias e bonitas.
23. Atrás delas nasceram sete espigas secas, mirradas e queimadas.
24. Aí, as espigas mirradas devoraram as sete espigas bonitas. Eu contei isso aos magos, e ninguém foi capaz de interpretar".
25. José disse ao Faraó: "Trata-se de um sonho único. Deus está anunciando ao Faraó o que ele vai realizar.
26. As sete vacas bonitas representam sete anos e as sete espigas bonitas representam sete anos. É o mesmo sonho.
27. As sete vacas magras e feias, que sobem logo em seguida, representam sete anos; e também as sete espigas mirradas e queimadas: é que haverá sete anos de fome.
28. É como eu disse ao Faraó: Deus está mostrando ao Faraó o que ele vai realizar.
29. Virão sete anos em que haverá grande abundância em toda a terra do Egito;
30. depois, virão sete anos de fome, que farão esquecer a abundância na terra do Egito. A fome esgotará a terra,
31. e ninguém mais saberá o que era a abundância na terra, por causa da fome que virá depois, pois ela será duríssima.
32. E se o sonho do Faraó se repetiu duas vezes é porque o fato está bem decidido por parte de Deus, e Deus logo o realizará.
33. Agora, portanto, que o Faraó escolha um homem inteligente e sábio, e o coloque à frente do Egito.
34. Que o Faraó, agindo, institua funcionários no país, tome a quinta parte dos produtos da terra do Egito, durante os sete anos de abundância.
35. Que eles reúnam todos os víveres desses anos bons que virão, armazenem o trigo sob a autoridade do Faraó e guardem os víveres nas cidades.
36. Esses víveres servirão de reserva para o país, quando chegarem os sete anos de fome. Desse modo, a terra do Egito não será exterminada pela fome.

O POVO É SALVO DA FOME
37. O conselho de José agradou ao Faraó e a todos os seus ministros.
38. Então, o Faraó disse aos ministros: "Poderão, por acaso, encontrar um homem como este, em quem esteja o espírito de Deus?"
39. Então o Faraó disse a José: "Visto que Deus revelou tudo isso a você, não há ninguém tão inteligente e sábio como você.
40. Você será o administrador do meu palácio, e todo o povo obedecerá às suas ordens. Só pelo trono serei maior do que você".
41. E o Faraó continuou: "Veja! Eu coloco você à frente de todo o país".
42. Então o Faraó tirou da mão o anel de selo e o colocou na mão de José: vestiu-o com roupas de linho fino e lhe colocou no pescoço um colar de ouro.
43. Depois, fez José subir sobre o melhor carro que havia depois do seu, e proclamar à sua frente: "De joelhos!" E assim José foi colocado à frente de todo o Egito.
44. O Faraó disse a José: "Eu sou o Faraó, mas, sem a sua permissão, ninguém erguerá mão ou pé em todo o Egito".
45. E o Faraó deu a José o nome de Safanet-Fanec, e lhe deu como mulher Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On. E José saiu para percorrer o Egito.
46. José tinha trinta anos quando se apresentou diante do Faraó, rei do Egito. José deixou a presença do Faraó e percorreu toda a terra do Egito.
47. Durante os sete anos de abundância, o país teve superprodução.
48. E José reuniu todos os víveres dos sete anos de abundância na terra do Egito e armazenou os víveres nas cidades, colocando em cada cidade os víveres dos campos da redondeza.
49. José armazenou trigo como areia do mar: a quantidade era tal que se renunciou a medi-lo, porque ultrapassava qualquer medida.
50. Antes de chegar o primeiro ano da fome, José teve dois filhos de Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On.
51. José deu ao mais velho o nome de Manassés, dizendo: "Deus me fez esquecer minhas fadigas e a casa paterna".
52. Ao segundo, ele deu o nome de Efraim, dizendo: "Deus me tornou fecundo na terra de minha aflição".
53. Acabaram os sete anos de abundância na terra do Egito,
54. e chegaram os sete anos de fome, como José havia anunciado. Houve então fome por toda parte, e só no Egito havia pão.
55. Depois chegou a fome em todo o Egito; e o povo, com grandes gritos, pediu pão ao Faraó. Então o Faraó disse a todos os egípcios: "Vão a José, e façam o que ele disser a vocês".
56. Quando a fome cobriu toda a terra, José abriu os armazéns de trigo e vendeu mantimento aos egípcios, enquanto no Egito a fome se alastrava.
57. De todos os países ia muita gente ao Egito para comprar mantimentos de José, porque a fome se agravou por toda a terra.

[Gênesis 42]
Gênesis 42

UM TESTE DE FRATERNIDADE
1. Jacó soube que havia mantimentos no Egito, e disse a seus filhos: "Vocês, o que estão esperando?
2. Eu soube que no Egito há mantimentos para vender. Vão até lá e comprem mantimentos para nós, a fim de continuarmos vivos e não morrermos".
3. Dez dos irmãos de José desceram, então, ao Egito para comprar trigo.
4. Jacó não deixou que Benjamim, irmão de José, fosse com seus irmãos, pois temia que lhe acontecesse alguma desgraça.
5. Os filhos de Israel foram com outros forasteiros comprar mantimentos, pois havia fome em Canaã.
6. José tinha autoridade no país e era ele quem vendia os mantimentos para todo mundo. Os irmãos de José chegaram e se prostraram diante dele com o rosto por terra.
7. Ao ver seus irmãos, José logo os reconheceu, mas não se deu a conhecer, e lhes falou duramente: "De onde vocês vêm?" Eles responderam: "Da terra de Canaã, para comprar provisões".
8. José reconheceu os irmãos, mas eles não o reconheceram.
9. José se lembrou, então, dos sonhos que tivera a respeito deles, e lhes disse: "Vocês são espiões. Vocês vieram para observar os pontos fracos do país".
10. Eles protestaram: "Não, meu senhor! Seus servos vieram para comprar provisões.
11. Somos todos filhos do mesmo pai, e somos sinceros; seus servos não são espiões".
12. José, porém, insistiu: "Não, vocês vieram para observar os pontos fracos do país".
13. Eles responderam: "Éramos doze irmãos, filhos de um mesmo pai, na terra de Canaã: o mais novo está agora com nosso pai e o outro desapareceu".
14. José reafirmou: "É como eu disse: vocês são espiões!
15. Vou colocá-los à prova: pela vida do Faraó, vocês não sairão daqui se primeiro não me trouxerem o seu irmão mais novo.
16. Mandem um de vocês buscar seu irmão, enquanto os outros ficarão presos. Assim vocês provarão que suas palavras são verdadeiras. Caso contrário, pela vida do Faraó, vocês comprovarão que são espiões".
17. E durante três dias José os manteve presos.
18. Três dias depois, José disse a eles: "Eu temo a Deus; por isso, vocês farão o seguinte para salvar a vida:
19. se vocês são sinceros, que um de vocês fique aqui preso e os outros irão levar os mantimentos para suas famílias que passam fome.
20. Depois, vocês vão me trazer seu irmão mais novo: assim provarão que estão dizendo a verdade, e não morrerão". Eles aceitaram
21. e começaram a dizer entre si: "Estamos pagando o que fizemos com o nosso irmão; nós vimos a sua aflição quando ele nos suplicava por piedade, e não fizemos caso. Por isso é que está acontecendo para nós essa desgraça".
22. Rúben interveio: "Eu não disse para vocês não cometerem uma falta contra aquele menino? Mas vocês não me ouviram, e agora estão nos pedindo contas do sangue dele".
23. Eles não sabiam que José entendia o que eles estavam falando, pois entre José e eles havia um intérprete.
24. Então José se afastou deles e chorou. Depois voltou e conversou com eles. Em seguida, escolheu Simeão e o mandou acorrentar na presença deles.
25. José deu ordem para encher suas sacas de trigo e que pusessem nas sacas o dinheiro que eles haviam pago, e lhes fornecessem provisões para o caminho. E assim foi feito.
26. Eles carregaram as provisões sobre os jumentos e partiram.
27. De noite, no acampamento, um deles abriu a saca de trigo para dar forragem ao seu jumento, e viu que o seu dinheiro estava na boca da saca de trigo.
28. Então ele disse aos irmãos: "Devolveram o meu dinheiro! Está aqui na saca de trigo". Cheios de medo, eles se entreolharam tremendo, e disseram: "Que é isso que Deus fez conosco?"
29. Chegando em casa de Jacó, na terra de Canaã, contaram ao pai tudo o que havia acontecido com eles:
30. "O senhor do país nos falou com dureza e achou que éramos espiões em seu país.
31. Nós lhe dissemos: 'Somos sinceros, não somos espiões.
32. Nós éramos doze irmãos, filhos do mesmo pai; um de nós desapareceu e o mais novo está agora com o nosso pai na terra de Canaã'.
33. Mas o senhor do país nos disse: 'Vou saber que vocês são sinceros do seguinte modo: deixem comigo um de seus irmãos, enquanto os outros levam os mantimentos para suas famílias que passam fome.
34. Depois, vocês vão me trazer seu irmão mais novo e eu ficarei sabendo se vocês são espiões ou não. Então eu devolverei o irmão de vocês, e vocês poderão circular pelo país' ".
35. Quando eles foram esvaziar as sacas, cada qual encontrou em sua saca a bolsa de dinheiro. Vendo as bolsas de dinheiro, eles e o seu pai ficaram assustados.
36. Então seu pai Jacó lhes disse: "Vocês estão me deixando sozinho: José desapareceu, Simeão também, e agora querem levar Benjamim! Tudo se volta contra mim!"
37. Mas Rúben disse ao pai: "O senhor pode matar meus dois filhos se eu não lhe devolver Benjamim. Entregue-o a mim, e eu o trarei de volta".
38. O pai respondeu: "Meu filho não descerá com vocês. Seu irmão morreu e só me resta ele. Se lhe acontecer alguma desgraça na viagem que vocês vão fazer, de tanta dor farão este velho de cabelos brancos descer ao túmulo".

[Gênesis 43]
Gênesis 43

SER IRMÃO É RESPONSABILIZAR-SE PELO OUTRO
1. A fome apertava no país.
2. Quando se acabaram as provisões que haviam trazido do Egito, Jacó disse aos filhos: "Voltem lá para comprar mantimentos".
3. Judá replicou: "Aquele homem nos declarou severamente: 'Não se apresentem diante de mim sem me trazer o seu irmão'.
4. Se o senhor deixar nosso irmão ir conosco, então desceremos e compraremos mantimentos para o senhor.
5. Mas, se o senhor não o deixar, não desceremos, pois aquele homem nos disse: 'Não se apresentem diante de mim sem me trazer o seu irmão' ".
6. Israel lhes disse: "Por que vocês me deram esse desgosto, contando para aquele homem que vocês têm outro irmão?"
7. Eles responderam: "Aquele homem perguntou sobre nós e nossa família: 'O pai de vocês ainda vive? Vocês têm outro irmão?' E nós respondemos às perguntas dele. Como poderíamos imaginar que ele fosse exigir que levássemos nosso irmão?"
8. Então Judá disse a seu pai Israel: "Deixe o menino ir comigo, porque indo poderemos salvar nossa vida; do contrário, morreremos todos: nós, o senhor e nossos filhos.
9. Eu fico responsável por ele, e o senhor pedirá contas dele para mim: se eu não o trouxer de volta e não o puser diante do senhor, serei culpado diante do senhor durante toda a minha vida.
10. Se não tivéssemos demorado tanto, já estaríamos de volta pela segunda vez".
11. Então seu pai Jacó lhes disse: "Se é necessário, então façam assim. Coloquem em suas bagagens os melhores produtos do país e levem como presente para aquele homem: um pouco de bálsamo, um pouco de mel, especiarias, resina, terebinto e amêndoas.
12. Levem com vocês o dobro do dinheiro para devolver o que foi posto nas sacas, pois talvez tenha sido um descuido.
13. Tomem o irmão de vocês e voltem a visitar aquele homem.
14. Que o Todo-poderoso faça aquele homem ter compaixão de vocês, solte o irmão de vocês e não prenda Benjamim. Quanto a mim, se eu tiver que ficar sem meus filhos, paciência!"
15. Então eles tomaram consigo os presentes, dinheiro em dobro e Benjamim, desceram ao Egito e se apresentaram a José.
16. Quando José viu seus irmãos com Benjamim, disse ao mordomo: "Leve esses homens para minha casa, faça abater um animal e prepare-o, porque esses homens vão almoçar comigo".
17. O mordomo fez o que José mandou, e os levou para a casa de José.
18. Os homens ficaram com medo, porque estavam sendo conduzidos à casa de José, e disseram: "Estão nos levando por causa do dinheiro que voltou em nossas sacas de trigo na primeira vez: vão nos agarrar, cair sobre nós e nos tomar como escravos com nossos jumentos".
19. Eles se aproximaram do mordomo de José e lhe falaram na porta da casa:
20. "Veja, senhor! Nós descemos uma vez aqui para comprar mantimentos.
21. Quando chegamos de noite ao acampamento, abrimos nossas sacas de trigo e encontramos na boca das sacas o dinheiro que havíamos pago, e o trouxemos de volta
22. com outra quantia igual para comprar mantimentos. Não sabemos quem colocou o nosso dinheiro nas sacas de trigo".
23. O mordomo respondeu: "Fiquem tranqüilos e não tenham medo. Foi o Deus de vocês e o Deus do pai de vocês quem lhes colocou um tesouro nas sacas de trigo. Eu recebi o dinheiro de vocês". E levou Simeão até eles.
24. O mordomo os fez entrar na casa de José, levou água para que lavassem os pés e deu forragem aos seus jumentos.
25. Eles prepararam o presente, esperando que José viesse ao meio-dia, porque souberam que iam almoçar aí.
26. Quando José entrou em casa, eles lhe ofereceram o presente que tinham consigo, e se prostraram por terra.
27. José, porém, saudou-os amigavelmente e perguntou: "Como está o velho pai de vocês, de quem me falaram? Ele ainda vive?"
28. Eles responderam: "Seu servo, nosso pai, está bem. Ele ainda vive". E se inclinaram e se prostraram.
29. Erguendo os olhos, José viu seu irmão Benjamim, filho de sua mãe, e perguntou: "É este o irmão mais novo, de quem vocês me falaram?" E disse a Benjamim: "Que Deus lhe conceda graça, meu filho".
30. Em seguida, José saiu depressa, porque ficou comovido por seu irmão, e as lágrimas lhe vinham aos olhos. Entrou em seu quarto, e chorou.
31. Depois lavou o rosto, voltou e, contendo-se, ordenou: "Sirvam o almoço".
32. Serviram José à parte, os irmãos à parte, e de outro lado os egípcios que comiam com ele, pois os egípcios não podem comer com os hebreus: isso seria um sacrilégio.
33. Os irmãos estavam colocados diante de José, cada qual em seu lugar, do mais velho ao mais novo: eles se olhavam espantados.
34. José lhes mandava porções de sua mesa, e a porção de Benjamim era cinco vezes maior. Eles beberam e se alegraram em companhia de José.

[Gênesis 44]
Gênesis 44

DEFENDER A FRATERNIDADE
1. José deu esta ordem ao mordomo: "Coloque tudo o que puder de mantimentos dentro das sacas desses homens e ponha o dinheiro de cada um na boca das sacas.
2. Na boca da saca do mais novo, junto com o dinheiro do trigo, coloque também a minha taça, a taça de prata". E o mordomo assim fez.
3. Ao amanhecer, os homens se despediram e partiram com seus jumentos.
4. Logo que eles saíram da cidade e ainda não estavam longe, José disse ao mordomo: "Persiga esses homens e, quando os alcançar, diga a eles: 'Por que vocês pagaram o bem com o mal?
5. Por que roubaram a taça de prata que meu senhor usa para beber e fazer adivinhações? Vocês se comportaram mal' ".
6. O mordomo os alcançou e lhes repetiu isso.
7. Mas eles responderam: "Por que o meu senhor está falando assim? Seus servos nunca fariam isso!
8. Veja! O dinheiro que tínhamos encontrado na boca das sacas de trigo, nós tornamos a trazê-lo da terra de Canaã. Por que iríamos roubar ouro ou prata da casa de seu amo?
9. Se o senhor encontrar a taça com um de seus servos, que ele morra e nós nos tornaremos escravos de seu amo".
10. O mordomo respondeu: "De acordo. Aquele com quem for encontrada a taça será meu escravo, e os outros ficarão livres".
11. Cada um colocou depressa sua saca de trigo no chão e a abriu.
12. O mordomo se pôs a examiná-los, começando pelo mais velho e terminando pelo mais novo, e encontrou a taça na saca de Benjamim.
13. Então eles rasgaram as roupas, carregaram de novo os jumentos e voltaram à cidade.
14. Judá e seus irmãos entraram na casa de José, que ainda estava ali, e se prostraram por terra diante dele.
15. José lhes perguntou: "O que é que vocês fizeram? Vocês não sabiam que uma pessoa como eu é capaz de adivinhar?"
16. Judá respondeu: "Que podemos responder ao nosso senhor? Como podemos provar nossa inocência? Deus descobriu a falta de seus servos. Aqui estamos: somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele nas mãos de quem foi encontrada a taça".
17. José, porém, disse: "Eu nunca faria isso! Aquele que estava com a taça, será meu escravo. Quanto a vocês, podem voltar em paz para a casa do seu pai".
18. Então Judá se aproximou e disse: "Meu senhor, permita que seu servo fale em sua presença com toda a franqueza, sem que sua cólera se acenda contra seu servo, pois o senhor é como o próprio Faraó.
19. O senhor tinha perguntado a seus servos: 'Vocês têm ainda pai ou algum irmão?'
20. Nós respondemos ao senhor: 'Temos um pai já velho e um irmão mais novo, nascido em sua velhice; o irmão deste morreu e ele ficou sendo o único filho de sua mãe. Nosso pai o ama demais!'
21. Então o senhor disse a seus servos: 'Tragam-no para que eu o conheça'.
22. Nós respondemos ao meu senhor: 'O menino não pode deixar seu pai; se ele se separar do pai, este morrerá'.
23. Mas o senhor insistiu com seus servos: 'Se o irmão mais novo de vocês não vier junto, vocês não serão recebidos por mim'.
24. Quando voltamos para junto de nosso pai, seu servo, nós lhe contamos tudo o que o senhor falou.
25. E nosso pai nos disse: 'Voltem para comprar um pouco de mantimento para nós'.
26. E nós respondemos: 'Mas não podemos descer, se nosso irmão mais novo não for conosco; pois não seremos recebidos por aquele senhor, se nosso irmão mais novo não for conosco'.
27. Então meu pai, seu servo, nos disse: 'Vocês sabem que minha mulher só me deu dois filhos.
28. Um me deixou e eu disse: Ele foi despedaçado! E nunca mais o vi até hoje.
29. Se vocês tirarem também este de junto de mim e lhe acontecer alguma desgraça, de tanta dor, vocês farão este velho de cabelos brancos descer ao túmulo'.
30. Agora, pois, se eu chegar à casa de meu pai, seu servo, sem levar comigo o menino, a quem ele ama com toda a sua alma,
31. logo que notar que o rapaz não está conosco, ele morrerá. E faremos nosso pai, seu servo, de cabelos brancos, descer ao túmulo, de tanta dor.
32. E este seu servo se tornou responsável pelo rapaz junto de meu pai, nestes termos: 'Se eu não trouxer o menino de volta, serei culpado diante do senhor durante toda a minha vida'.
33. Portanto, deixe que este seu servo fique escravo de meu senhor no lugar do rapaz, e que ele possa voltar com seus irmãos.
34. Como poderia eu voltar à casa de meu pai sem ter comigo o rapaz? Não quero ver a desgraça que cairia sobre meu pai".

[Gênesis 45]
Gênesis 45

DEUS AGE ATRAVÉS DAS SITUAÇÕES
1. Nesse momento, José não pôde mais se conter na presença de sua corte, e ordenou: "Saiam todos!" E não havia mais ninguém, quando José se deu a conhecer a seus irmãos:
2. começou a chorar tão alto que todos os egípcios ouviram, e a notícia chegou à casa do Faraó.
3. José disse aos irmãos: "Eu sou José! Meu pai ainda está vivo?" Seus irmãos, espantados, ficaram sem resposta.
4. Então José disse aos irmãos: "Cheguem mais perto de mim!" Eles se aproximaram. José continuou: "Eu sou José, o irmão de vocês, aquele que vocês venderam para o Egito.
5. Mas agora, não fiquem tristes nem se aflijam porque me venderam para este país, pois foi para lhes preservar a vida que Deus me enviou na frente de vocês.
6. De fato, há dois anos que a fome se instalou no país e ainda haverá cinco anos sem semeadura e sem colheita.
7. Deus me enviou na frente de vocês, para que possam sobreviver neste país, salvando a vida para uma libertação maravilhosa.
8. Portanto, não foram vocês que me mandaram para cá. Foi Deus. Ele me tornou ministro do Faraó, administrador de todo o palácio e governador de todo o Egito.
9. Subam depressa à casa do meu pai e digam a ele: 'Assim fala seu filho José: Deus me tornou senhor de todo o Egito. Desça sem demora para junto de mim;
10. o senhor habitará na terra de Gessen e ficará comigo: o senhor, seus filhos, netos, ovelhas, bois e tudo o que lhe pertence.
11. Aí eu o sustentarei, a fim de que não falte mais nada ao senhor, à sua família e a tudo o que possui, pois a fome ainda vai durar cinco anos.
12. Vocês estão vendo com os próprios olhos, e Benjamim também está vendo, que sou eu quem lhes fala pessoalmente.
13. Contem a meu pai todo o poder que tenho no Egito e tudo o que vocês viram, e tragam logo o meu pai para cá".
14. Então José abraçou seu irmão Benjamim e chorou. Benjamim também chorou abraçado a ele.
15. Em seguida, José cobriu de beijos todos os irmãos e, abraçando-os, chorava. Só então seus irmãos começaram a conversar com ele.
16. A notícia de que os irmãos de José estavam no país chegou até o palácio do Faraó, e o Faraó e seus ministros se alegraram.
17. O Faraó disse a José: "Diga a seus irmãos que carreguem os burros e voltem para a terra de Canaã.
18. Tomem o pai e as famílias de vocês e voltem para cá. Eu lhes darei a melhor terra do Egito, e eles poderão comer os melhores produtos do país.
19. Mande-os que levem do Egito carros para transportar as crianças, as mulheres e seu pai, e venham para cá.
20. Não se preocupem com o que deixarem, pois tudo o que houver de melhor na terra do Egito pertencerá a eles".
21. Assim fizeram os filhos de Israel. José lhes deu carros, conforme as ordens do Faraó, e também provisões para a viagem.
22. Além disso, deu mudas de roupa a cada um deles, mas a Benjamim deu trezentas moedas de prata e cinco mudas de roupa.
23. Para seu pai, enviou dez jumentos carregados com os melhores produtos do Egito e dez jumentas carregadas de trigo, pão e provisões para a viagem do pai.
24. Quando os irmãos se despediram para partir, José lhes disse: "Não briguem no caminho".
25. Então eles subiram do Egito e chegaram à terra de Canaã, na casa de seu pai Jacó.
26. E deram a notícia ao pai: "José está vivo e é o governador de toda a terra do Egito". Mas o pai ficou perplexo, pois não era capaz de acreditar.
27. Entretanto, quando eles repetiram tudo o que José lhes dissera e quando ele viu os carros que José tinha mandado para buscá-lo, o coração de Jacó, seu pai, se reanimou.
28. E Israel disse: "Agora chega! Meu filho José ainda está vivo. Vou vê-lo antes de morrer".

[Gênesis 46]
Gênesis 46

ISRAEL IMIGRANTE NO EGITO
1. Israel partiu levando tudo o que possuía. Chegando a Bersabéia, ofereceu sacrifícios ao Deus de seu pai Isaac.
2. Aí, numa visão noturna, Deus disse a Israel: "Jacó! Jacó!" Ele respondeu: "Aqui estou".
3. Deus continuou: "Eu sou El, o Deus de seu pai. Não tenha medo de descer ao Egito, porque lá farei de você uma grande nação.
4. Eu descerei com você ao Egito e o farei voltar de lá. E José lhe fechará os olhos".
5. Jacó partiu de Bersabéia, e os filhos de Israel fizeram seu pai Jacó, seus netos e suas mulheres subirem nos carros que o Faraó mandara para buscá-los.
6. Tomaram seus rebanhos e tudo o que haviam adquirido na terra de Canaã, e foram para o Egito,
7. Jacó e todos os seus descendentes com ele: filhos e netos, filhas e netas e todos os seus descendentes, ele os levou consigo para o Egito.
8. Nomes dos filhos de Jacó que foram para o Egito: Rúben, o primogênito de Jacó.
9. Filhos de Rúben: Henoc, Falu, Hesron e Carmi.
10. Filhos de Simeão: Jamuel, Jamin, Aod, Jaquin, Soar e Saul, o filho da cananéia.
11. Filhos de Levi: Gérson, Caat e Merari.
12. Filhos de Judá: Her, Onã, Sela, Farés e Zara; mas Her e Onã morreram na terra de Canaã. Filhos de Farés: Hesron e Hamul.
13. Filhos de Issacar: Tola, Fua, Jasub e Semron.
14. Filhos de Zabulon: Sared, Elon e Jaelel.
15. Até aqui são os descendentes que Lia e Jacó tiveram em Padã-Aram; além desses, sua filha Dina: ao todo, trinta e três pessoas, entre filhos e filhas.
16. Filhos de Gad: Safon, Hagi, Suni, Esebon, Eri, Arodi e Areli.
17. Filhos de Aser: Jamne, Jesua, Jessui, Beria, e a irmã Sara. Filhos de Beria: Héber e Melquiel.
18. Esses são os filhos de Zelfa, a escrava que Labão deu à sua filha Lia. Ela gerou dezesseis pessoas para Jacó.
19. Filhos de Raquel, mulher de Jacó: José e Benjamim.
20. Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On, deu a José dois filhos no Egito: Manassés e Efraim.
21. Filhos de Benjamim: Bela, Bocor, Asbel, Gera, Naamã, Equi, Ros, Mofim, Ofim e Ared.
22. Esses são os filhos de Raquel, gerados para Jacó: são ao todo catorze pessoas.
23. Filho de Dã: Husim.
24. Filhos de Neftali: Jasiel, Guni, Jeser e Selém.
25. Esses são os filhos de Bala, a escrava que Labão deu à sua filha Raquel. Ela gerou para Jacó sete pessoas.
26. Os descendentes que foram com Jacó para o Egito, sem contar as noras, eram ao todo sessenta e seis.
27. Acrescentando os dois filhos de José no Egito, a família de Jacó que foi para o Egito era no total setenta pessoas.
28. Jacó enviou Judá na frente, para que ele se encontrasse com José e preparasse um lugar em Gessen. Quando eles estavam chegando a Gessen,
29. José preparou o seu carro e foi ao encontro do seu pai Israel em Gessen. Ao vê-lo, o abraçou e, ao beijá-lo, chorou.
30. Israel disse a José: "Agora posso morrer, depois que vi você vivo em pessoa".
31. Então José disse a seus irmãos e à família de seu pai: "Vou subir para dar ao Faraó esta notícia: 'Meus irmãos e a família de meu pai, que viviam em Canaã, vieram para junto de mim.
32. São pastores de ovelhas que cuidam de rebanhos; trouxeram as ovelhas, as vacas e tudo o que possuíam'.
33. Assim, quando o Faraó chamar vocês e perguntar: 'Qual é a profissão de vocês?'
34. então respondam: 'Seus servos são pastores desde a juventude até hoje, tanto nós como nossos pais'. Desse modo, vocês poderão ficar na terra de Gessen, pois os egípcios detestam todos os pastores".

[Gênesis 47]
Gênesis 47

1. José foi levar ao Faraó a notícia: "Meu pai e meus irmãos chegaram da terra de Canaã com suas ovelhas, vacas e tudo o que possuem, e estão na terra de Gessen".
2. José escolheu cinco de seus irmãos e os apresentou ao Faraó.
3. Este lhes perguntou: "Qual é a profissão de vocês?" Eles responderam: "Seus servos são pastores de ovelhas, tanto nós quanto nossos pais".
4. E acrescentaram: "Viemos morar neste país, porque não há mais pastagem para os rebanhos de seus servos: a fome está assolando a terra de Canaã. Permita que seus servos fiquem na terra de Gessen".
5a. Então o Faraó disse a José:
6b. "Que eles morem na terra de Gessen. Se você conhece alguns deles que são capazes, coloque-os como administradores de meus próprios rebanhos".
5b. Quando Jacó e seus filhos chegaram ao Egito, o Faraó, rei do Egito, ficou sabendo, e disse a José: "Seu pai e seus irmãos vieram encontrá-lo.
6a. A terra do Egito está à disposição de você: instale seu pai e seus irmãos na melhor região".
7. Então José fez vir seu pai Jacó, o apresentou ao Faraó, e Jacó saudou o Faraó.
8. O Faraó perguntou a Jacó: "Quantos anos você tem?"
9. Jacó respondeu ao Faraó: "Cento e trinta são os anos de minhas andanças pela terra. Os anos de minha vida foram poucos e infelizes, e não chegam aos anos que meus pais viveram em suas andanças".
10. Então Jacó saudou o Faraó e despediu-se dele.
11. A seguir, José instalou seu pai e seus irmãos e lhes deu propriedades no Egito, na melhor região do país, que é a de Ramsés, conforme o Faraó lhe havia mandado.
12. E José providenciou pão para seu pai, para seus irmãos e para toda a família de seu pai, segundo o número de seus filhos.

POLÍTICA AGRÁRIA DE JOSÉ
13. Em todo o país faltava pão, pois a fome assolava e esgotava a terra do Egito e de Canaã.
14. José acumulou todo o dinheiro que havia na terra do Egito e na terra de Canaã, em troca dos mantimentos que eles compravam, e entregou todo o dinheiro ao palácio do Faraó.
15. Quando se acabou o dinheiro da terra do Egito e da terra de Canaã, todos os egípcios foram a José, pedindo: "Dê-nos pão ou morreremos aqui mesmo, porque se acabou o nosso dinheiro".
16. Então José falou: "Se o dinheiro de vocês acabou, tragam rebanhos, e eu lhes darei pão em troca de seus rebanhos".
17. Eles então levaram seus rebanhos a José, e este lhes deu pão em troca de cavalos, ovelhas, bois e jumentos. E nesse ano José sustentou-os com pão em troca de seus rebanhos.
18. Passado esse ano, eles voltaram a José no ano seguinte, dizendo: "Não podemos esconder isso ao senhor: nosso dinheiro, o rebanho e os animais já pertencem ao senhor. Só nos resta oferecer ao senhor nossos corpos e nossos campos.
19. Por que iríamos perecer em sua presença, nós e nosso terreno? Compre, portanto, a nós e nosso terreno em troca de pão, e nós e nossos terrenos seremos servos do Faraó. Dê-nos sementes a fim de continuarmos vivos e não morrermos, e que o nosso terreno não fique deserto".
20. Então José comprou para o Faraó todos os terrenos do Egito, pois os egípcios, forçados pela fome, venderam seus terrenos. Desse modo, todo o país tornou-se propriedade do Faraó.
21. Quanto aos homens, o Faraó os tornou escravos de uma extremidade à outra do território do Egito.
22. Somente as terras dos sacerdotes não foram compradas, pois os sacerdotes recebiam uma renda do Faraó e viviam dessa renda que o Faraó lhes dava. Por isso, não precisaram vender suas terras.
23. José disse ao povo: "Hoje eu comprei vocês e seus terrenos para o Faraó. Aqui estão as sementes para semear nos terrenos.
24. Quando chegar a colheita, vocês deverão dar a quinta parte para o Faraó; as outras quatro partes servirão para semear e para alimentar vocês, suas famílias e seus filhos.
25. Eles responderam: "O senhor salvou nossa vida! Alcançamos o seu favor e nos tornaremos escravos do Faraó".
26. José fez disso uma lei, que ainda hoje vale para todos os terrenos do Egito: a quinta parte da produção pertence ao Faraó. Somente as terras dos sacerdotes não se tornaram propriedade do Faraó.

ÚLTIMAS DISPOSIÇÕES DE JACÓ
27. Israel estabeleceu-se na terra do Egito, na região de Gessen. Aí adquiriu propriedades, multiplicou-se e tornou-se muito numeroso.
28. Jacó viveu dezessete anos no Egito, e a duração da sua vida foi de cento e quarenta e sete anos.
29. Quando chegou para Israel a hora da morte, ele chamou seu filho José e lhe disse: "Se tenho o seu afeto, coloque sua mão debaixo de minha coxa e prometa tratar-me com amor e fidelidade: peço-lhe que não me enterre no Egito.
30. Quando eu descansar com meus pais, leve-me do Egito e me enterre no túmulo deles". José respondeu: "Farei o que o senhor está pedindo".
31. Seu pai insistiu: "Jure-me!" E José jurou. Então Israel inclinou-se na cabeceira da cama.

[Gênesis 48]
Gênesis 48

1. Depois disso, disseram a José: "Seu pai está doente". Então José tomou consigo seus dois filhos, Manassés e Efraim.
2. Disseram a Jacó: "Aqui está seu filho José que veio visitá-lo". Israel fez um esforço e sentou-se na cama.
3. Então Jacó disse a José: "O Deus Todo-poderoso me apareceu em Luza, na terra de Canaã. Ele me abençoou,
4. e disse: 'Eu o tornarei fecundo e o multiplicarei, até que chegue a ser uma assembléia de povos. E a seus descendentes eu darei esta terra como posse perpétua'.
5. Agora, os dois filhos que nasceram de você no Egito antes que eu viesse para morar com você, serão meus filhos. Efraim e Manassés serão para mim como Rúben e Simeão.
6. Os que nascerem depois deles pertencerão a você, e receberão a herança em nome de seus irmãos.
7. Quando eu voltava de Padã-Aram, para minha infelicidade sua mãe Raquel morreu em viagem na terra de Canaã, a um bom trecho de Éfrata, e eu a enterrei no caminho de Éfrata, que é Belém".
8. Israel viu os dois filhos de José, e perguntou: "Quem são estes?"
9. José respondeu: "São os filhos que Deus me deu aqui". Jacó disse: "Traga-os aqui perto para que eu os abençoe".
10. Israel estava com a vista fraca pela velhice e quase não enxergava. José fez os filhos se aproximarem, e Israel os beijou e abraçou.
11. E Israel disse a José: "Eu não esperava mais vê-lo, mas Deus me permitiu ver você e seus descendentes".
12. Então José tirou os filhos do colo do pai e se prostrou com o rosto por terra.
13. José pegou os filhos, Efraim à direita e Manassés à esquerda, aproximou-se de Israel, para que Manassés ficasse à direita e Efraim à esquerda de Israel.
14. Israel, porém, cruzou os braços, estendeu a mão direita e a colocou sobre a cabeça de Efraim, que era o mais novo, e a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés, embora Manassés fosse o mais velho.
15. E os abençoou, dizendo: "Que o Deus, diante do qual caminharam meus pais Abraão e Isaac, que o Deus que foi meu pastor desde o meu nascimento até hoje,
16. que o Anjo que me salvou de todo o mal abençoe estas crianças. Que nelas sobrevivam o meu nome e o nome de meus pais Abraão e Isaac. Que elas cresçam e se multipliquem sobre a terra".
17. José viu que seu pai tinha posto a mão direita sobre a cabeça de Efraim, e não gostou. Pegou a mão do pai, retirou-a da cabeça de Efraim e a colocou sobre a cabeça de Manassés,
18. explicando: "Não é assim, pai! O primogênito é este; coloque a mão direita sobre a cabeça dele".
19. Mas o pai recusou, dizendo: "Eu sei, meu filho, eu sei. Ele também se tornará um povo e crescerá, mas seu filho mais novo será maior do que ele, e sua descendência se tornará uma multidão de nações".
20. Nesse dia, Jacó os abençoou desta maneira: "Israel se servirá de vocês para abençoar, dizendo: 'Deus torne você como Efraim e Manassés' ". E Jacó pôs Efraim antes de Manassés.
21. Em seguida, Israel disse a José: "Estou para morrer, mas Deus estará com vocês e os levará de novo para a terra de seus pais.
22. A você, e não a seus irmãos, eu darei Siquém, que eu tomei dos amorreus com minha espada e arco".

[Gênesis 49]
Gênesis 49

O FUTURO DO POVO DE ISRAEL
1. Jacó chamou seus filhos e disse: "Reúnam-se, para que eu lhes anuncie o que vai acontecer a vocês no futuro.
2. Reúnam-se e escutem, filhos de Jacó, ouçam o seu pai Israel:
3. Rúben, você é o meu primogênito, minha força e primeiro fruto de minha virilidade, primeiro na fila e primeiro em poder,
4. impetuoso como as águas: você não manterá a primazia, porque subiu à cama de seu pai e violou o meu leito contra mim.
5. Simeão e Levi são irmãos. Suas espadas são instrumentos de violência.
6. Não quero assistir a seus conselhos, não participarei de sua assembléia, pois na sua cólera mataram homens, e em seu capricho mutilaram touros.
7. Maldita seja a cólera deles por seu rigor, maldito seu furor por sua dureza. Eu os dividirei em Jacó e os dispersarei em Israel.
8. Judá, seus irmãos o louvarão. Você colocará a mão sobre a nuca de seus inimigos, e diante de você se prostrarão os filhos de seu pai.
9. Judá é um leãozinho. Você voltou da caçada, meu filho; agacha-se e deita-se como leão e como leoa: quem se atreve a desafiá-lo?
10. O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de comando do meio de seus pés, até que o tributo lhe seja trazido e os povos lhe obedeçam.
11. Ele amarra a seu jumentinho junto à vinha, e o filhote de jumenta perto da videira; lava sua roupa no vinho e seu manto no sangue das uvas.
12. Seus olhos são mais escuros do que o vinho, e seus dentes mais brancos que o leite.
13. Zabulon reside à beira-mar: é um porto para os barcos, e sua fronteira chegará até Sidônia.
14. Issacar é um jumento robusto, deitado entre dois muros.
15. Ele viu que o estábulo era bom e que a terra era agradável: baixou o ombro sob a carga e sujeitou-se ao trabalho escravo.
16. Dã julga seu povo, e também as outras tribos de Israel.
17. Dã é uma serpente no caminho, uma víbora no atalho: morde o cavalo nos calcanhares, e o cavaleiro cai para trás.
18. Em tua salvação eu espero, Javé!
19. Gad, os guerrilheiros o atacarão, e ele os atacará pelas costas.
20. Aser, seu pão é abundante e fornece delícias de reis.
21. Neftali é gazela solta que tem crias formosas.
22. José é potro selvagem, potro junto à fonte, burros selvagens junto ao muro.
23. Os arqueiros os irritam, desafiam e atacam.
24. Mas o seu arco fica intacto e seus braços se movem velozes, pelas mãos do Poderoso de Jacó, do Pastor e Pedra de Israel,
25. pelo Deus de seu pai que o socorre, pelo Todo-poderoso que o abençoa: as bênçãos que descem do céu e as bênçãos do oceano em baixo, bênçãos das mamas e dos seios.
26. As bênçãos de seu pai são superiores às bênçãos dos montes antigos e às atrações das colinas eternas. Que elas venham sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre os irmãos.
27. Benjamim é um lobo voraz: de manhã devora a presa, e à tarde reparte os despojos.
28. Todos esses formam as doze tribos de Israel. E tudo isso foi o que disse o pai deles ao abençoá-los; abençoou cada um com a bênção que convinha.
29. Depois Jacó ordenou a eles: "Quando eu me reunir com os meus, enterrem-me com os meus pais na gruta do campo de Efron, o heteu,
30. na gruta do campo de Macpela, diante de Mambré, na terra de Canaã, que Abraão comprou de Efron, o heteu, como propriedade sepulcral.
31. Aí foram enterrados Abraão e sua mulher Sara; aí também foram enterrados Isaac e sua mulher Rebeca, e aí eu enterrei Lia.
32. O campo e a gruta que nele está foram comprados dos filhos de Het".
33. Quando Jacó acabou de dar instruções aos filhos, recolheu os pés na cama, expirou e se reuniu com seus antepassados.

[Gênesis 50]
Gênesis 50

O EGITO NÃO É A TERRA PROMETIDA
1. José lançou-se sobre o rosto do pai, chorando e beijando.
2. Em seguida, ordenou aos médicos que estavam a seu serviço para embalsamar seu pai; e os médicos embalsamaram Israel.
3. Isso durou quarenta dias, que é o tempo que costuma demorar o embalsamamento. Os egípcios guardaram luto por setenta dias.
4. Quando terminou o tempo do luto, José disse aos cortesãos do Faraó: "Se vocês são meus amigos, digam pessoalmente ao Faraó:
5. 'Meu pai me fez prestar este juramento: Quando eu morrer, enterre-me no túmulo que eu mandei cavar na terra de Canaã'. Portanto, deixe-me subir para enterrar meu pai; depois, eu voltarei".
6. O Faraó respondeu: "Suba e enterre seu pai conforme o juramento que você fez".
7. José subiu para enterrar seu pai e com ele foram todos os oficiais do Faraó, os anciãos da corte e todos os dignitários da terra do Egito,
8. bem como toda a família de José, seus irmãos e a família de seu pai. Deixaram na terra de Gessen somente as crianças, as ovelhas e os bois.
9. Com José subiram também carros e cavaleiros; era um cortejo muito importante.
10. Chegando a Goren-Atad, no outro lado do Jordão, fizeram um funeral grandioso e solene, e José guardou por seu pai um luto de sete dias.
11. Os cananeus, que habitavam na região, viram o luto em Goren-Atad, e comentaram: "O funeral dos egípcios é solene!" Por isso, deram ao lugar o nome de Luto do Egito, lugar esse que está no outro lado do Jordão.
12. Os filhos de Jacó fizeram o que ele havia ordenado:
13. levaram-no para a terra de Canaã e o enterraram na gruta do campo de Macpela, diante de Mambré, campo que Abraão havia comprado de Efron, o heteu, como propriedade sepulcral.
14. Então José voltou ao Egito junto com seus irmãos e todos os que o acompanharam para enterrar seu pai.
15. Vendo que o pai havia morrido, os irmãos de José disseram: "E se José guardou rancor contra nós e quer nos devolver todo o mal que lhe fizemos?"
16. Então mandaram dizer a José: "Antes de morrer, seu pai expressou esta vontade:
17. "Digam a José: perdoe a seus irmãos o crime e o pecado que cometeram, todo o mal que fizeram a você'. Portanto, perdoe o crime dos servos do Deus de seu pai". Ao ouvir o que eles mandaram dizer, José chorou.
18. Então chegaram os irmãos, prostraram-se diante de José e disseram: "Aqui estamos. Somos seus escravos".
19. José respondeu: "Não tenham medo. Por acaso eu estou no lugar de Deus?
20. Vocês pretendiam o mal contra mim, mas o projeto de Deus o transformou em bem, a fim de cumprir o que se realiza hoje: salvar a vida de um povo numeroso.
21. Portanto, não tenham medo. Eu sustentarei vocês e seus filhos". José os tranqüilizou e lhes falou afetuosamente.
22. José viveu no Egito com a família de seu pai, e chegou aos cento e dez anos.
23. Conheceu os filhos de Efraim até a terceira geração, e também os filhos de Maquir, filho de Manassés, e os carregou no colo.
24. Por fim, José disse aos irmãos: "Estou para morrer, mas Deus cuidará de vocês e os fará subir daqui para a terra que ele prometeu, com juramento, dar a Abraão, Isaac e Jacó".
25. E José fez os filhos de Israel jurarem: "Quando Deus intervier em favor de vocês, levem meus ossos daqui".
26. José morreu com cento e dez anos. E eles o embalsamaram e colocaram num sarcófago no Egito.

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